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O blog do Jojó
Um espaço para compartilhar com amigos, alunos e curiosos sobre filosofia, vida, trabalho, amor, esporte e Yôga.
 

Arquivo do mês de Abril, 2009

Os axiomas do Mestre DeRose

Quinta-feira, 30 de Abril, 2009

euclides2Todos os dias acesso o Blog do DeRose (www.uni-yoga.org/blogdoderose). Assim fico sabendo das novidades e acompanhando o ritmo e evolução de nossa egrégora. Nele, o vásana de educador do Mestre é identificado de forma muito didática e instrutiva, permitindo que muito se aprenda e de múltiplas formas.

Abaixo reproduzo os axiomas construídos pelo Mestre, decorrentes das coisas que aprendeu com a vida. Axioma, do latim axióma, é definido como premissa considerada necessariamente evidente e verdadeira, fundamento de uma demonstração.

Tive contato com eles há alguns anos e comprovo diariamente, na prática, o quanto tem tornado minha vida mais fluida. E, quando não lembro-me de aplicá-los ou considero que determinada situação prescinde dos axiomas, inevitavelmente, sofro os desdobramentos equivocados das escolhas menos planejadas.

Boa e atenta leitura.

Estes axiomas são o fruto de muita experiência de vida. Eles foram elaborados pensando em você e para ajudá-lo a tornar sua vida mais fácil. Aceite-os como um presente. Reúna sua galera para desfrutá-los num grupo de debates ou de meditação.

1. Não acredite.

2. Dar segunda chance é dar uma segunda oportunidade para que a pessoa repita a mesma atitude.

3. Repassar sua incumbência a terceiros é uma forma quase infalível de a tarefa sair errada.

4. Deixar recado não funciona.

5. Fazer surpresa quase sempre resulta em desastre.

6. Tudo o que você disser chegará ao conhecimento da pessoa envolvida no comentário.

7. Nada é aquilo que parece ser.

8. Tudo é relativo.

Axioma temporário: E-mail não funciona (a menos que você telefone perguntando se o destinatário conseguiu abrir e ler o arquivo).

Axioma Número Zero (do Joris Marengo): O Mestre sempre tem razão.

[Espero que o Joris tenha razão!]

Tantra & Condicionamentos – uma reflexão

Sexta-feira, 24 de Abril, 2009

yogi-pequeno1

O assunto condicionamentos é recorrente em nossas palestras e cursos, já que o tema parece fundamental para entendermos o Yôga como uma ferramenta de libertação.

- Mas que libertação é essa? – Exatamente deles, dos condicionamentos.

Pondero que a compreensão da:

1.      Importância e função dos condicionamentos na evolução das espécies, e

2.      Como eles modelam nossa visão da realidade, influenciando nossas escolhas que constroem o nosso karma, são essenciais para elaborarmos a maneira como lidaremos com o Yôga, tanto como prática e enquanto filosofia.

O samadhi, hiperconsciência ou iluminação é o fenômeno neurológico que possibilita contemplarmos a realidade sem o uso distorcido de lentes interpretativas, tais como as emoções, mente e intuição, mas como ela efetivamente se apresenta.

Todos os outros veículos acima são uma mera interpretação dos eventos e das formas animadas ou inanimadas a nossa volta, porque estão sob o domínio, a influência dos condicionamentos (vásanás), que manipulam nossos sentidos, criando, literalmente, uma visão pessoal, irreal do mundo.

Esta é, na nossa humilde opinião, uma forma de aprisionamento e o Yôga visa exatamente nos ajudar a deslocar-nos do condicionado para o incondicionado, a libertação final (môksha).

Acredito que para a maioria dos estudiosos e praticantes desta filosofia fóssil, este assunto é bastante familiar e não pretendemos aprofundá-lo.

Em realidade, queremos nos deter é no como executar, realizar este procedimento de libertação, e aí as modalidades de Yôga não são unânimes.

A maioria delas, por sofrer forte influência Vêdánta-Brahmáchárya, opta como método, pelo aniquilamento do ego através de técnicas ascéticas, restritivas dos sentidos, caracterizada pela negação do corpo e das sensações, consideradas como irreais, descartáveis, na busca da realidade última, denominada Átman.

Por ser repressivo, e, portanto, contrapondo-se a natureza das coisas, o sistema Vêdánta-Brahmáchárya coloca em risco com muita freqüência a sanidade dos praticantes, incorrendo em muitíssimos casos de suicídios e esquizofrenias, por exemplo, alem de deformações anatômicas permanentes.

Já a proposta Sámkhya-Tantra tem outra abordagem que pode ser muito bem exemplificada por um ditado tântrico que diz:

“Se ao chão cais (numa alusão a vida material, física, execrada pelos praticantes de Yôga brahmácháryas, por considerarem-na uma fonte de dispersão ou vrittis), é com o auxílio do chão que levantarás”. Ou seja, propõem uma práxis que não nega, entre tantas coisas, os condicionamentos, mas propõem substituí-los por outros, mais inteligentes, em uma espiral ascendente, que conduz o yôgin a incorporar escolhas mais sábias. Ocorre então, uma profunda, positiva, contínua e irreversível transformação karmica, até que os condicionamentos substituídos sejam tão sutis, refinados e transcendentes que produzem um espelhamento com o incondicionado (Púrusha) e o sádhaka alcança a libertação.

Esta proposta de substituição dos condicionamentos, em verdade, ouvi do Mestre DeRose há um par de anos, em um dos seus tantos cursos e registrei por considerá-la muito inteligente sobre vários aspectos, mas aquele que mais me atraiu foi o fato de levar em conta a condição humana, sem negá-la ou reprimi-la, mas exaltar as oportunidades de aprimoramento e evolução nela embutidas.

Imperdível para os amantes do jazz

Sexta-feira, 24 de Abril, 2009

akind-of-blues1Kind Of Blue (1959) de Miles Davis, pode não ser o álbum mais vendido de todos os tempos, mas influenciou várias gerações de jazzistas e outros músicos. O clássico, prestes a comemorar seu 50° aniversário, ganhou uma versão de luxo.

A obra de 1959 vendeu mais de 3 milhões e cópias e ficou em 12o lugar da lista feita pela revista Rolling Stone dos 500 Maiores Álbuns de Todos os Tempos de qualquer gênero.

O trompete de Miles Davis silenciou há 17 anos, mas basta mencionar as cinco faixas do álbum — “So What”, “Freddie Freeloader”, “Blue in Green”, “All Blues” e “Flamenco Sketches” –, e qualquer fã do jazz voltará a ouvir seu som marcante outra vez.

Para comemorar o 50o aniversário do disco, a Columbia/Legacy, uma divisão da Sony, lançou uma edição de luxo para colecionadores que inclui dois CDs do álbum original, mais versões alternativas, faixas gravadas que não saíram no álbum, um documentário em DVD e outros bônus.

Há também uma exposição Miles Davis prevista para o complexo Cité de la Musique, em Paris, e um longa em que Don Cheadle faz o papel do músico, célebre por suas idiossincrasias.

Vince Wilburn Jr., sobrinho de Davis e administrador de sua herança, disse que o álbum já foi remasterizado e relançado várias vezes, tendo vendido 2 milhões de cópias desde que Davis morreu, em 1991.

Considerei que o aspecto mais valioso é o DVD  que conta como o ambum foi contruido além de cenas antológica com Milles.

Considero uma ótima oportunidade para aqueles que querem conhecer e curtir com mais profundidade o som elegante do Deus do Jazz.

O Ego e o SwáSthya Yôga

Sexta-feira, 24 de Abril, 2009

andaluz1Muito se fala sobre uma tal dissolução do ego para atingir-se o samádhi. Muitas escolas mencionam isto e contrapõe-se ao ponto de vista da nossa linhagem.

Existe um texto muito esclarecedor escrito pelo  Mestre sobre isso e repasso para que leia com  atenção.

As modalidades de Yôga que se tornaram mais conhecidas nos últimos séculos eram do tronco medieval (Vêdánta-Brahmáchárya). Uma característica dessa linhagem é o esforço para aniquilar o ego. Isso confunde muito os praticantes (e até instrutores) do tronco Pré-Clássico (Sámkhya-Tantra), pois esse conceito está bastante difundido na Índia de hoje e na literatura que proveio de lá. Como estudiosos que são, nossos adeptos travam contato, de alguma maneira, com a bibliografia que prega a aniquilação do ego e mesclam-na inadvertidamente com a proposta do SwáSthya Yôga. Então, vamos esclarecer o estudante sobre como a nossa linhagem interpreta isso.

Quando alguém nos desagrada, a atitude mais primária é querer livrar-nos da pessoa, ao invés de administrar o relacionamento e torná-lo produtivo. Quando um animal é indomável, a solução primitiva é castrá-lo. Assim fazem os Vêdánta-Brahmácháryas com o ego.

Nossa estirpe, 4.000 anos mais antiga, tem outra opinião. Nós entendemos que o ego é uma ferramenta importante do ente humano. Não queremos acabar com o ego, ao contrário, nosso método de trabalho atua no sentido de reforçar o ego para poder utilizar sua colossal força de realização.

Sem ego não há criatividade, combatividade, arte ou beleza. E mais: a maioria dos que declaram que o ego é isto, que o ego é aquilo, são hipócritas porque manifestam muito mais ego que os outros; frustrados por não conseguir eliminá-lo; ou mal intencionados por utilizar esse argumento para manipular seus seguidores.

Anular o ego seria como castrar um animal de montaria e depois utilizá-lo, caminhando cabisbaixo, sem libido. Trabalhar o ego equivale a domar e montar um cavalo andaluz inteiro, fogoso, orgulhoso, com sua cabeça erguida e suas passadas viris. Você é o Púrusha, sua montaria é o ego. Você prefere montar um pangaré derrotado ou um elegante garanhão?

Castrar o ego seria fácil demais. Domá-lo, isso sim é uma empreitada que requer coragem e muita disciplina. Eliminar o ego corresponde à covardia e fuga perante o perigo. Adestrá-lo denota coragem e disposição para a luta.

O SwáSthya Yôga, nome moderno do Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga, quer que você não seja castrado. O SwáSthya reforça sua libido e o seu ego. Em seguida, canaliza essa força resultante para fins construtivos. Ter ego não é o problema. Tê-lo deseducado, selvagem, incivilizado, criador de casos e de conflitos com as outras pessoas, esse é o grande inconveniente. Basta não nos esquecermos de que devemos mandar nele e não o contrário.

Portanto, no lugar de envidar esforços para destruir, vamos investir em algo construtivo. Nada de destruir o ego. Vamos cultivá-lo, com disciplina e a noção realista de que precisamos dele para a nossa realização pessoal, profissional e evolutiva.

Já está na hora de sabermos converter energias negativas em positivas, como no quadro abaixo:

Positivo
(utilize:)

Negativo
(no lugar de:)

amor

paixão

zelo

ciúme

erotismo

luxúria

raiva

ódio

orgulho

vaidade

ambição

cobiça

admiração

inveja

precaução

medo

agressividade

violência

sinceridade

franqueza (crudeza)

prosperidade

opulência

diplomacia

hipocrisia

liberdade

anarquia

disciplina

repressão

sugestão

crítica

colaboração

reclamação

Sim, a coluna da esquerda apresenta alguns sentimentos que nossa cultura judaico-cristã considera depreciativamente. Contudo, a raiva constrói. A agressividade educada conduz à vitória. Dessa forma, eliminando o ego, o erotismo, a raiva, o orgulho, a ambição, a agressividade, todos os tratores do sucesso são igualmente eliminados.

 

 
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