
O assunto condicionamentos é recorrente em nossas palestras e cursos, já que o tema parece fundamental para entendermos o Yôga como uma ferramenta de libertação.
- Mas que libertação é essa? – Exatamente deles, dos condicionamentos.
Pondero que a compreensão da:
1. Importância e função dos condicionamentos na evolução das espécies, e
2. Como eles modelam nossa visão da realidade, influenciando nossas escolhas que constroem o nosso karma, são essenciais para elaborarmos a maneira como lidaremos com o Yôga, tanto como prática e enquanto filosofia.
O samadhi, hiperconsciência ou iluminação é o fenômeno neurológico que possibilita contemplarmos a realidade sem o uso distorcido de lentes interpretativas, tais como as emoções, mente e intuição, mas como ela efetivamente se apresenta.
Todos os outros veículos acima são uma mera interpretação dos eventos e das formas animadas ou inanimadas a nossa volta, porque estão sob o domínio, a influência dos condicionamentos (vásanás), que manipulam nossos sentidos, criando, literalmente, uma visão pessoal, irreal do mundo.
Esta é, na nossa humilde opinião, uma forma de aprisionamento e o Yôga visa exatamente nos ajudar a deslocar-nos do condicionado para o incondicionado, a libertação final (môksha).
Acredito que para a maioria dos estudiosos e praticantes desta filosofia fóssil, este assunto é bastante familiar e não pretendemos aprofundá-lo.
Em realidade, queremos nos deter é no como executar, realizar este procedimento de libertação, e aí as modalidades de Yôga não são unânimes.
A maioria delas, por sofrer forte influência Vêdánta-Brahmáchárya, opta como método, pelo aniquilamento do ego através de técnicas ascéticas, restritivas dos sentidos, caracterizada pela negação do corpo e das sensações, consideradas como irreais, descartáveis, na busca da realidade última, denominada Átman.
Por ser repressivo, e, portanto, contrapondo-se a natureza das coisas, o sistema Vêdánta-Brahmáchárya coloca em risco com muita freqüência a sanidade dos praticantes, incorrendo em muitíssimos casos de suicídios e esquizofrenias, por exemplo, alem de deformações anatômicas permanentes.
Já a proposta Sámkhya-Tantra tem outra abordagem que pode ser muito bem exemplificada por um ditado tântrico que diz:
“Se ao chão cais (numa alusão a vida material, física, execrada pelos praticantes de Yôga brahmácháryas, por considerarem-na uma fonte de dispersão ou vrittis), é com o auxílio do chão que levantarás”. Ou seja, propõem uma práxis que não nega, entre tantas coisas, os condicionamentos, mas propõem substituí-los por outros, mais inteligentes, em uma espiral ascendente, que conduz o yôgin a incorporar escolhas mais sábias. Ocorre então, uma profunda, positiva, contínua e irreversível transformação karmica, até que os condicionamentos substituídos sejam tão sutis, refinados e transcendentes que produzem um espelhamento com o incondicionado (Púrusha) e o sádhaka alcança a libertação.
Esta proposta de substituição dos condicionamentos, em verdade, ouvi do Mestre DeRose há um par de anos, em um dos seus tantos cursos e registrei por considerá-la muito inteligente sobre vários aspectos, mas aquele que mais me atraiu foi o fato de levar em conta a condição humana, sem negá-la ou reprimi-la, mas exaltar as oportunidades de aprimoramento e evolução nela embutidas.
Etiquetas: Átman, Brahmácharya, condicionamentos, karma, Mestre DeRose, môksha, Púrusha, samádhi, Tantra, vásana





Lembro-me de te ver explanando sobre o Mestre DeRose e o conceito da espiral ascendente, Jojó. Gostei muito, e agora tenho o prazer de rever neste texto. Já estávamos com saudade dos teus posts. Um forte abraço!
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Grande Jojó!
É muito gratificante poder beber desta fonte, mesmo estando assim como um oceano de distância. Beijos.
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Ler estas palavras abriu o apetite já crescente para o curso a realizar em Junho aqui no Porto…fico à espera de mais!
Beijos
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Adorei Jojó, estudo um pouco de PNL(Programação Neurolinguistica) e ela descreve nosso comportamento de uma forma bem natural. Para a PNL, o mapa não é o território ou seja, nós representamos a realidade e lidamos com a representação dela.
A nossa filosofia e modo de ser nos permite conquistar este estado de hiperconsciência.
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Fantástico Jojó, nossa “filosofia fóssil” já traz em si técnicas e conceitos que boa parte das ciências e saberes modernos (psicologias, PNLs etc…) ainda procuram desvendar…
Grande parte das filosofias de aperfeiçoamento humano redundaram em fascismos (a eugenia perversa do nazismo), utopias (a falência do sonho comunista) ou “filosofismos” estéreis (as filosofias de cátedra), mas o yôga sobreviveu justamente por sua complexa simplicidade: sua matéria é a vida , seu método é a ação, sua meta, a união com aquilo que, afinal, nunca esteve separado de nós: o Real.
O resto é conversa….hehehe
Rômulo Justa
Fortaleza – Brasil
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