Recebia em Floripa alguns amigos de Porto Alegre. Eles estavam hospedados em uma pousada em Jurerê, praia próxima ao centro da cidade, e volta e meia, nos reuníamos em algum bom restaurante para compartilhar boa comida e ótima conversa.
Um destes encontros foi realizado em uma famosa trattoria, muito bem frequentada pelos ilhéus, ou seja, nativos da Ilha de Santa Catarina. Na hora de eleger o prato, não me fiz de rogado, e ao perceber que um dos convivas titubeava entre tantas opções do cardápio, indiquei o meu prato favorito na casa:
- Fulano, escolha o fettuchine à romana. É uma delícia – comentei, sorrindo. Meu amigo me agradeceu e solicitou ao garçom a opção por mim indicada.
Uma vez, elegidos pratos e bebidas, o atendente retirou-se e passamos a conversar. Passaram-se uns vinte minutos e voltou o nosso garçom com as mãos cheias de bandejas, aromas, nhoques, talharins e outras iguarias, distribuindo-as pela grande mesa, com mais de dez pessoas.
Todos serviram-se e iniciaram a comer. Fiquei alguns minutos entretido em degustar o meu fettuchine à romana, com seu molho vermelho, azeitonas negras, alcaparras, alho etc, quando notei que o meu amigo, que havia acatado minha sugestão pelo mesmo item do cardápio, colocara uma pequena colherada da comida no seu prato, e depois pousara os talheres à mesa, continuando a conversar, mas já sem comer.
- Fulano, não gostas de molhos fortes? – indaguei.
- Detesto, Jojó - respondeu-me ele, com um olhar que expressava decepção e uma leve irritação.
Fiquei muito envergonhado. Na ansia de compartilhar algo que eu considerava bom, nem sequer tentei investigar qual os gostos por comida do meu querido amigo. Na hora de pagar a conta, fiz questão de acertar a parte do meu parceiro de mesa.
Mas, apesar do meu constrangimento, aprendi uma valiosa lição, que mudou, para sempre, a qualidade das minhas relações interpessoais.
A partir deste evento, todas as vezes em que emito minha opinião, seja em uma conversa informal, uma palestra, curso ou entrevista, passei a utilizar, no início da minha fala, uma frase que diminuiu muito os conflitos e as situações embaraçosas.
- No meu ponto de vista,…. – e, a seguir, discorro sobre o assunto. Mas, não satisfeito, ao final, volto a alertar:
- Esta é a minha opinião.
E é mesmo! É sempre, somente a opinião, o ponto de vista que cada um de nós tem da realidade que nos cerca. Seja um amigo,um político, o cônjuge ou, principalmente, o jornalista, todos nós, sofremos uma distorção ao ouvirmos, lermos ou vermos qualquer coisa. E quem escreveu, por exemplo, também!
Portanto, com amigos e, principalmente, desconhecidos, esta estratégia reduz bastante as discussões acaloradas, sejam em debates públicos, cursos ou conversas, evitando um ambiente desconfortável só porque alguém tem uma opinião diferente da nossa. Em verdade, todos tem, e o bacana é conseguir com que levemos as opiniões discrepantes à uma troca de visões de mundo que nos acrescente, porém sem conflitos.
Etiquetas: amigos, boa convivência, escolhas, evolução, lealdade, ponto de vista





Adorei Jojó! Veio mesmo a calhar
Beijos da deliciosa primavera do Porto (na minha opinião)
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Olá!!!! Ainda hoje me lembrei de ti: o Mestre falou de ti durante o curso
Pois eu também adoptei essa técnica, mas sabe o q constatei? É q aqueles q tanto me diziam q eu tentava impôr a minha opinião não notaram a diferença e não seguiram o exemplo! Mas não importa, a minha consciência está tranquila: eu aviso que é a minha opinião!!!
beijinhos grandes e obrigada pela partilha
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Muito inteligente este texto, e super bem escrito.
Obrigada por compartilhar estas ideias!
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Obrigado, Jojó. Esta dica é perfeita e eu já pude comparar a diferença entre as conversas nas quais eu consegui posicionar-me desta forma e outras nas quais eu não consegui. A diplomacia, o bom relacionamento e o clima agradável são muito maiores com esta sua sugestão. Mas essa é a minha opinião, claro. Hehehe.
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[...] Evitando conflitos – Em alguns casos, basta acrescentar duas ou três palavrinhas à sua declaração [...]