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Sábado, 17 de Julho, 2010
Conta a lenda, que em um mosteiro budista existia um canteiro de areia. Localizado no átrio central, a superfície do canteiro era mantida impecavelmente lisa por um grupo de acólitos. Portando rastilhos de bambu, com cerdas finas como fios de cabelo, estes se sentavam em torno do grande tanque de pedra, atentos a qualquer alteração no nivelamento arenoso.
Seu trabalho era constante, pois além das alterações climáticas, o canteiro sofria diariamente mudanças com um dos exercícios de meditação característico daquele mosteiro e diariamente exercitado pelos discípulos: cruzar lenta e concentradamente, descalços, o quadrado de areia.
Pelo menos uma vez por dia, cada monge fazia este trajeto. Caminhava contrito até a entrada do canteiro com os olhos focados neste, respirava profundamente e depois pé ante pé, com o maior cuidado, realizava a travessia. Chegando ao término de sua jornada, invariavelmente olhava para trás, para as pegadas que marcavam a sua trajetória e com um suspiro de leve desapontamento, voltava as costas para o grande tabuleiro e afastava-se para o interior do mosteiro.
Todos repetiam a prática, ano após ano e década após década.
O objetivo da meditação era avaliar o quanto de poder detinha cada praticante sobre seus atos, palavras e pensamentos, de maneira a que não produzissem um único desdobramento kármico sequer. Este domínio sobre o karma era naturalmente transferido para o caminhar do acólito, permitindo-lhe atravessar o canteiro de areia sem deixar pegadas.
Assim são as nossas escolhas. Cada palavra proferida, pensamento emitido ou ação executada tem um poder imenso na construção do nosso futuro. Podemos mesmo dizer que nosso destino é construído e modificado diariamente, influenciado pela qualidade das nossas escolhas.
A necessidade de se criar divindades.
Quando comparamos a evolução do macaco humano com as de outros mamíferos, ficamos boquiabertos com a sua capacidade adaptativa, seja nas mudanças anatômicas quanto comportamentais que fez para atingir o topo da cadeia alimentar.
O homem-macaco desceu da segurança das árvores para a vida ameaçadora das planícies, estendeu a coluna, ampliou o cérebro, desenvolveu ferramentas, tornou-se caçador e construiu a cultura.
Segundo os zoólogos, para conseguir uma vantagem evolutiva, o Homo sapiens retardou a maturação cerebral, obrigando-se a permanecer para sempre com algumas características juvenis e mesmo infantis. Algumas delas foram a procura pelo risco, necessidades de explorar, criar e inventar coisas novas, aspectos bem pronunciados nas crianças quando brincam. Ao crescer, o mamífero humano, para alimentar sua sede de explorar e experimentar, criou aquilo que conhecemos como civilização.
Entre as suas invenções mais curiosas estão as divindades. Qual o motivo que o levou a construir uma realidade sobrenatural? E porque esta visão mítica se mantém, ainda nos dias de hoje, permeando a tecnologia, os negócios, as regras e leis, os valores morais, mesmo com o advindo da ciência? Poderemos um dia transcender esta visão, para uma realidade sem crenças?
Uma observação importante é conhecer a definição do verbete crer no dicionário: tomar por verdadeiro, ter por certo, ter confiança em (alguém ou algo); acreditar; formar idéia sem base real; imaginar, pensar, presumir. A palavra quase se antagoniza com outro verbo que é o saber, indicando que aquele que crê, em verdade não conhece, mas gostaria que o objeto de sua crença se transformasse em realidade.
O surgimento das crenças nos deuses surgiu, provavelmente, da necessidade que nossa espécie sentiu, desde sempre, de tentar entender o mundo fenomenal que o rodeava. No início, a tudo que nos cercava, que não compreendíamos, atribuíamos uma conotação mágica, fruto de uma imaginação sem limites, produto de nossa evolução cerebral, pois a ciência só surgiria milhares de anos depois para explicar os fenômenos naturais. A gestação, a morte, o nascimento, as mudanças climáticas, os acontecimentos cotidianos foram agregando um valor mítico, que comandava a vida dos antigos.
Porém, a continuidade das crenças em divindades, através de milhares de anos de história civilizatória, teria uma explicação mais utilitária: a garantia da estabilidade dos grupos sociais. A concepção de entidades imortais, atreladas à atributos de potência inimaginável, e que, portanto, com poderes sobre a vida de simples mortais, levaria o ser humano a uma única condição possível: a de resignar-se com o seu destino, sem questionar, aceitando aquilo que estas divindades escolhessem, e com isso diminuindo os riscos de revolta social.
Este sentimento de pequenez diante de forças invisíveis e indestrutíveis, gerou no homem um fatalismo, um determinismo existencial, um sentimento de destino inevitável, que perdura, inconscientemente até hoje, moldando magicamente, decisões diárias tomadas por bilhões de pessoas.
- O que está por trás desta visão distorcida do destino, que nos leva a entregramos nossas vidas nas mãos de potencias invisíveis, intangíveis e incertas?
Medo da responsabilidade.
A desconforto da responsabilidade de ter de escolher. Gostamos de culpar Deus, o diabo e a sorte, mas somos os únicos responsáveis pelas escolhas que fazemos.
Por isso, tanta gente, prefere ser liderado a liderar. Todos os líderes, desde a pré-história, sempre tiveram que conviver com o ônus de ser responsáveis pelas conseqüências das decisões que tomaram. Mas, no âmbito do indivíduo, cada um é líder de si mesmo.
Deste modo, precisa tomar resoluções cruciais diárias, que envolvem o seu futuro. O medo da responsabilidade está diretamente atrelado aos baixos patamares de consciência que se possui, da dificuldade de associar as centenas de variantes que tomam parte de qualquer eleição. Quanto maior a lucidez e experiência , mais ajustadas e acertadas serão as escolhas.
Medo da perda.
Escolher sempre significará abrir mão de algumas coisas por outras, e tememos selecionar errado, perdendo algum outro objeto, momento ou situação que seria o melhor para nós. Cada vez que elegemos alguma coisa que presumimos ser a melhor escolha, abrimos mão de uma série de outras tantas. Uma parte de nós, eternamente infantil, detesta perder e este sentimento pressiona nossa tomada de decisão. Uma das sensações que mais desagrada ao Homo cultus é o arrependimento, pois implicará no reconhecimento de sua incapacidade momentânea para ver com clareza uma determinada situação.
As conseqüências de nossas escolhas
Todas as vezes que escolhemos, trazemos à luz um grupo de possibilidades que de outro modo não existiria. O exemplo clássico é o genético: quem seria você, se seus pais não tivessem permitido a gravidez que deu nascimento a você? Ou se a sua mãe tivesse casado com um outro homem que não fosse seu pai? Nossa visão sobre como as escolhas combinam-se com a realidade é pequena, produzindo uma desconfortável ansiedade.
Visão distorcida de quem somos nós
A autopercepção, ou seja, a concepção que o indivíduo tem de si, é fruto de profundos e inconscientes valores, implantados através da educação. Educação é ajustar, condicionar a espécie, ativa e passivamente, às regras, normas e costumes de uma determinada época e lugar. Ela consecutivamente sacrifica todas nossas tendências, predisposições e talentos inatos em prol da integração do indivíduo ao meio social.
O lugar e época em que cada um de nós nasceu moldaram a maneira como entendemos o mundo e esta apreensão da realidade orientará continuamente as nossas escolhas, que constroem o nosso destino.
Esta impressão particular do mundo forma aparentemente o componente mais profundo daquilo que se chama o que somos, mas é apenas parte do que temos. Inconsciente, esta configuração não é fruto das nossas próprias escolhas, mas representa apenas aquilo que desejavam para nós as pessoas que estiveram presentes na nossa formação. Esta foi construída segundo os valores e entendimento particular e distorcido da realidade dos formadores.
A educação é sempre um processo de repressão da instintividade, como ferramenta de adaptação. No instinto, habitam energias muito poderosas e quase indomáveis. Por isso, no esforço de controlá-las, a educação acaba por produzir indivíduos ajustados, mas também temerosos, auto-restritivos, domesticados, onde, em nome da estabilidade do grupo, são sacrificados o impulso criativo, inovador e a curiosidade inata do homem-macaco.
Uma luz no fim do túnel das escolhas
Como vimos, quanto mais condicionado for o indivíduo, maior a sua submissão aos desmandos dos vásanás coletivos e pessoais, que modelam as suas escolhas e que constroem o destino daquela pessoa.
Daí a importância de se exercitar a lucidez, como propõe DeRose. A expansão da perceptibilidade capacita o indivíduo a identificar as possíveis e múltiplas conseqüências de suas ações, assim como um Mestre enxadrista consegue antever, muitos lances a frente, as inúmeras combinações das peças dispostas no tabuleiro, construindo defesas e infringindo ataques decisivos ao adversário.
Poderíamos comparar um praticante disciplinado do Método DeRose a um exímio enxadrista existencial, já que a reeducação comportamental proposta pela Nossa Cultura, através do exercício continuado de conceitos e técnicas, em última instância, ampliam a lucidez, o autoconhecimento.
Este indivíduo, através de técnicas como o samyama (meditação) e o yôganidrá (treinamento do sono consciente), por exemplo, exercita continuamente a atualização dos vásanas (condicionamentos) e samskára (as crenças e paradigmas), alavancando uma visão cada vez menos distorcida da realidade, proporcionando-nos fazer escolhas mais inteligentes, integrativas, sociabilizadas e refinadas.
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Terça-feira, 18 de Maio, 2010
Pelo décimo quarto ano consecutivo, o DeROSE Festival de Floripa, que acontecerá agora nos dias 28, 29 e 30 de maio, está repleto de gente linda e pró-ativa.
Faltando sessenta dias para o início do evento, as vagas do Hotel Praiatur estavam todas ocupadas.
Segundo me contou o setor de reservas, em março, ligou um interessado.
- Bom dia, gostaria de fazer uma reserva para o DeROSE Festival de Floripa, por favor – solicitou a pessoa.
- Desculpe-me, senhor, mas todos os leitos estão ocupados.
- Como pode ser? Estou ligando com dois meses de antecedência?
- Pois é, meu senhor. Para o DeROSE Festival de Floripa, a antecedência é de quatro meses.
Agora, os inscritos de última hora, buscam um lugar nas pousadas próximas ao hotel, que estão também quase lotadas.
Teremos presença das mais importantes autoridades do Método DeROSE em todo o mundo, e inscritos do Brasil, Argentina, Portugal, Espanha e Chile, somando quase 600 participantes em um fim de semana de muita convivência, prática, alegria e a melhor companhia: a egrégora do Método DeRose.
Aguardamos a chegada do Educador DeRose para o dia 27 de maio E prepare-se para vivenciar o mais poderoso sat chakra de encerramento de todos os tempos. As paredes do Hotel Praiatur irão tremer.
Etiquetas:carinho, DeRose, Edgardo Caramella, egrégora, evolução, Jojó, Joris Marengo, Mestre, Mestre DeRose, Método DeRose, Uni-Yôga, viagens, Yôga, Yôga Antigo Na categoria Amor, Filosofia, Trabalho, Vida, Yôga, amigos | 4 Comentários »
Sábado, 1 de Maio, 2010

DeRose é a encarnação de um trishúla. Como seu discípulo há mais de trinta anos pude sentir na pele, enumeras vezes, a sua capacidade de motivar as pessoas a se superarem.
Tem entre tantas habilidades incomuns, uma capacitação surreal para identificar o erro. Quando se tem o privilégio de estar perto dele, observamos que, por onde passa, sinaliza a falha e sugere a melhoria, em um movimento contínuo pelo melhoramento, superação.
Sua abençoada insistência pelo qualidade máxima, resultou em um pull de produtos oferecidos pela Nossa Cultura que impressionam os que não estão acostumados: os nossos livros, por exemplo, além de uma diagramação e textos impecáveis, diferenciam-se pelo essência fixadora Carezza colocado na tinta de impressão, deixando-os suavemente perfumado. A nossa medalha com o ÔM, as capas dos nossos CDs, as embalagens do incenso Kali-Danda e do próprio Carezza são alguns outros modelos de cuidado com a qualidade extrema.
Como instrumento evolutivo é muito forte, desafiador e transformador para aqueles que, como educandos, se submeter a lâmina afiado do Educador e Mestre.
Conviver com DeRose nestes anos todos, me demonstrou o por quê que tantos praticantes de Yôga, todos ocidentais, escolhem Mestres de Yôga já falecidos. É que não suportariam a provação de receber as inevitáveis admoestações de um Mestre vivo. E são estes sádhakas, tradicionalmente, os que falam sobre a tal “dissipação do ego”. Ego este que não têm a maturidade para metabolizar as repreensões e vislumbrar o amor por detrás destas.
Afinal de contas, só muito afeto e senso de missão faria uma pessoa agüentar reeducar pacientemente, e às vezes, sem paciência, tantos discípulos por mais de 50 anos!
E como aprendizes, temos que estar agradecidos por cada indicativo de aprimoramento. Este é o mais poderoso instrumento evolutivo de um discípulo. É o maior de todos as modalidades de prática. E precisamos estar alertas, pois como nunca paramos de nos aperfeiçoar e aprender, devemos nos preocupar quando, por algum motivo, o Mestre cessa de nos repreender. Provavelmente, desistiu de nós. Este é um momento terrível.
Para aqueles que não conhecem o Educador DeRose, é importante frisar que sempre primou pelo cuidado e cortesia na relação Mestre e discípulo. Este casamento, em verdade, é soberanamente lembrado, por todos nós, seus supervisionados, muito mais pelos momentos de cumplicidade, companheirismos e boas risadas, do que pelas correções de hábitos e valores.
Além, disso, cada vez que temos a regalia de desfrutar de seus cursos, que hoje ministra por toda a América Latina e Europa, aprendemos tanto, recebemos tanto conhecimento que, inevitavelmente, reafirma-se no coração de cada acólito, a bênção de desfrutarmos da presença viva de um autêntico Mestre de Yôga.
Para quem não sabe, trishúla alude a uma arma de guerra na forma de tridente, utilizada na Índia há milênios. Também refere a Shiva, o criador do Yôga, no seu aspecto destruidor de avidya, a ignorância da totalidade da nossa natureza.
DeRose é a encarnação de um trishúla. Como seu discípulo há mais de trinta anos pude sentir na pele, inúmeras vezes, a sua capacidade de motivar as pessoas a se superarem.
Tem entre tantas habilidades incomuns, uma capacitação surreal para identificar o erro. Quando se tem o privilégio de estar perto dele, observamos que, por onde passa, sinaliza a falha e sugere a melhoria, em um movimento contínuo pelo melhoramento, superação.
Sua abençoada insistência pela qualidade máxima, resultou em um pull de produtos oferecidos pela Nossa Cultura que impressionam os que não estão acostumados: os nossos livros, por exemplo, além de uma diagramação e textos impecáveis, diferenciam-se pelo essência fixadora Kámala colocado na tinta de impressão, deixando-os suavemente perfumados. A nossa medalha com o ÔM, as capas dos nossos CDs, as embalagens do incenso Kali-Danda e do próprio Kámala são alguns outros modelos de cuidado com a qualidade extrema.
Como instrumento evolutivo é muito forte, desafiador e transformador para aqueles que, como educandos, se submeter a lâmina afiada do Educador e Mestre.
Conviver com DeRose nestes anos todos, me demonstrou o porquê que tantos praticantes de Yôga, todos ocidentais, escolherem Mestres de Yôga já falecidos. É que não suportariam a provação de receber as inevitáveis admoestações de um Mestre vivo. E são estes sádhakas, tradicionalmente, os que falam sobre a tal “dissipação do ego”. Ego este que não têm a maturidade para metabolizar as repreensões e vislumbrar o amor por detrás destas.
Afinal de contas, só muito afeto e senso de missão faria uma pessoa aguentar reeducar pacientemente, e às vezes, sem paciência, tantos discípulos por mais de 50 anos!
E como aprendizes, temos que estar agradecidos por cada indicativo de aprimoramento. Este é o mais poderoso instrumento evolutivo de um discípulo. É o maior de todas as modalidades de prática. E precisamos estar alertas, pois como nunca paramos de nos aperfeiçoar e aprender, devemos nos preocupar quando, por algum motivo, o Mestre cessa de nos repreender. Provavelmente, desistiu de nós. Este é um momento terrível.
Para aqueles que não conhecem o Educador DeRose, é importante frisar que sempre primou pelo cuidado e cortesia na relação Mestre e discípulo. Este casamento, em verdade, é soberanamente lembrado, por todos nós, seus supervisionados, muito mais pelos momentos de cumplicidade, companherismo e boas risadas, do que pelas correções de hábitos e valores.
Além, disso, cada vez que temos a regalia de desfrutar de seus cursos, que hoje ministra por toda a América Latina e Europa, aprendemos tanto, recebemos tanto conhecimento que, inevitavelmente, reafirma-se no coração de cada acólito, a bênção de desfrutarmos da presença viva de um autêntico Mestre.
Etiquetas:ashtánga sádhana, condicionamentos, Dakshinacharatántrika, DeRose, egrégora, escolhas, evolução, felicidade, Índia, Jojó, Joris Marengo, lealdade, Mestre, Mestre DeRose, Método DeRose, viagens, Yôga, Yôga Antigo Na categoria Amor, Esporte, Filosofia, Música, Trabalho, Vida, Yôga, amigos | 11 Comentários »
Sábado, 1 de Maio, 2010
Yôga é domínio sobre a natureza.
Quando olhamos o sádhana, a prática diária, sobre este ângulo, algumas interessantes associações podem ser feitas.
Uma é de que dissolvemos para sempre, em nós, o rótulo utilitário, de benefícios, imposto pela mídia e a opinião pública.
Por exemplo, ao executar um ásana, procedimento orgânico, notadamente tão coligado à atividade física, flexibilidade etc, o sádhaka, praticante, faculta-se aplicar uma intenção à mentalização enquanto permane na posição, que a projeta para muito além do emprego do azul para sedar ou o laranja para tonificar, modelo ampla e unanimemente usado nas orientações do Instrutor em classe.
Antes de continuarmos, porém, cabe relembrar a ancestral frase utilizada por DeRose, nas primeiras edições do Prontuário de Yôga Antigo: “Yôga é 80% mental e 20% físico”. Ou seja, o ásana escapa efetiva e definitivamente da condição de exercício físico, quando utilizamos os modelos mentais, protótipos de saúde, longevidade, prosperidade, evolução etc. Antes disso, ousaríamos dizer que ainda não é ásana.
Continuando o raciocínio, note o leitor que o foco está na vontade e não especialmente nas construções de imagens, embora estas também possam mudar drasticamente, quando o sádhaka se debruça sobre a frase do início do texto.
Incorporado o conceito de que Yôga é domínio sobre a natureza, o praticante, ao assumir o ásana ou qualquer outra técnica do Nosso Método tais como pránáyáma, kriyá, pújá etc, estará sujeito a adotar uma atitude mental aonde a atenção está voltada em reconstruir o corpo, reeducar a emocionalidade e disciplinar os pensamentos, remodelando-se na direção de um arquétipo de perfeição evolutiva, incorporando qualidades, talentos e habilidades que o levem a uma espiral ascendente e continuada de sobrepujança sobre a sua genética, instintos, hábitos e crenças. Ou seja, uma intenção definitivamente afastada dos alvos utilitários.
As reflexões acima expostas, nos parecem uma visão pura de poder, de domínio e que afastam os sádhaka, de sua humanidade tão imperfeita. “O Yôga é um processo de desumanização, de desnaturação do ser humano” já alertava DeRose em seus cursos na década dos oitenta do século passado.
Esta atitude, de auto-superarão dos instintos, pode remodelar também a qualidade, a profundidade e potência das mentalizações, do chayttanya do discípulo. Na maioria dos casos, como desdobramento, a expectativa e a qualidade da vida do educando são dilatadas, a rede e a propriedade das relações interpessoais amplia-se, desembocando naturalmente em consolidação econômica, reconhecimento social e profissional.
Estes são apenas os sinais externos, recorrentes nos praticantes das modalidades de Yôga autênticos, entre os quais incluímos o Nosso Método. Refletem um câmbio, mudança nos registros humanos coletivos, mundanos, normais, atrelados biologicamente apenas a garantir sobre-vivência individual e perpetuação da espécie, e nos quais está submersa a maioria esmagadora da Humanidade. São substituídos por outros, edificados pela ética, civilidade, cidadania, cultura, hábitos alimentares e comportamentais mais sutis, forte reforço gregário, ou seja, os elementos que ensejam a Nossa Proposta Cultural.

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Sábado, 16 de Janeiro, 2010

Da Jamaica para o mundo
É só amor
É só amor
Yeah!
Por que deveriam as nossas
crianças brincar nas ruas,
Corações quebrados e sonhos dissipados
Paz e amor a todos que você encontrar
Não se preocupe, poderia ser tão doce
Apenas olhe para o arco-íris, você verá
O sol brilhará até a eternidade
Eu tenho tanto amor em meu coração
Ninguém pode acabar com isso
Yeah
Sinta a geração do amor
Sim, sim, sim
Sinta a geração do amor
Vamos, vamos, vamos, vamos, yeah
(Assobiando…..)
Seja a geração do amor
Sim, sim, sim
Seja a geração do amor
Ooohhh yeah-yeah
Não se preocupe com coisa alguma,
Vai ficar tudo bem
Não se preocupe com coisa alguma,
Vai ficar tudo bem
Não se preocupe com coisa alguma,
Vai ficar tudo bem
Vai ficar, vai, vai, vai ficar tudo bem
Por que devem nossas crianças brincar nas ruas?,
Corações quebrados e sonhos dissipados
Paz e amor a todos que você encontrar
Não se preocupe, poderia ser tão doce
Apenas olhe para o arco-íris, você verá
O sol brilhará até a eternidade
Eu tenho tanto amor em meu coração
Ninguém pode acabar com isso
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Quarta-feira, 1 de Julho, 2009
Levei 50 anos para ter um cachorro e quando escolhi, preferi que fosse uma YôgaDog já que passamos muito tempo na Unidade.
Somente quem já teve um cachorro para saber da inenarrável experiência de amor e companheirismo ilimitado que é conviver com um.
Bíja, a nossa Golden Retriever, é, além de linda, uma cachorrinha muito educada, silenciosa, muito alegre e que adora gente.
Em verdade, não sei se ela acha que é gente, mas tem certeza que todos os humanos são cachorros.
Quando os alunos chegam, Bíja os recebe com a cauda abanando e quando entram para praticar, aguardo-os, deitadinha na entrada da sala de aula.
Adora a sala de prática, mas jamais entra se não a convidarmos. Muitas vezes, permitimos que participe das aulas, e ele, educadamente, entra e senta-se ao fundo, silente.
Bíja ama passear e, como é muito disciplinada, não necessita de guia, mantendo-se sempre junto aos Instrutores.
Enfim, amamos a nossa Bíja, que nos faz mais felizes e alegres, com seus olhos expressivos e a cara de sorriso.
Que você viva muito tempo entre nós Bíja.
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Quarta-feira, 14 de Janeiro, 2009
Li apenas os três primeiros capítulos do livro Marley e Eu. Senti-me desconfortável com tanto amadorismo e incompetência do autor ao adquirir um cachorro. E como contrapeso, gostaria de compartilhar com você minha experiência diametralmente oposta.
Sempre quis adquirir um cão, mas imaginava, e com razão, que daria muito trabalho. A progênie Golden Retriever, um labrador peludo e gentil, sempre me atraiu, mas como está catalogado nas raças gigantes, meu foco direcionou-se, inicialmente, para outras, mais ajustáveis as dimensões de um apartamento.
Iniciei o projeto de adquirir um Canis familiaris escolhendo um nome que fosse pequeno, fácil de memorizar e representasse algo com que me identificasse. A denominação elegida foi Bíjá, termo sânscrito que significa semente, numa alusão aos sons-sementes dos chakras, centros de força que o Yôga Antigo trabalha com o intuito de alavancar a evolução humana. Mas também como uma referência a semente de carinho, amor e lealdade, característica da raça Golden Retriever.
Depois, iniciei uma pesquisa na internet, que oferece uma infinidade de sites, relacionando raças e características, além de sites de criadores, com o intuito de facilitar a escolha. A despeito da investigação na net, ainda estava em dúvida e consultei um adestrador, e minhas escolhas balançaram ainda mais.
Porém, logo depois, viajei para Portugal, a convite do meu querido amigo, Prof. António Pereira, presidente da Federação de Yôga do Sul de Portugal e conheci Shiva, um cãozinho de raça indefinida, muito simpático e comunicativo, propriedade dele e de sua esposa na época, Mariana. Encantei-me como ele era educado e disciplinado, fruto do trabalho de treinamento feito pela Mariana. E decido que Bíjá teria que ser assim.
Algum tempo depois, meus queridos amigos paulistanos, Fernanda Neis e DeRose, adquiriram uma linda fêmea Weimaraner, uma raça realmente gigante e hiperativa. O casal mora em apartamento, lugar inicialmente não indicado para uma cepa canina tão agitada. Mas graças a um trabalho genial de adestramento e dedicação dos dois, combinado com o de uma adestradora, Jaya é uma Weimaraner extremamente educada.
Era o exemplo que eu necessitava para buscar a Golden Retriever dos meus sonhos. Comecei por procurar alguém que trabalhasse com o adestramento por reforço positivo, e encontrei no treinador Ricardo Pinheiro Machado, um orientador sério e experiente. Comentei com ele sobre a minha escolha e então ele atentou para algumas atitudes que foram fundamentais na educação da Bíjá:
- Ler um livro sobre adestramento de cães. Estas obras, além de trazer uma série de exemplos de condicionamento canino, oferecem uma gama enorme de informações sobre o comportamento e visão que os cachorros tem dos donos, ajudando o proprietário a conhecer e entender melhor a conduta canídea.
- É fundamental visitar o canil, para conhecer a personalidade dos pais. Os filhotes serão sempre uma síntese das características genitoras. Os progenitores da Bíjá eram extremamente dóceis e a mãe, particularmente, era muito tranqüila, aumentando as chances dos filhotes também o serem;
- Definir o gênero é fundamental. No meu caso, optei por uma fêmea, por ser menos territorialista e mais fácil de adestrar;
- Solicitar estar presente na escolha do filhote da ninhada. No momento da eleição, descartar todos aqueles que correrem em sua direção, ou roubarem a comida dos demais. Estes serão líderes de matilha, e, portanto, mais difícil de adestrar;
- Deixar o filhote escolhido por, pelo menos, dois meses com a mãe, ao invés de 45 dias, como querem os criadores. Estes quinze dias a mais com a genetriz, ajudarão muito no adestramento. Mesmo que o criador exija que você pague pela ração e locação deste período, pague, pois valerá a pena;
- Castrar a fêmea antes da primeira menstruação. Além de tornar-se mais calma e tranqüila, a saúde da fêmea é preservada de doenças em seu aparelho reprodutor, pois são comuns tumores mamários e uterinos depois de gestar algumas ninhadas.
- Iniciar o adestramento aos 5 meses.
Segui a risca os valiosos conselhos do treinador e todos foram de muita utilidade na educação da Bíjá, em especial o método utilizado pelo Ricardo Machado, denominado adestramento inteligente, que se baseia no reforço positivo.
Além disso, outro aspecto fundamental foi que Ricardo não adestrou a Bíjá e sim aos instrutores da nossa Unidade de Yôga.
Duas vezes por semana, Ricardo nos visitava e passeávamos pela cidade, Bíjá, ele e os 5 instrutores, aprendendo e reforçando os condicionamentos. Este modelo de aprendizado permite que o dono possa, ele mesmo, treinar o cão, evitando que ele se descondicione e principalmente, sinalize para o animal quem é o líder da matilha.
Como passeio diariamente com a Bíjá, observo que a maioria dos donos são reféns de seus cães, levando-os a um comportamento questionador e indisciplinado, ao contrário da minha amada Golden Retriever, fruto de algumas boas horas de dedicação e treinamento.
Só para terem uma idéia, Bíjá passeia comigo sem guia, absolutamente obediente aos comandos e encantando a todos por sua docilidade e interatividade com outras pessoas e cães.
Para encerrar, uma observação importante para quem declara não gostar de cachorros: você só diz isso porque ainda não experimentou desfrutar do companheirismo, carinho, atenção e lealdade a toda prova que representam estes verdadeiros anjos peludos em nossas vidas.
Etiquetas:adestramento, Bíjá, cachorro, canis, cão, carinho, Golden Retriever, lealdade, Marley e Eu, treinamento Na categoria Amor | 2 Comentários »
Quarta-feira, 7 de Janeiro, 2009
Acredito que o metro quadrado mais bonito do mundo, no período de janeiro e fevereiro, fique em Floripa, no triângulo quase pubiano entre Praia Mole, Jurerê e Praia Brava.
Há alguns anos atrás, recebi em minha casa alguns amigos portugueses, originários da cidade do Porto. Assim que se hospedaram, foram direto para a Mole e simplesmente não conseguiam segurar os queixos, diante da absurda e quase ostensiva quantidade de corpos e caras absolutamente belos.
Mas a observação que quero compartilhar com você, na verdade me foi feita pelo querido amigo de longa data, o engenheiro Álvaro Sardinha.
Numa mesa de café, ele me chamou a atenção para um tipo muito especial de beleza, característico dos Estados catarinense e gaúcho.
Pessoas lindas, fruto de um PIB privilegiado, existe aos montes, como o Soho, em NY, Ibiza ou Sant Tropez. São caras, cabelos e corpos frutos de uma seleção econômica e de uma combinação genética apurada. Ou seja, uma beleza decorrente da exclusividade. Não vejo nenhum mal nisso. É, na verdade, uma formosa realidade.
Mas o que se contempla em Floripa, em qualquer dia de verão, na Rua Felipe Schmidt, atrás de qualquer balcão de loja, nas praias ou atendendo em algum restaurante é uma beleza democrática, tão ou mais apurada do que as encontradas nos nichos de exclusividade, porque se apresenta tão bela quanto, porém em estado quase bruto. São decorrentes das miscigenações características do Sul do Mundo, que inclui o português, italianos, alemães, com generosas pitadas do negro e do índio. A resultante, no verão, quando toda a juventude do sul do planeta aporta em Floripa, é uma combinação irresistível, em quantidade e qualidade, que arrastam levas de turistas a nossa ilha ávidos pelo belo.
Etiquetas:beleza, Florianópolis, Floripa, praia, verão Na categoria Amor | 1 Comentário »
Sexta-feira, 2 de Janeiro, 2009
Nenhuma pessoa preencherá mais do que 70% das suas expectativas relacionais.
E as mulheres devem baixar ainda mais seus níveis de exigência. Afinal, os homens não são compatíveis com DR (discutir a relação).
Portanto, se você achou alguém que atingiu estes patamares, pare de reclamar. Você era feliz e não sabia. E se você achou alguém que ultrapassou estes patamares, desculpe-me amigo(a), você está se iludindo. Mas viva esta fantasia enquanto durar.
Basicamente as relações são construídas quando o parceiro é:
1. muito bom de cama, seja lá o que represente isso para cada um de nós.
2. você e o outro tem muitas coisas em comum, tal como gostar de shopping, montanhismo ou xadrez.
3. o outro e você tem planos em comum, como montar uma oficina, construir um prédio, ou jogar na Sena toooda a semana.
Se o outro for só bom de cama ele será apenas um amante. Quando, exclusivamente tiverem coisas em comum, o outro será apenas amigo. Assim como, quando somente partilharem planos, o outro se tornará seu sócio. Porém, combine dois destes aspectos e você terá grande chance de construir uma relação chamada casamento!
Afinal, quantos casamentos você conhece, que duram anos, sem sexo, mas com muita cumplicidade e associação comercial. Ou relações duradouras, onde o casal transa muito, têm planos e vivem brigando. Ou ainda, casais com um sexo super encaixado, e que tem uma série de coisas em comuns, menos projetos de vida semelhantes.
Mas…mesmo que você encontre uma pessoa com quem estes três aspectos, nem por isso você está livre da insatisfação.
Em primeiro lugar por que o animal humano é isso mesmo: um insatisfeitos. Caviar todos o dias enjoa. Nada melhor do que variar de vez em quando. Mesmo que você me jure de pés juntos que jamais pensou em trair o seu companheiro (a) com o seu personal trainer, provavelmente é porque você não tem o hábito de lembrar dos seus sonhos, este lugar escuro e traiçoeiro, que destrói as reputações mais ilibadas. (ainda bem que ninguém pode acessá-los, a não ser o seu psicanalista, que em princípio não deve ter sexo).
Em segundo lugar, minha querida leitora, a diferença entre você e uma chimpanzé é de menos de 2%. Com uma fêmea de chimpanzé transa muito e com muitos parceiros, se você retirar este aparente verniz civilizatório, emergirá uma mulher em fogo, deliciosamente insaciável e infiel.
E por último, existe a maior subversora e inimiga das relações estáveis: a paixão. Contra ela não há razão ou combinação possível que resista. Afinal, quem já não se apaixonou por alguém que era péssimo na cama, sem nenhuma cumplicidade, e com que você jamais sequer vislumbrou planos em comum?
Avisos aos navegantes: esteja muito atento se o outro passou a régua na relação. Ele leva a sua libido, seu sorriso, seu assunto, o que lhe é de direito e muito mais. Mas já notou que é neste período de luto que aparecem pessoas realmente incríveis, que você desejaria estarem disponíveis quando você também estava? Então aproveite,
- E o amor? Ninguém ama antes de seis ou sete anos de relação. E como está provado cientificamente que absolutamente nenhuma paixão resiste ao terceiro ano, àquele só surgirá quando esta se for.
Alguém já disse que só se pode dizer que se ama alguém, quando você contempla o objeto do seu amor, aquela pessoa sensível, de formas perfeitas, encarnação de todos os seus sonhos, confortavelmente sentado no vaso sanitário a esvaziar-se de si mesmo, circundado por uma redoma de aroma indescritível, e ainda assim seu coração ser preenchido por este sentimento tão almejado e tão pouco experimentado: o amor. (Esta visualização é ótima também para nivelar celebridades e os humanos comuns).
Mas raramente damos tempo ao tempo para cultivá-lo. Em tempos virtuais como o nosso, cheio de estímulos e exigências, não nos deixam cultivar o amor. E logo, logo, estaremos enroscados em em mais um caso rumoroso de paixão ordinária e galopante.
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