
O maior de todos os sádhanas
é a convivência gregária.
Arquivo da Categoria ‘Vida’Frases do JojóSegunda-feira, 10 de Agosto, 2009
O maior de todos os sádhanas é a convivência gregária. O saddhu de Machu Picchu – 3ª parte: um trem para o infernoDomingo, 9 de Agosto, 2009De capital paulista rumamos para Baurú, cidade do interior de São Paulo, atrás de um trem que nos levasse a Corumbá, cidade fronteiriça com a Bolívia e de lá, embarcarmos no famoso trem da morte que nos levaria a Santa Cruz de La Sierra e depois para o Perú. Telminho e eu compramos um bilhete que nos dava direito a uma cabine que era bastante confortável para os padrões da época. Os mais de mil quilômetros que uniam uma cidade a outra, seriam percorridos pelo período de um dia e pouco, pois o trem parava em uma quantidade enorme de lugarejos de São Paulo e do Mato Grosso. O tempo passava devagar no interior do comboio. Alternávamos leitura, com conversa, e algumas horas de sono. A tarde aproximava-se do fim e estávamos na cabine em nossas camas individuais lendo, quando o meu amigo convidou-me a visitar o trem-restaurante, localizado alguns vagões a frente. Ao chegarmos, nos defrontamos com uma cena curiosa, que fazia-nos lembra dos velhos filmes de farwest: o trem-restaurante estava apinhado de verdadeiros cowboys mal encarados, com seus chapéus de boiadeiros, botas, revólver a cintura e a indefectível cachaça, que tomavam lenta mas continuamente. Tudo isto imerso em uma nuvem de cigarros de palha. Sentamo-nos em uma mesa afastada e Telmo dirigiu-se ao balcão para pedir uns sanduíches. Meu companheiro de aventuras era natural de Lages, SC, um pouco mais baixo do que eu, os olhos eram duas riscas desenhadas numa pele bem morena, parecendo um índio, o corpo forte pela prática do surf e Yôga, o cabelo castanho encaracolado e um andar tranqüilo. Gostava de uma boa conversa e tinha um jeito muito engraçado de contar histórias, fazendo todos rirem muito a sua volta. Quando estava voltando com a nossa comida, um dos boiadeiros, sentado com mais um amigo mal encarado, levantou a voz e ridicularizou o tamanho do cabelo de Telmo, que era grande para os padrões daquela região. - Isto não é cabelo de homem – disse ele e caiu na gargalhada, seguido pelo parceiro. Percebemos que já estavam bastante bêbados e preferimos evitar qualquer confronto, até porque os simpáticos amigos estavam armados. Mas a dupla continuou ridicularizando o meu pacato comparte até que este perdeu a paciência e levantou-se, dirigindo-se para a mesa onde os dois chatos estavam sentados. Senti-me na obrigação de acompanhar Telminho. Nisto a dupla também levantou das cadeiras e veio nossa direção. Enquanto um deles, o mais agressivo, discutia com Telmo o outro puxou do revóver, enfiou na minha cara e berrou: - Não te mete se não de mato, filho da p…! Congelei de imediato, parado em pé no meio do trem-restaurante, com os olhos pregados no revólver, sentindo o cheiro do metal da arma mesclado com cachaça que vinha do corpo do boiadeiro. Ele estava muito bêbado. Os olhos estavam semi fechados, mas a mão segurava firme a artilharia. Enquanto isso, meu comparsa e o outro bêbado estavam a ponto de se engalfinhar quando entrou no vagão a turma-do-deixa-disso, acompanhada de fiscais e seguranças da companhia férrea, que nos separaram Ainda sem respirar, puxei Telmo pelo braço enquanto ele lançava uma quantidade incontável de imprecações contra os bêbados, que retribuíam na mesma proporção, e o arrastei até nossa cabine, quando então pude me deitar em estado de choque. E lá ficamos, sem sair nem para fazer xixi até chegarmos a Corumbá. Quase que os saddhus de Machu Picchu morrem antes de chegar ao seu destino. Próximo capítulo: o famoso trem da morte. O saddhu de Machu Picchu – 2ª parte: a compra dos dólaresTerça-feira, 4 de Agosto, 2009Assim influenciados, meu amigo Telminho Arruda, já falecido e o Jojózinho, resolveram virar saddhus em Machu Picchu, no Perú, já que ir para a Índia, em 1976 era impossível para nós, devido a diferença do dólar. Porém, havia um empecilho: o maldito compulsório, uma verdadeira fortuna a ser paga para qualquer brasileiro que desejasse sair do país. Era condição sine qua nom para possuir-se um passaporte. Portanto, estava fora de nossos planos. Assim. Decidimos ir a Machu Picchu ilegalmente! (impressionante o que fazemos quando somos jovens). Então, em dezembro de 1976, partimos para São Paulo, na busca de dólares paralelos, considerados ilegais na época e do trem que nos levasse à Bolívia. Tínhamos um contato em um banco paulista para a compra dos dólares e chegando a terra da garoa, nos dirigimos a agencia bancária onde o fornecedor de dólares trabalhava. Imagine então a cena: em um país ainda muito conservador, dois jovens barbudos, com jeitão riponga entraram em um banco para realizar um ato ilegal para a época. Nossa aparência e nossa expressão temerosa chamavam muita atenção. O banco parou para nos olhar. Aproximamo-nos do balcão e, sussurrando, solicitamos a um funcionário a presença do nosso contato. O bancário nos olhou desconfiado e um tanto relutante chamou o nosso fornecedor que se aproximou também receoso. - Queríamos comprar 2000 dólares – solicitamos baixinho, cheios de culpa e constrangimento, sentindo-nos os maiores facínoras do mundo. - Dólares? – perguntou o nosso amigo, desmanchando a cara amarrada e sorrindo. – Espere um instante. Então se virou para o interior do banco e berrou: - Fulano, libera dois mil dólares aí! Telminho e eu sentimos os olhos de toooooodos os clientes presentes no interior da agencia com os olhos cravados em nós. Ficamos vermelhos de vergonha, sentindo-nos verdadeiros criminosos. Querendo sair daquele local o mais rápido possível, ainda tivemos que aguardar um bom tempo pelos dólares. Com o dinheiro no bolso, sem olhar para os lados, literalmente voamos do banco e tomamos a rua. Próximo capítulo: Um trem para o inferno Frases do JojóTerça-feira, 4 de Agosto, 2009
Enquanto a Humanidade espera que a sorte a agarre para mudar a sua vida, o SwáStha agarra a vida e muda a sua sorte. O saddhu de Machu Picchu (parte 1)Segunda-feira, 3 de Agosto, 2009Em maio de 1976 conheci o SwáSthya e me encantei imediatamente. Lembro-me que a imersão foi total e em poucos meses já sentia os resultados. De segunda a domingo, acordava às cinco da madrugada para realizar meu sádhana matinal que durava até as sete. De segunda a sexta, depois de praticar na Unidade, me dirigia ao trabalho, pois era servidor público federal e aproveitava para estudar os livros indicados na bibliografia da época. Quando saía do emprego, me deslocava até a Unidade para praticar ainda mais com a Profa. Dalva Arruda, minha iniciadora. Naquele período, todos fazíamos uma grande mistureba de egrégoras, além de ler de tudo, fosse sério ou pura alucinação. Estávamos nos anos setentas, que eram fortemente influenciados pela contracultura, o movimento hippie etc. Lembro-me de ter morado em duas comunidades hipongas, onde plantávamos, tomávamos banhos gelados todos os dias, todos praticavam Yôga, o amor era livre e, infelizmente, as drogas também. Ingenuamente, acreditava-se que drogas como o LSD poderiam conduzir o indivíduo à iluminação. Muitos amigos meus experimentaram estas substâncias e jamais voltaram, tornando-se pessoas isoladas, algumas suicidaram-se e outras ficaram esquizofrênicas. As imagens dos yogis ascetas, com sua proposta de desprendimento do corpo e dos bens materiais, vivendo em total foco na iluminação, serviam, equivocadamente, de arquétipo para milhares de Instrutores e praticantes de todas as modalidades, em todo o mundo, naquela década. Entre esses, estava eu. (continua amanhã) Saudades…Terça-feira, 21 de Julho, 2009Uma das maiores dádivas da existência é o tempo, que nos faz mais sábios à medida que passa através de nós. É gostoso imaginar-me imóvel e os eventos atravessam-me. E na medida em que transpassam meu corpo, vão gastando-o devagar, mas inexoravelmente, e por isso envelheço. O tempo só existe para quem morre. Para todos nós ele é finito. A consciência da inevitabilidade da morte é apavorante, mas também é um presente, alertando-nos para a importância da qualidade das nossas escolhas. Afinal as escolhas constroem o nosso destino. Tenho muitas lembranças, agora. Por isso tenho saudades. Assim, escolhi, já faz algum tempo, perdoar sempre. Não me permito mais preencher meu tempo, tão curto e precioso, com rancor. Só os Deuses podem guardar sentimentos assim, pois são eternos. Para nós, entes finitos, é mais inteligente escolher sentir amor e compaixão. Não de uma forma piegas ou santificada, mas humana, e talvez, canina. Rsrsrs Olho para a Bíja e desfruto de cada momento que estou com ela. Provavelmente morrerá antes de mim. É tão curta a vida de uma cachorrinha… Aproveitarei todo o tempo que nos resta para amá-la. Saudades tomam meu coração, hoje em dia, com mais freqüência do que eu gostaria. Não que a vida seja ruim. Em verdade, nunca esteve tão boa. É só que foram tantos os momentos lindos. Tanto amor. Tanto riso. Tantos amigos. E o bacana, é que sempre as lembranças trazem consigo uma trilha sonora, que fica na minha cabeça. É louco saber que estou me despedindo da vida, bem devagar. Talvez dure mais quarenta anos, mas ainda assim, cada dia, é um dia a menos. Um amigo me falou, uma vez, que viver é saltar de um precipício. Alguns se jogam, parecendo ansiosos de esborrachar-se no fundo do despenhadeiro. Outros resolvem fazer uma escalada descendente, fazendo muita força. E alguns, descem de pára-quedas, bem devagarzinho. A gente é quem escolhe. Um amor de cãoQuarta-feira, 1 de Julho, 2009
Somente quem já teve um cachorro para saber da inenarrável experiência de amor e companheirismo ilimitado que é conviver com um. Bíja, a nossa Golden Retriever, é, além de linda, uma cachorrinha muito educada, silenciosa, muito alegre e que adora gente. Em verdade, não sei se ela acha que é gente, mas tem certeza que todos os humanos são cachorros. Quando os alunos chegam, Bíja os recebe com a cauda abanando e quando entram para praticar, aguardo-os, deitadinha na entrada da sala de aula. Adora a sala de prática, mas jamais entra se não a convidarmos. Muitas vezes, permitimos que participe das aulas, e ele, educadamente, entra e senta-se ao fundo, silente. Bíja ama passear e, como é muito disciplinada, não necessita de guia, mantendo-se sempre junto aos Instrutores. Enfim, amamos a nossa Bíja, que nos faz mais felizes e alegres, com seus olhos expressivos e a cara de sorriso. Que você viva muito tempo entre nós Bíja. Um susto em FrankfurtTerça-feira, 23 de Junho, 2009Viajando pela Europa há alguns anos atrás, precisei aguardar uma conexão por 10 horas no aeroporto de Frankfurt, na Alemanha. Assim, resolvi dormir um pouco, pois era 1 da madrugada e só iria embarcar às 12 horas. Com minha bagagem de mão, procurei um lugar mais tranqüilo no aeroporto e encontrei um imenso banco, com mais de 100 metros de comprimento e absolutamente vazio. Coloquei um casaco como travesseiro e dormi profundamente. Não lembro quantas horas permaneci sonhando, mas fui acordado com pancadas na minha perna que faziam todo o meu corpo vibrar. Sonolento, abri os olhos e me deparei com uma cena assustadora: o imenso banco estava absolutamente tomado por passageiros em trânsito, educadamente sentados, e a minha frente, segurando uma criança em cada mão, estava postada uma enorme africana de 150 quilos e cara de pouquíssimos amigos. Envolvida em colorido tecido amarelo e vermelho e num alto turbante da mesma cor, que a tornavam uma aparição vinda do inferno, me aplicava curtos pontapés com a ponta do sapato, para acordar-me, enquanto emitia imprecações, em um dialeto incompreensível. Apavorado, dei um salto, ficando em pé e a gorda africada imediatamente ocupou o lugar, puxando suas crias para junto de si, com os olhos a dardejar indignação. A mim restou pegar a mala de bordo e sair para tomar um café, ainda com o coração aos pulos. Os axiomas do Mestre DeRoseQuinta-feira, 30 de Abril, 2009
Abaixo reproduzo os axiomas construídos pelo Mestre, decorrentes das coisas que aprendeu com a vida. Axioma, do latim axióma, é definido como premissa considerada necessariamente evidente e verdadeira, fundamento de uma demonstração. Tive contato com eles há alguns anos e comprovo diariamente, na prática, o quanto tem tornado minha vida mais fluida. E, quando não lembro-me de aplicá-los ou considero que determinada situação prescinde dos axiomas, inevitavelmente, sofro os desdobramentos equivocados das escolhas menos planejadas. Boa e atenta leitura. Estes axiomas são o fruto de muita experiência de vida. Eles foram elaborados pensando em você e para ajudá-lo a tornar sua vida mais fácil. Aceite-os como um presente. Reúna sua galera para desfrutá-los num grupo de debates ou de meditação. 1. Não acredite. 2. Dar segunda chance é dar uma segunda oportunidade para que a pessoa repita a mesma atitude. 3. Repassar sua incumbência a terceiros é uma forma quase infalível de a tarefa sair errada. 4. Deixar recado não funciona. 5. Fazer surpresa quase sempre resulta em desastre. 6. Tudo o que você disser chegará ao conhecimento da pessoa envolvida no comentário. 7. Nada é aquilo que parece ser. 8. Tudo é relativo. Axioma temporário: E-mail não funciona (a menos que você telefone perguntando se o destinatário conseguiu abrir e ler o arquivo). Axioma Número Zero (do Joris Marengo): O Mestre sempre tem razão. [Espero que o Joris tenha razão!] Uma história com o Mestre DeRoseQuinta-feira, 5 de Março, 2009
- Na Varig. Hoje, no Brasil, ele prioriza a TAM, mas a resposta continua valendo, pois permanece viajando sem parar, desde a década dos sessentas, ministrando ciclos de cursos, polarizando mentes e corações, alavancando evolução, autoconhecimento e uma profissão maravilhosa para milhares de pessoas em todo o mundo. É só olhar no site da Uni-Yôga a sua agenda e ficar impressionado com a energia que o homem tem para continuar viajando e semeando. DeRose é meu supervisor há mais de três décadas e sempre que posso, e muitas vezes, mesmo que não possa, priorizo participar de seus cursos. Além da oportunidade de viajar e conhecer novos lugares e pessoas, os cursos com DeRose sempre são uma ocasião única de desfrutar de um dos aspectos humanos que mais admiro e prezo, tanto por ser raro quanto instigante: uma inteligência exuberante, que construa uma linha de raciocínio totalmente lógica, amarrando cada ponto de vista com uma cascata de associações, de forma a surpreender-me e simultaneamente, humilhar-me pelo brilhantismo. Pois a história que quero contar, aconteceu há alguns anos, quando o Educador DeRose ministrava um ciclo de cursos em Curitiba. Era sábado, e após o curso, fui convidado, com mais alguns poucos instrutores, a compartilhar de um ótimo bate-papo com ele e sua esposa e fiel-escudeira, Fernanda Neis, no hotel onde estavam hospedados. Dirigimo-nos ao Bourbon Hotel, onde ele estava muito bem instalado na suíte presidencial, e deixamos a conversa fluir agradável e sem compromisso Em algum momento, lembrei-me e mencionei o fato de haver adquirido naquela manhã um CD que continha uma música que gostava muito. Esta era cantada pela inigualável Aretha Franklin. Sem mencionar o nome da cantora ou o nome da música, me dirigi à sala vizinha, onde havia deixado meu casaco e saquei do bolso a gravação para que pudéssemos partilhar. Quando adentrei ao quarto, o Mestre me olhou e falou: - I say a little prayer for you. Parei em pé, olhando para ele e perguntei-lhe: - Como você sabia o nome da música? E ele respondeu, sorrindo: - Mas estava acima da sua cabeça, escrita como se fosse um balão! E todos caímos na gargalhada. |
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