Entradas com Etiqueta ‘alimentação’
Sexta-feira, 7 de Maio, 2010
Lucila Silva, é Instrutora Docente, Diretora Executiva e coordenadora pedagógica estadual da Federação de Yôga de Santa Catarina e Vice-diretora da Unidade Kobrasol.
Tem mais de 16 anos de Método Derose e além de uma discípula fiel ao Sistematizador e amiga leal deste blogueiro, é autora de um livro, que todos aqueles que, na Nossa Cultura, têm o hábito de escrever, recorrem a ele diariamente: o Léxico de Yôga Antigo.
Com 900 verbetes e mais de 2000 significados, a obra é minha parceira permanente de computador e extremamente útil para quem escreve livros e artigos sobre a Nossa Proposta.
Obrigado, Lú, pela sua dedicação a nossa causa. Tenho muito orgulho de ser seu amigo.
Etiquetas:alimentação, ashtánga sádhana, condicionamentos, Dakshinacharatántrika, DeRose, egrégora, evolução, Índia, Jojó, Joris Marengo, Mestre DeRose, Niríshwarasámkhya, sádhana, samádhi, SwáSthya, Tantra, Uni-Yôga, Yôga Antigo Na categoria Filosofia, Trabalho, Yôga | 1 Comentário »
Sábado, 1 de Maio, 2010
Yôga é domínio sobre a natureza.
Quando olhamos o sádhana, a prática diária, sobre este ângulo, algumas interessantes associações podem ser feitas.
Uma é de que dissolvemos para sempre, em nós, o rótulo utilitário, de benefícios, imposto pela mídia e a opinião pública.
Por exemplo, ao executar um ásana, procedimento orgânico, notadamente tão coligado à atividade física, flexibilidade etc, o sádhaka, praticante, faculta-se aplicar uma intenção à mentalização enquanto permane na posição, que a projeta para muito além do emprego do azul para sedar ou o laranja para tonificar, modelo ampla e unanimemente usado nas orientações do Instrutor em classe.
Antes de continuarmos, porém, cabe relembrar a ancestral frase utilizada por DeRose, nas primeiras edições do Prontuário de Yôga Antigo: “Yôga é 80% mental e 20% físico”. Ou seja, o ásana escapa efetiva e definitivamente da condição de exercício físico, quando utilizamos os modelos mentais, protótipos de saúde, longevidade, prosperidade, evolução etc. Antes disso, ousaríamos dizer que ainda não é ásana.
Continuando o raciocínio, note o leitor que o foco está na vontade e não especialmente nas construções de imagens, embora estas também possam mudar drasticamente, quando o sádhaka se debruça sobre a frase do início do texto.
Incorporado o conceito de que Yôga é domínio sobre a natureza, o praticante, ao assumir o ásana ou qualquer outra técnica do Nosso Método tais como pránáyáma, kriyá, pújá etc, estará sujeito a adotar uma atitude mental aonde a atenção está voltada em reconstruir o corpo, reeducar a emocionalidade e disciplinar os pensamentos, remodelando-se na direção de um arquétipo de perfeição evolutiva, incorporando qualidades, talentos e habilidades que o levem a uma espiral ascendente e continuada de sobrepujança sobre a sua genética, instintos, hábitos e crenças. Ou seja, uma intenção definitivamente afastada dos alvos utilitários.
As reflexões acima expostas, nos parecem uma visão pura de poder, de domínio e que afastam os sádhaka, de sua humanidade tão imperfeita. “O Yôga é um processo de desumanização, de desnaturação do ser humano” já alertava DeRose em seus cursos na década dos oitenta do século passado.
Esta atitude, de auto-superarão dos instintos, pode remodelar também a qualidade, a profundidade e potência das mentalizações, do chayttanya do discípulo. Na maioria dos casos, como desdobramento, a expectativa e a qualidade da vida do educando são dilatadas, a rede e a propriedade das relações interpessoais amplia-se, desembocando naturalmente em consolidação econômica, reconhecimento social e profissional.
Estes são apenas os sinais externos, recorrentes nos praticantes das modalidades de Yôga autênticos, entre os quais incluímos o Nosso Método. Refletem um câmbio, mudança nos registros humanos coletivos, mundanos, normais, atrelados biologicamente apenas a garantir sobre-vivência individual e perpetuação da espécie, e nos quais está submersa a maioria esmagadora da Humanidade. São substituídos por outros, edificados pela ética, civilidade, cidadania, cultura, hábitos alimentares e comportamentais mais sutis, forte reforço gregário, ou seja, os elementos que ensejam a Nossa Proposta Cultural.

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Segunda-feira, 23 de Março, 2009
Em 1977, o Mestre DeRose havia comprado sua primeira sede, em São Paulo, no bairro do Brooklin. Era uma casa muito grande e bonita. Não só compartilhávamos dos inúmeros cursos na linda moradia do Mestre, como nos hospedávamos, jantávamos e almoçávamos, pois eram muitos quartos e uma grande cozinha.
Nesta época, éramos todos hippies, mas o Jojó era o mais hippie de todos, comendo muito arroz integral com gersal, cabeludo (acreditem, eu já tive cabelo!), e muito barbudo. E como todo hippie da época, era muito radical, descriminando todos que adotassem hábitos comportamentais diferentes dos meus, principalmente os alimentares.
Cheguei ao cúmulo de interceptar um desconhecido na rua, chamando-lhe a atenção sobre os malefícios da coca-cola que ele levava em uma das mãos.
Pois, em um determinado fim-de-semana, em São Paulo, estávamos na Unidade do Mestre, todos reunidos em um grande grupo, entre alunos e instrutores, acompanhando cursos e o Jojó fazia patrulhamento comportamental quanto às escolhas alimentares dos participantes.
O Mestre tudo assistia, sem nada comentar. Passamos o sábado entre estudos e práticas e no fim do dia, depois de todos tomarem banho e jantar, nos reunimos na sala de aula para jogar conversa fora. Além de muitos instrutores e alunos, estavam também presentes, o nosso querido Sistematizador e Betinha, a sua esposa na época.
Em algum momento do bate-papo, a conversa derivou para o soma, beberagem ritualista da tradição védica e cuja composição perdeu-se, utilizada há milênios, com o intuito de reproduzir artificialmente um estado semelhante ao samádhi. Ficamos algum tempo trocando idéias sobre o assunto, quando o nosso amigo, com aquele timbre de voz tão característico, alardeou:
- Eu descobri a fórmula do soma.
Todos os olhos dos presentes arregalaram-se, voltando-se fixamente na direção do Mestre.
- O soma, Mestre? Mesmo? – ouviu-se uma indagação entre os membros do grupo.
- Sim e pegarei um pouco para que provem – disse ele, levantando-se e dirigiu-se até o seu quarto.
Um silêncio absoluto tomou conta da sala. Todos estavam com a respiração em suspensão, imóveis e incrédulos. Afinal o procedimento de elaboração do soma estava perdido havia milênios. Será que estávamos diante de uma revelação?
Passados alguns minutos, nosso Mestre adentra a sala com um pequeno objeto, seguro solenemente entre os dedos das duas mãos. Todos os olhos estavam cravados no diminuto artifício que, logo identificamos como uma ânfora de ferro, envelhecida, como as encontradas em descobertas arqueológicas.
O momento era mágico. Afinal iríamos desfrutar de algo que centenas de gerações de buscadores em vão conseguiram encontrar. Sentíamo-nos privilegiadas. Realmente especiais.
E mais distinguido me senti, ao perceber que havia sido eleito para ser o primeiro a sorver do líquido sacralizado.
O Mestre estendeu seus braços em minha direção e, respeitosamente, projetando os meus, acolhi entre meus dedos a pequenina ânfora ancestral.
Todos me olhavam enquanto trazia o recipiente aos lábios. Quando as primeiras gotas invadiram minha boca, espalhando-se, fechei os olhos para melhor desfrutar. Era muito, muito bom, pois o soma alem de adocicado, estava gelado e produzia uma percepção palatável semelhante a presenças de gotas de ar minúsculas, que misturadas a beberagem, proporcionavam um efeito muito refrescante.
- Que delícia, Mestre. Nunca tomei nada igual – exclamei, entusiasmado.
Ele me olhou profundamente nos olhos e disse:
- É coca-cola, Joris – e deu uma enorme gargalhada, seguido por todos os presentes.
Fiquei em estado de choque por alguns instantes e então entendi. E me juntei aos demais na risada coletiva.
Morria ali um natureba chato.
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Terça-feira, 3 de Março, 2009
Eu só entendi o que era ser vegetariano após visitar a Índia pela primeira vez, em 1980.
O engraçado e trágico é que nada havia em comum com os restaurantes vegetarianos que até então havia freqüentado no Brasil. Tanto que depois da passagem pelo subcontinente indiano, jamais voltei a pisar em um restaurante natureba.
Estes, salvo excepcionalidades, são, na minha humilde opinião, uma ofensa ao paladar e explicam o porquê de milhões de não-vegetarianos relutarem tanto em adotar hábitos alimentares mais saudáveis.
Um bom exemplo é o tal de arroz integral, dito tão saudável, mas que jamais tive o desprazer de encontrar em nenhum dos mais de uma centena de restaurantes vegetarianos, de todas as estrelas que freqüentei nas minhas duas viagens à Índia.
Servidos em porções normalmente pequenas, a culinária indiana é uma celebração de cores, cheiros e sabores sem igual, em um redemoinho de sensações a cada refeição. Caracteriza-se pelo uso sofisticado e abundante de centenas de ervas e especiarias, transformando qualquer mera hortaliça, classificada quase pejorativamente como “salada” pelo Ocidente, em um suntuoso, peculiar, excitante e inigualável prato da cozinha indiana.
Considerada por alguns como a culinária mais diversificada do mundo, cada ramo da cozinha indiana é caracterizada pelo uma ampla gama de pratos e técnicas culinárias. Inclui entre tantos temperos o açafrão, ajowan, alcaravia, amchoor, aneto, aneto indiano, anis, anis-estrelado, assa-fétida, canela, canela cássia, cardamomo verde, cardamomo negro, cominho, coriandro, cravo-da-índia, cúrcuma, curry, fagara, feno-grego, funcho, gengibre, lima keffir, mostarda, nigela, noz-moscada, papoula, pimenta-de-rabo, pimenta e pimenta longa, pimenta-da-guiné, pimentos chiles, tamarindo, etc, o que convenhamos, permite transformar qualquer arroz, batata, laticínio etc. em um prato de sabor incomparável.
Agora, me cite um único restaurante vegetariano no Brasil e na maior parte do mundo que inclua estes condimentos regularmente na sua cozinha. Então, prefiro freqüentar as boas e honestas trattorias; as churrascarias finas, que oferecem uma quantidade imensa de opções para vegetarianos de deixar qualquer restaurante natureba no chinelo, e ainda servem com guardanapos de pano e ar condicionado; e as excelentes opções de pizzaria que encontramos em qualquer lugar do mundo.
Etiquetas:alimentação, alimentação biológica, condimentos, cozinha, culinária, especiarias, gastronomia, Índia, indiana, temperos, vegetariana, vegetarianismo Na categoria Vida | 4 Comentários »
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