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O blog do Jojó
Um espaço para compartilhar com amigos, alunos e curiosos sobre filosofia, vida, trabalho, amor, esporte e Yôga.
 

Entradas com Etiqueta ‘condicionamentos’

A Nova Humanidade: 1a parte – as crenças

Sexta-feira, 23 de Julho, 2010

crencas 2Há 210 milhões de anos os mamíferos viviam à sombra dos dinossauros. A presença agressiva destes grandes répteis dominava a cena evolutiva, não permitindo a eles desenvolverem-se, tanto em tamanho (ser pequeno era uma vantagem, pois diminuía a chance de ser visto por um Tiranossauro Rex) quanto na variação de espécies.

Por volta de 160 milhões de anos atrás, provavelmente uma catástrofe provocada por um asteróide ou um cometa extinguiram os dinossauros, dando a super classe mammalia, uma oportunidade evolutiva sem igual. E eles aproveitaram.

A partir daí, sem a presença ameaçadora dos grandes répteis, os mamíferos multiplicaram-se e mudaram progressivamente sua anatomia:

  • Há cerca de 150 milhões de anos atrás a sua caixa craniana se expandiu e desenvolveu a audição ofertando um diferencial competitivo em relação aos répteis, por exemplo, que ouvem muito mal;
  • Há 120 milhões de anos, os mammalias desenvolveram os dentes tribofênicos que lhes permitiram uma dieta mais variada e melhor assimilação, aumentando com isso a longevidade;
  • Por volta de 90 milhões de anos a cintura escapular permitiu movimentos mais amplos, aprimorando-lhes as habilidades de caça, luta e fuga;
  • 45 milhões de anos atrás as mãos e pés dos mamíferos tornaram-se preênseis, e seus olhos passaram a ver com cores, ampliando as habilidades em identificar e capturar formas novas de alimento;
  • Em torno de 5 milhões de anos, os primatas ficaram eretos. Isto fez uma enorme diferença, pois garantiram aos nossos antepassados maior campo de visão para identificar as presas e predadores, alargando a expectativa de vida;
  • Cerca de 3 milhões de anos, o gênero Homos, de onde descende a nossa espécie, o Homo sappiens, começou a utilizar as mãos estimulando áreas adormecidas do cérebro, gerando ferramentas para substituir sua falta de velocidade, reflexos e garras, enriquecendo seu cardápio e aumentando suas habilidades em conviver com alterações climáticas;
  • Por volta de 1 milhão de anos, os nossos antepassados já detinham a maior neocórtex proporcional ao peso entre todas as espécies, ampliando sua memória e raciocínio. Assim começaram a guardar e retransmitir uma quantidade enorme de informações às novas gerações, algo sem precedentes na história evolutiva das espécies;
  • 200 mil anos: uma hipertrofia da faringe desenvolveu a fala, mudando completamente a forma de treinamento dos antropóides para a sobrevivência. Enquanto todos os outros mamíferos só podiam fazê-lo através do gesto, o gênero Homo agregou a linguagem. Passamos a descrever também.

A nossa espécie, o Homo sapiens, surgiu há 130 mil anos. Se pensarmos no reinado dos grandes répteis, que foi de 200 milhões de anos, chega-se a conclusão que nossa espécie nasceu ontem e temos muito que evoluir. Também é espantoso avaliar, quando acompanhamos a evolução dos antropóides dos quais somos descendentes diretos, o quanto nosso cérebro cresceu. Em dois milhões de anos, passou de 500 c.c. para 1700 c.c. de volume craniano. Isto significa que a morfologia dos primatas teve de ajustar-se ao crescimento do crânio, tal a quantidades de estímulos e de associações que nossa espécie era capaz de realizar, aprendendo, memorizando, aprimorando e sofisticando novas habilidades, que a levaram, num período extremamente curto, das árvores ao topo da cadeia alimentar.

Hoje, todos os outros mamíferos, alguns morfologicamente muito mais bem preparados para atingir a condição de espécie dominante, nos temem. Podemos nos equiparar aos elefantes e as orcas: não temos mais predadores naturais.

Em 200 mil anos como espécie, saímos das árvores para o domínio da natureza, expandido a nossa espécie por todos os continentes, remodelando a matéria in natura em objetos que nos trouxeram conforto, facilidades, beleza e conhecimento, até o domínio do átomo.

Construímos a civilização e com ela, um jeito de viver totalmente diferente dos demais mamíferos. Em 20 mil anos de civilização mudamos muito. A vida em grupo tornou-se extraordinariamente complexa e multifacetada, exigindo do animal humano, novas aptidões interpessoais. O terceiro milênio caracteriza-se por mutabilidade. Valores, hábitos e crenças, que são a base estrutural da formação humana estão em constante mutação, exigindo do ser humano uma desenvoltura e flexibilidade comportamental jamais experimentada pelo Homo sapiens. A capacidade de adotar novos valores, novas visões da realidade, adaptando-se as mudanças, é um dos maiores diferenciais competitivos da nossa espécie. E isto se inicia por uma reflexão sobre principais mudanças que ocorreram no mundo nos últimos 5 mil anos.

Crenças

A maioria das nossas escolhas é ajustada pela visão que detemos do mundo, tanto subjetiva quanto objetivamente. Daí a importância de alargarmos até onde pudermos a nossa percepção e o conhecimento acumulado sobre as crenças.

Na Antiguidade, nossos antepassados, para auxiliá-los a explicar o mundo que os rodeava, atribuíam causas mágicas aos fenômenos da natureza tais como a gestação, as mudanças climáticas, o nascimento, a morte, e outros tantos fenômenos naturais. Criaram, a partir desta interpretação sobrenatural, uma série de relatos e histórias fantásticas, denominadas historicamente de pensamento mítico. Através do mito, os antigos conseguiam a coerção social e a moralização dos costumes, fundamental para a convivência grupal. A mitologia adquiriu na maioria das vezes uma conotação religiosa e norteou as principais civilizações antigas tais como a egípcia, grega, romana e germânica.

Na Idade Média, as crenças foram modeladas pelo pensamento religioso, uma hierarquização, sofisticação do pensamento mítico, tornando-o muito mais rígido e sistematizado, passando a constituir-se num conjunto de crenças, dogmas, símbolos e práticas que determinavam uma noção, uma construção imaginária de um mundo sobrenatural, com o qual os homens podiam estabelecer contato. O pensamento religioso teve como principal característica a sublimação do individualismo e da liberdade de iniciativa, reprimindo com isso a criatividade, a inovação tecnológica, artística e comercial.

O período moderno se caracterizou pelo pensamento iluminista, onde as pessoas buscavam novas crenças que lhes permitissem demonstrar todo seu potencial criativo e empreendedor. Foi a época dos descobrimentos, da revolução industrial, e principalmente da ciência. Na ciência, nossos antepassados procuravam as verdadeiras explicações para o mundo e a natureza humana. No entanto, a ciência guardava armadilhas muito semelhantes às do pensamento religioso, pois passou a tratar os assuntos de seu interesse também de forma dogmática. Ainda, seguindo os passos da religiosidade, a ciência acabou cerceando as liberdades e a individualidade humana aceitando apenas uma linha de raciocínio como a correta e excluindo todos os grupos ou povos que não a aceitassem como arauto da verdade de seus processos históricos. E continua ocorrendo até hoje.

A idade contemporânea aprofundou os contatos entre os diferentes povos e culturas do mundo e uma maior liberdade de crenças e pensamentos. Convivem atualmente o dogmatismo religioso superficial e profundo, o pensamento científico com suas certezas e garantias nem sempre comprovadas ou mesmo suficientes e as diferentes filosofias naturalistas e materialistas. A aceitação das divergências de pensamento e orientação é um importante avanço nas relações humanas, pois assim cada indivíduo pode encontrar as explicações das quais necessita e que são mesmo inerentes à espécie.

O terceiro milênio da era cristã nos mostra que ainda que alguns necessitem de pensamentos dogmáticos como a religião e a ciência, outros, no entanto, já se encontram preparados para conhecer filosofias de autoconhecimento e evolução pessoal. Definimos aqui filosofia pelo seu jargão platônico: a investigação da dimensão essencial e ontológica do mundo real, ultrapassando a mera opinião (crença) irrefletida do senso comum que se mantém cativa da realidade empírica e das aparências sensíveis.

Na nossa humilde opinião, o praticante do Método DeRose pode e deve investigar permanentemente a si e a realidade externa, sistemática e confortávelmente, identificando novas visões, substituindo paradigmas, recriando-se e assumindo o seu papel de liderança e de modelo transformador na história humana.

Para tanto, o integrante da Nossa Cultura conta com uma série de ferramentas valiosíssimas: os festivais do Método DeRose, que acontecem em vários estados e países; os cursos com o Educador DeRose e demais Mestres e Docentes da filosofia preconizada por nós; os livros de vários autores, que tratam da Nossa Proposta; os DVDs e CDs e finalmente as classes diárias do Nosso Sistema.

Nossa definição de Qualidade de Vida

Terça-feira, 20 de Julho, 2010

Abaixo reproduzimos um pequeno texto extraído doAX055467 pocket O que é o Método DeRose, escrito pelo Educador  DeRose, e que sintetiza 0 estilo de vida da Nossa Cultura. Em cada Unidade, no coração e mente de cada Instrutor e  aluno do Nosso Método, buscamos constantemente os padrões abaixo mencionados de qualidade de vida. E a cada dia,  aprimorando nossos hábitos, nos aproximamos cada vez mais deste ideal.

Qualidade de vida é tornar sua existência descomplicada, é fazer o que lhe dá prazer, com alegria, saúde e bem-estar.

Qualidade de vida é suprir as necessidades fisiológicas e ergonômicas, é adotarmos hábitos que promovam e mantenham a funcionalidade do corpo, do emocional e do mental, é o aprimoramento e desenvolvimento das nossas habilidades, através do trinômio: boa alimentação, boa forma e boa cabeça.

Qualidade de vida é relacionar-se de maneira descontraída, ética e responsável com o meio ambiente e o meio sócio-cultural, procurando compartilhar e interagir, agregando sempre generosidade, elegância, respeito e carinho às nossas relações humanas (sociais, profissionais, familiares, afetivas e outras), mediante a adoção de um conjunto de valores que incluem boa cultura, boa civilidade e boa educação.

Qualidade de vida é adotar uma visão de mundo que nos motive a buscar o desenvolvimento e o aprimoramento contínuo, conquistando a nossa excelência através do estudo, dos ideais e do autoconhecimento.

Qualidade de vida é manter um padrão de gastos dois degraus abaixo do que você ganhar. É residir próximo ao trabalho. É alimentar-se com frugalidade. É conseguir extrair satisfação de todas as coisas. É esbanjar o seu tempo dando atenção aos amigos e aos conhecidos. É dar flores à pessoa amada. É não se deixar abalar pelos percalços da vida. É amar com franqueza e perdoar com sinceridade.

Estes são os nossos valores.

As escolhas e o canteiro budista

Sábado, 17 de Julho, 2010

pegadas Conta a lenda, que em um mosteiro budista existia um canteiro de areia. Localizado no átrio  central, a superfície do canteiro era mantida impecavelmente lisa por um grupo de acólitos.  Portando rastilhos de bambu, com cerdas finas como fios de cabelo, estes se sentavam em torno  do grande tanque de pedra, atentos a qualquer alteração no nivelamento arenoso.

Seu trabalho era constante, pois além das alterações climáticas, o canteiro sofria diariamente  mudanças com um dos exercícios de meditação característico daquele mosteiro e diariamente exercitado pelos discípulos: cruzar lenta e concentradamente, descalços, o quadrado de areia.

Pelo menos uma vez por dia, cada monge fazia este trajeto. Caminhava contrito até a entrada do  canteiro com os olhos focados neste, respirava profundamente e depois pé ante pé, com o maior  cuidado, realizava a travessia. Chegando ao término de sua jornada, invariavelmente olhava  para trás, para as pegadas que marcavam a sua trajetória e com um suspiro de leve  desapontamento, voltava as costas para o grande tabuleiro e afastava-se para o interior do  mosteiro.

Todos repetiam a prática, ano após ano e década após década.

O objetivo da meditação era avaliar o quanto de poder detinha cada praticante sobre seus atos, palavras e pensamentos, de maneira a que não produzissem um único desdobramento kármico sequer. Este domínio sobre o karma era naturalmente transferido para o caminhar do acólito, permitindo-lhe atravessar o canteiro de areia sem deixar pegadas.

Assim são as nossas escolhas. Cada palavra proferida, pensamento emitido ou ação executada tem um poder imenso na construção do nosso futuro. Podemos mesmo dizer que nosso destino é construído e modificado diariamente, influenciado pela qualidade das nossas escolhas.

A necessidade de se criar divindades.

Quando comparamos a evolução do macaco humano com as de outros mamíferos, ficamos boquiabertos com a sua capacidade adaptativa, seja nas mudanças anatômicas quanto comportamentais que fez para atingir o topo da cadeia alimentar.

O homem-macaco desceu da segurança das árvores para a vida ameaçadora das planícies, estendeu a coluna, ampliou o cérebro, desenvolveu ferramentas, tornou-se caçador e construiu a cultura.

Segundo os zoólogos, para conseguir uma vantagem evolutiva, o Homo sapiens retardou a maturação cerebral, obrigando-se a permanecer para sempre com algumas características juvenis e mesmo infantis. Algumas delas foram a procura pelo risco, necessidades de explorar, criar e inventar coisas novas, aspectos bem pronunciados nas crianças quando brincam. Ao crescer, o mamífero humano, para alimentar sua sede de explorar e experimentar, criou aquilo que conhecemos como civilização.

Entre as suas invenções mais curiosas estão as divindades. Qual o motivo que o levou a construir uma realidade sobrenatural? E porque esta visão mítica se mantém, ainda nos dias de hoje, permeando a tecnologia, os negócios, as regras e leis, os valores morais, mesmo com o advindo da ciência? Poderemos um dia transcender esta visão, para uma realidade sem crenças?

Uma observação importante é conhecer a definição do verbete crer no dicionário: tomar por verdadeiro, ter por certo, ter confiança em (alguém ou algo); acreditar; formar idéia sem base real; imaginar, pensar, presumir. A palavra quase se antagoniza com outro verbo que é o saber, indicando que aquele que crê, em verdade não conhece, mas gostaria que o objeto de sua crença se transformasse em realidade.

O surgimento das crenças nos deuses surgiu, provavelmente, da necessidade que nossa espécie sentiu, desde sempre, de tentar entender o mundo fenomenal que o rodeava. No início, a tudo que nos cercava, que não compreendíamos, atribuíamos uma conotação mágica, fruto de uma imaginação sem limites, produto de nossa evolução cerebral, pois a ciência só surgiria milhares de anos depois para explicar os fenômenos naturais. A gestação, a morte, o nascimento, as mudanças climáticas, os acontecimentos cotidianos foram agregando um valor mítico, que comandava a vida dos antigos.

Porém, a continuidade das crenças em divindades, através de milhares de anos de história civilizatória, teria uma explicação mais utilitária: a garantia da estabilidade dos grupos sociais. A concepção de entidades imortais, atreladas à atributos de potência inimaginável, e que, portanto, com poderes sobre a vida de simples mortais, levaria o ser humano a uma única condição possível: a de resignar-se com o seu destino, sem questionar, aceitando aquilo que estas divindades escolhessem, e com isso diminuindo os riscos de revolta social.

Este sentimento de pequenez diante de forças invisíveis e indestrutíveis, gerou no homem um fatalismo, um determinismo existencial, um sentimento de destino inevitável, que perdura, inconscientemente até hoje, moldando magicamente, decisões diárias tomadas por bilhões de pessoas.

- O que está por trás desta visão distorcida do destino, que nos leva a entregramos nossas vidas nas mãos de potencias invisíveis, intangíveis e incertas?

Medo da responsabilidade.

A desconforto da responsabilidade de ter de escolher. Gostamos de culpar Deus, o diabo e a sorte, mas somos os únicos responsáveis pelas escolhas que fazemos.
Por isso, tanta gente, prefere ser liderado a liderar. Todos os líderes, desde a pré-história, sempre tiveram que conviver com o ônus de ser responsáveis pelas conseqüências das decisões que tomaram. Mas, no âmbito do indivíduo, cada um é líder de si mesmo.

Deste modo, precisa tomar resoluções cruciais diárias, que envolvem o seu futuro. O medo da responsabilidade está diretamente atrelado aos baixos patamares de consciência que se possui, da dificuldade de associar as centenas de variantes que tomam parte de qualquer eleição. Quanto maior a lucidez e experiência , mais ajustadas e acertadas serão as escolhas.

Medo da perda.

Escolher sempre significará abrir mão de algumas coisas por outras, e tememos selecionar errado, perdendo algum outro objeto, momento ou situação que seria o melhor para nós. Cada vez que elegemos alguma coisa que presumimos ser a melhor escolha, abrimos mão de uma série de outras tantas. Uma parte de nós, eternamente infantil, detesta perder e este sentimento pressiona nossa tomada de decisão. Uma das sensações que mais desagrada ao Homo cultus é o arrependimento, pois implicará no reconhecimento de sua incapacidade momentânea para ver com clareza uma determinada situação.

As conseqüências de nossas escolhas

Todas as vezes que escolhemos, trazemos à luz um grupo de possibilidades que de outro modo não existiria. O exemplo clássico é o genético: quem seria você, se seus pais não tivessem permitido a gravidez que deu nascimento a você? Ou se a sua mãe tivesse casado com um outro homem que não fosse seu pai? Nossa visão sobre como as escolhas combinam-se com a realidade é pequena, produzindo uma desconfortável ansiedade.

Visão distorcida de quem somos nós

A autopercepção, ou seja, a concepção que o indivíduo tem de si, é fruto de profundos e inconscientes valores, implantados através da educação. Educação é ajustar, condicionar a espécie, ativa e passivamente, às regras, normas e costumes de uma determinada época e lugar. Ela consecutivamente sacrifica todas nossas tendências, predisposições e talentos inatos em prol da integração do indivíduo ao meio social.

O lugar e época em que cada um de nós nasceu moldaram a maneira como entendemos o mundo e esta apreensão da realidade orientará continuamente as nossas escolhas, que constroem o nosso destino.

Esta impressão particular do mundo forma aparentemente o componente mais profundo daquilo que se chama o que somos, mas é apenas parte do que temos. Inconsciente, esta configuração não é fruto das nossas próprias escolhas, mas representa apenas aquilo que desejavam para nós as pessoas que estiveram presentes na nossa formação. Esta foi construída segundo os valores e entendimento particular e distorcido da realidade dos formadores.

A educação é sempre um processo de repressão da instintividade, como ferramenta de adaptação. No instinto, habitam energias muito poderosas e quase indomáveis. Por isso, no esforço de controlá-las, a educação acaba por produzir indivíduos ajustados, mas também temerosos, auto-restritivos, domesticados, onde, em nome da estabilidade do grupo, são sacrificados o impulso criativo, inovador e a curiosidade inata do homem-macaco.

Uma luz no fim do túnel das escolhas

Como vimos, quanto mais condicionado for o indivíduo, maior a sua submissão aos desmandos dos vásanás coletivos e pessoais, que modelam as suas escolhas e que constroem o destino daquela pessoa.

Daí a importância de se exercitar a lucidez, como propõe DeRose. A expansão da perceptibilidade capacita o indivíduo a identificar as possíveis e múltiplas conseqüências de suas ações, assim como um Mestre enxadrista consegue antever, muitos lances a frente, as inúmeras combinações das peças dispostas no tabuleiro, construindo defesas e infringindo ataques decisivos ao adversário.

Poderíamos comparar um praticante disciplinado do Método DeRose a um exímio enxadrista existencial, já que a reeducação comportamental proposta pela Nossa Cultura, através do exercício continuado de conceitos e técnicas, em última instância, ampliam a lucidez, o autoconhecimento.

Este indivíduo, através de técnicas como o samyama (meditação) e o yôganidrá (treinamento do sono consciente), por exemplo, exercita continuamente a atualização dos vásanas (condicionamentos) e samskára (as crenças e paradigmas), alavancando uma visão cada vez menos distorcida da realidade,  proporcionando-nos fazer escolhas mais inteligentes, integrativas, sociabilizadas e refinadas.

Obrigado, Lucila.

Sexta-feira, 7 de Maio, 2010

images Lucila Silva, é Instrutora Docente, Diretora Executiva e coordenadora pedagógica estadual da Federação  de Yôga de Santa Catarina e Vice-diretora da Unidade Kobrasol.

Tem mais de 16 anos de Método Derose e além de uma discípula fiel ao Sistematizador e amiga leal deste  blogueiro, é autora de um livro, que todos aqueles que, na Nossa Cultura, têm o hábito de escrever,  recorrem a ele diariamente: o Léxico de Yôga Antigo.

Com 900 verbetes e mais de 2000 significados, a obra é minha parceira permanente de computador e extremamente útil para quem escreve livros e artigos sobre a Nossa Proposta.

Obrigado, Lú, pela sua dedicação a nossa causa. Tenho muito orgulho de ser seu amigo.

Um trishúla vivo

Sábado, 1 de Maio, 2010

DeRose PXB 6

DeRose é a encarnação de um trishúla. Como seu discípulo há mais de trinta anos pude sentir na pele, enumeras vezes, a sua capacidade de motivar as pessoas a se superarem.
Tem entre tantas habilidades incomuns, uma capacitação surreal para identificar o erro. Quando se tem o privilégio de estar perto dele, observamos que, por onde passa, sinaliza a falha e sugere a melhoria, em um movimento contínuo pelo melhoramento, superação.
Sua abençoada insistência pelo qualidade máxima, resultou em um pull de produtos oferecidos pela Nossa Cultura que impressionam os que não estão acostumados: os nossos livros, por exemplo, além de uma diagramação e textos impecáveis, diferenciam-se pelo essência fixadora Carezza colocado na tinta de impressão, deixando-os suavemente perfumado. A nossa medalha com o ÔM, as capas dos nossos CDs, as embalagens do incenso Kali-Danda e do próprio Carezza são alguns outros modelos de cuidado com a qualidade extrema.
Como instrumento evolutivo é muito forte, desafiador e transformador para aqueles que, como educandos, se submeter a lâmina afiado do Educador e Mestre.
Conviver com DeRose nestes anos todos, me demonstrou o por quê que tantos praticantes de Yôga, todos ocidentais, escolhem Mestres de Yôga já falecidos. É que não suportariam a provação de receber as inevitáveis admoestações de um Mestre vivo. E são estes sádhakas, tradicionalmente, os que falam sobre a tal “dissipação do ego”. Ego este que não têm a maturidade para metabolizar as  repreensões e vislumbrar o amor por detrás destas.
Afinal de contas, só muito afeto e senso de missão faria uma pessoa agüentar reeducar pacientemente, e às vezes, sem paciência, tantos discípulos por mais de 50 anos!
E como aprendizes, temos que estar agradecidos por cada indicativo de aprimoramento. Este é o mais poderoso instrumento evolutivo de um discípulo. É o maior de todos as modalidades de prática. E precisamos estar alertas, pois como nunca paramos de nos aperfeiçoar e aprender, devemos nos preocupar quando, por algum motivo, o Mestre cessa de nos repreender. Provavelmente, desistiu de nós. Este é um momento terrível.
Para aqueles que não conhecem o Educador DeRose, é importante frisar que sempre primou pelo cuidado e cortesia na relação Mestre e discípulo. Este casamento, em verdade, é soberanamente lembrado, por todos nós, seus supervisionados, muito mais pelos momentos de cumplicidade, companheirismos e boas risadas, do que pelas correções de hábitos e valores.
Além, disso, cada vez que temos a regalia de desfrutar de seus cursos, que hoje ministra por toda a América Latina e Europa, aprendemos tanto, recebemos tanto conhecimento que, inevitavelmente, reafirma-se no coração de cada acólito, a bênção de desfrutarmos da presença viva de um autêntico Mestre de Yôga.

Para quem não sabe, trishúla alude a uma arma de guerra na forma de tridente,  utilizada na  Índia há milênios. Também refere a Shiva, o criador do Yôga, no seu  aspecto destruidor de  avidya, a ignorância da totalidade da nossa natureza.

DeRose é a encarnação de um trishúla. Como seu discípulo há mais de trinta anos pude  sentir  na pele, inúmeras vezes, a sua capacidade de motivar as pessoas a se superarem.

Tem entre tantas habilidades incomuns, uma capacitação surreal para identificar o erro.  Quando se tem o privilégio de estar perto dele, observamos que, por onde passa, sinaliza a falha e sugere a melhoria, em um movimento contínuo pelo melhoramento, superação.

Sua abençoada insistência pela qualidade máxima, resultou em um pull de produtos oferecidos pela Nossa Cultura que impressionam os que não estão acostumados: os nossos livros, por exemplo, além de uma diagramação e textos impecáveis, diferenciam-se pelo essência fixadora Kámala colocado na tinta de impressão, deixando-os suavemente perfumados. A nossa medalha com o ÔM, as capas dos nossos CDs, as embalagens do incenso Kali-Danda e do próprio Kámala são alguns outros modelos de cuidado com a qualidade extrema.

Como instrumento evolutivo é muito forte, desafiador e transformador para aqueles que, como educandos, se submeter a lâmina afiada do Educador e Mestre.

Conviver com DeRose nestes anos todos, me demonstrou o porquê que tantos praticantes de Yôga, todos ocidentais, escolherem Mestres de Yôga já falecidos. É que não suportariam a provação de receber as inevitáveis admoestações de um Mestre vivo. E são estes sádhakas, tradicionalmente, os que falam sobre a tal “dissipação do ego”. Ego este que não têm a maturidade para metabolizar as  repreensões e vislumbrar o amor por detrás destas.

Afinal de contas, só muito afeto e senso de missão faria uma pessoa aguentar reeducar pacientemente, e às vezes, sem paciência, tantos discípulos por mais de 50 anos!

E como aprendizes, temos que estar agradecidos por cada indicativo de aprimoramento. Este é o mais poderoso instrumento evolutivo de um discípulo. É o maior de todas as modalidades de prática. E precisamos estar alertas, pois como nunca paramos de nos aperfeiçoar e aprender, devemos nos preocupar quando, por algum motivo, o Mestre cessa de nos repreender. Provavelmente, desistiu de nós. Este é um momento terrível.

Para aqueles que não conhecem o Educador DeRose, é importante frisar que sempre primou pelo cuidado e cortesia na relação Mestre e discípulo. Este casamento, em verdade, é soberanamente lembrado, por todos nós, seus supervisionados, muito mais pelos momentos de cumplicidade, companherismo e boas risadas, do que pelas correções de hábitos e valores.

Além, disso, cada vez que temos a regalia de desfrutar de seus cursos, que hoje ministra por toda a América Latina e Europa, aprendemos tanto, recebemos tanto conhecimento que, inevitavelmente, reafirma-se no coração de cada acólito, a bênção de desfrutarmos da presença viva de um autêntico Mestre.

A natureza e o Yôga: a superação dos instintos.

Sábado, 1 de Maio, 2010

Yôga é domínio sobre a natureza.

Quando olhamos o sádhana, a prática diária, sobre este ângulo, algumas interessantes associações podem ser feitas.

Uma é de que dissolvemos para sempre, em nós, o rótulo utilitário, de benefícios, imposto pela mídia e a opinião pública.

Por exemplo, ao executar um ásana, procedimento orgânico, notadamente tão coligado à atividade física, flexibilidade etc, o sádhaka, praticante, faculta-se aplicar uma intenção à mentalização enquanto permane na posição, que a projeta para muito além do emprego do azul para sedar ou o laranja para tonificar, modelo ampla e unanimemente usado nas orientações do Instrutor em classe.

Antes de continuarmos, porém, cabe relembrar a ancestral frase utilizada por DeRose, nas primeiras edições do Prontuário de Yôga Antigo: “Yôga é 80%  mental e 20% físico”. Ou seja, o ásana escapa efetiva e definitivamente da condição de exercício físico, quando utilizamos os modelos mentais, protótipos de saúde, longevidade, prosperidade, evolução etc. Antes disso, ousaríamos dizer que ainda não é ásana.

Continuando o raciocínio, note o leitor que o foco está na vontade e não especialmente nas construções de imagens, embora estas também possam mudar drasticamente, quando o sádhaka se debruça sobre a frase do início do texto.

Incorporado o conceito de que Yôga é domínio sobre a natureza, o praticante, ao assumir o ásana ou qualquer outra técnica do Nosso Método tais como pránáyáma, kriyá, pújá etc, estará sujeito a adotar uma atitude mental aonde a atenção está voltada em reconstruir o corpo, reeducar a emocionalidade e disciplinar os pensamentos, remodelando-se na direção de um arquétipo de perfeição evolutiva, incorporando qualidades, talentos e habilidades que o levem a uma espiral ascendente e continuada de sobrepujança sobre a sua genética, instintos, hábitos e crenças. Ou seja, uma intenção definitivamente afastada dos alvos utilitários.

As reflexões acima expostas, nos parecem uma visão pura de poder, de domínio e que afastam os sádhaka, de sua humanidade tão imperfeita. “O Yôga é um processo de desumanização, de desnaturação do ser humano” já alertava DeRose em seus cursos na década dos oitenta do século passado.

Esta atitude, de auto-superarão dos instintos, pode remodelar também a qualidade, a profundidade e potência das mentalizações, do chayttanya do discípulo. Na maioria dos casos, como desdobramento, a expectativa e a qualidade da vida do educando são dilatadas, a rede e a propriedade das relações interpessoais amplia-se, desembocando naturalmente em consolidação econômica, reconhecimento social e profissional.

Estes são apenas os sinais externos, recorrentes nos praticantes das modalidades de Yôga autênticos, entre os quais incluímos o Nosso Método. Refletem um câmbio, mudança nos registros humanos coletivos, mundanos, normais, atrelados biologicamente apenas a garantir sobre-vivência individual e perpetuação da espécie, e nos quais está submersa a maioria esmagadora da Humanidade. São substituídos por outros, edificados pela ética, civilidade, cidadania, cultura, hábitos alimentares e comportamentais mais sutis, forte reforço gregário, ou seja, os elementos que ensejam a Nossa Proposta Cultural.

quadro sinoptico do Metodo DeRose cortado

Tantra & Condicionamentos – uma reflexão

Sexta-feira, 24 de Abril, 2009

yogi-pequeno1

O assunto condicionamentos é recorrente em nossas palestras e cursos, já que o tema parece fundamental para entendermos o Yôga como uma ferramenta de libertação.

- Mas que libertação é essa? – Exatamente deles, dos condicionamentos.

Pondero que a compreensão da:

1.      Importância e função dos condicionamentos na evolução das espécies, e

2.      Como eles modelam nossa visão da realidade, influenciando nossas escolhas que constroem o nosso karma, são essenciais para elaborarmos a maneira como lidaremos com o Yôga, tanto como prática e enquanto filosofia.

O samadhi, hiperconsciência ou iluminação é o fenômeno neurológico que possibilita contemplarmos a realidade sem o uso distorcido de lentes interpretativas, tais como as emoções, mente e intuição, mas como ela efetivamente se apresenta.

Todos os outros veículos acima são uma mera interpretação dos eventos e das formas animadas ou inanimadas a nossa volta, porque estão sob o domínio, a influência dos condicionamentos (vásanás), que manipulam nossos sentidos, criando, literalmente, uma visão pessoal, irreal do mundo.

Esta é, na nossa humilde opinião, uma forma de aprisionamento e o Yôga visa exatamente nos ajudar a deslocar-nos do condicionado para o incondicionado, a libertação final (môksha).

Acredito que para a maioria dos estudiosos e praticantes desta filosofia fóssil, este assunto é bastante familiar e não pretendemos aprofundá-lo.

Em realidade, queremos nos deter é no como executar, realizar este procedimento de libertação, e aí as modalidades de Yôga não são unânimes.

A maioria delas, por sofrer forte influência Vêdánta-Brahmáchárya, opta como método, pelo aniquilamento do ego através de técnicas ascéticas, restritivas dos sentidos, caracterizada pela negação do corpo e das sensações, consideradas como irreais, descartáveis, na busca da realidade última, denominada Átman.

Por ser repressivo, e, portanto, contrapondo-se a natureza das coisas, o sistema Vêdánta-Brahmáchárya coloca em risco com muita freqüência a sanidade dos praticantes, incorrendo em muitíssimos casos de suicídios e esquizofrenias, por exemplo, alem de deformações anatômicas permanentes.

Já a proposta Sámkhya-Tantra tem outra abordagem que pode ser muito bem exemplificada por um ditado tântrico que diz:

“Se ao chão cais (numa alusão a vida material, física, execrada pelos praticantes de Yôga brahmácháryas, por considerarem-na uma fonte de dispersão ou vrittis), é com o auxílio do chão que levantarás”. Ou seja, propõem uma práxis que não nega, entre tantas coisas, os condicionamentos, mas propõem substituí-los por outros, mais inteligentes, em uma espiral ascendente, que conduz o yôgin a incorporar escolhas mais sábias. Ocorre então, uma profunda, positiva, contínua e irreversível transformação karmica, até que os condicionamentos substituídos sejam tão sutis, refinados e transcendentes que produzem um espelhamento com o incondicionado (Púrusha) e o sádhaka alcança a libertação.

Esta proposta de substituição dos condicionamentos, em verdade, ouvi do Mestre DeRose há um par de anos, em um dos seus tantos cursos e registrei por considerá-la muito inteligente sobre vários aspectos, mas aquele que mais me atraiu foi o fato de levar em conta a condição humana, sem negá-la ou reprimi-la, mas exaltar as oportunidades de aprimoramento e evolução nela embutidas.

O habito faz o Homem – um texto sobre condicionamentos

Quinta-feira, 1 de Janeiro, 2009
Círculo vicioso do hábito

Círculo vicioso do hábito

Nos últimos anos tenho refletido bastante sobre a relação entre qualidade de vida e percepção do tempo. Minha busca por harmonizar estes dois vetores primordiais para uma vida com qualidade , desembocaram em muito estudo, pesquisa e finalmente um livro denominado: O Yôga Antigo e a Gestão do Tempo cujo trecho compartilho aqui e que fala sobre condicionamentos. Existe muita coisa escrita sobre o condicionamento que inclusive está na base do procura dos seres humanos pelo Yôga e da sua meta: o samádhi. Mas este é um assunto para outra postagem

Por que somos condicionados

Na natureza, todo condicionamento tem o intuito de manter o bom funcionamento biológico de cada indivíduo e de toda uma espécie, garantindo-lhe sobrevivência e reprodução.

Recebemos, no nascimento, um kit de condicionamentos genéticos inatos, que permitem a continuidade da vida para a maioria de bebês humanos. Depois, pais, irmãos, amigos e preceptores continuam os nossos processos para o condicionamento, denominado de educação.

A função dos condicionamentos é preditiva: serve para antecipar a resposta de prazer ou alertar sobre plausíveis perigos, ou seja, de garantir que continuemos vivos.

Eles serão sempre moldados pelo local, tempo e grupo cultural. Tem, entre outros empregos, garantir o ajustamento do indivíduo ao meio social, de forma que este lhe garanta segurança e proteção.

Um condicionamento novo é neurologicamente, um reflexo condicionado temporário e que, se considerado importante, será reproduzido tantas vezes quanto acharmos necessário, consciente ou inconscientemente. Tornar-se-á então um reflexo condicionado duradouro. A partir daí, poderemos voltar-nos para outros aprendizados, pois este já está inserido, transformando-se num hábito.

O hábito

Os hábitos, bons ou ruins, preenchem uma série inumerável de necessidades humanas, físicas e psíquicas, reais ou imaginárias, que integram a existência. Automatizados, regem o nosso cotidiano e deixam a vida mais fácil, possibilitando que possamos fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, como por exemplo, dirigir, ouvir rádio e ainda conversar.

A desvantagem do hábito é que uma vez assimilado, treinado, ele molda o nosso comportamento, ou seja, fazemos, pensamos, sentimos e cremos sempre do mesmo jeito. E resistimos conscientes, mas principal-mente inconscientemente, às mudanças.

A administração do tempo inclui o aprendizado de novos condicionamentos, alterando hábitos arraigados, que resistirão bravamente a serem substituídos por outros, mais inteligentes.

O círculo vicioso do hábito

Imaginemos uma situação na qual queremos emagrecer. E resolvemos que a melhor forma é a adoção de uma dieta alimentar de baixo consumo calórico combinada com atividade física moderada. Esta associação normalmente funciona muito bem para quem deseja perder peso. Consultamos um nutricionista e um fisiatra, que nos orientam sobre a adoção de novos hábitos alimentares e de exercitação física.

Como primatas inquietos e curiosos que somos, adoramos novidades. Por isso, os primeiros dias de dieta correm maravilhosamente bem. Sentimo-nos felizes e orgulhosos de nossa determinação, disciplina e os resultados já podem ser notados.

Porém, alguns dias depois, alguns velhos hábitos estabelecidos, sentindo-se ameaçados, encetam a manifestar-se. Para isso, utilizam-se de um artifí-cio sutil, discreto, mas poderoso: a exceção.

É quando condescendemos, e comemos uma pequena guloseima. Aliás, duas guloseimas, pois elas são umas delícias e são tão pequenas.

– Com certeza, não influenciarão na dieta. – nos enganamos. E depois, está muito calor e os amigos convidaram-me para um happy hour. – Segunda-feira eu volto a caminhar e fazer a dieta.

E assim, os antigos hábitos voltam a dominar a cena comportamental. Consciente, e mais ainda inconscientemente, todas as vezes que desistimos de uma resolução, como da adotação de novos hábitos que consideramos mais inteligentes, o resultado é uma grande frustração e, conseqüentemente, a redução da auto-estima.

Isto gera um círculo vicioso comportamental que reforça a estagnação, a resistência à mudança e a conservação dos hábitos arraigados.

Cultivar atos de poder

Como vimos, condicionar é sujeitar a vontade a um determinismo; sugestionar, convencer, persuadir (Dicion. Houaiss). A vida humana em grupo, embora seja uma vantagem evolutiva, submete, sistematicamente, a vontade às regras e normas. Esta dominação decisivamente diminui as chances do macaco-humano manter-se conectado com sua individualidade, minando nele o impulso criativo, a coragem mamífera inata, a curiosidade congênita e as suas habilidades comunicativas.

Portanto, não devemos nos surpreender ao nos depararmos com uma espécie com tanta baixa auto-estima como a nossa. De forma subliminar, é identificado na cultura humana um mecanismo inibidor para sabotar a superação dos limites.

O motivo é que esta sobrepujança aos condicionamentos representa potência e transcendência às regras e normas, sendo o indivíduo livre visto como uma possível ameaça à estabilidade individual e tribal dos membros de um determinado grupo social.

Aprender a mudar hábitos produz disciplina e resgata a vontade, conduzindo-nos a um novo degrau de comando sobre os condiciona-mentos, substituindo-os por novos, mais inteligentes, construindo uma espi-ral de gratificação, auto-estima e evolução comportamental. Gera potência.

O segredo é iniciar com mudanças de hábitos aparentemente insignifican-tes, como não deixar mais a cueca no chão, a calcinha pendurada na torneira do chuveiro ou sempre usar o cinto de segurança ao subir no carro.

Mas a diferença é que, uma vez que tenhamos assumido o compromisso de realizar esta pequena mudança comportamental, jamais reproduziremos o hábito antigo.

Algumas semanas depois, com as novas atitudes sedimentadas, substi-tuiremos alguns outros poucos comportamentos condicionados sem importância. E não repetiremos a antiga maneira de fazer aquelas coisas. Chamamos a esta nova maneira de realizar nossas tarefas de Atos de Poder.

Os efeitos dos atos de poder

Adotando progressivamente novos hábitos, em pouco tempo se descobrirá que o segredo de mudar um costume está em discipliná-lo. A disciplina produzirá eficácia para fazer qualquer mudança e quebrar condiciona-mentos repressivos, inibidores da criatividade e coragem, ampliando o espectro de oportunidades e escolhas evolutivas e inteligentes.

Um dos efeitos mais visíveis quando passamos a cultivar atos de poder, é o desabrochar da consciência de valor.

Valor é a plena consciência de nossas habilidades e talentos. Também é definido como a qualidade humana de natureza física, intelectual ou moral, que desperta admiração ou respeito; condição excepcional; talento, habilidade, maestria.

Adquirir esta consciência é conquistar conhecimento do que somos, e não apenas do que temos. Quanto mais nos conhecermos, mais valor outorgamos a cada momento da nossa vida. Tudo se torna uma experiência única de autoconhecimento, auto-superação, acordando todos os dias para novas habilidades até então desconhecidas dentro de nós.

O desdobramento desta percepção é uma elevada auto-estima e o início efetivo da gestão do tempo.

A gestão do tempo, por sua vez, desembocará na conquista de um bem muito precioso: o Banco de Tempo.

Você já percebeu que a grande maioria das pessoas alega que não cuida do corpo por absoluta falta de tempo? Pois com a administração do tempo criamos um espaço na nossa agenda de compromissos e tarefas para prestar atenção no nosso organismo, conquistando a tão almejada, falada e pouco cultivada qualidade de vida.

Desta forma, criamos um círculo virtuoso dos atos de poder, numa espiral ascendente de evolução, saúde, controle de stress, elevada auto-estima, percepção de valor e autoconhecimento.

 
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