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O blog do Jojó
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O saddhu de Machu Picchu – 2ª parte: a compra dos dólares

Terça-feira, 4 de Agosto, 2009

Assim influenciados, meu amigo Telminho Arruda, já falecido e o Jojózinho, resolveram virar saddhus em Machu Picchu, no Perú, já que ir para a Índia, em 1976 era impossível para nós, devido a diferença do dólar.

Porém, havia um empecilho: o maldito compulsório, uma verdadeira fortuna a ser paga para qualquer brasileiro que desejasse sair do país. Era condição sine qua nom para possuir-se um passaporte. Portanto, estava fora de nossos planos. Assim. Decidimos ir a Machu Picchu ilegalmente! (impressionante o que fazemos quando somos jovens).

Então, em dezembro de 1976, partimos para São Paulo, na busca de dólares paralelos, considerados ilegais na época e do trem que nos levasse à Bolívia. Tínhamos um contato em um banco paulista para a compra dos dólares e chegando a terra da garoa, nos dirigimos a agencia bancária onde o fornecedor de dólares trabalhava. Imagine então a cena: em um país ainda muito conservador, dois jovens barbudos, com jeitão riponga entraram em um banco para realizar um ato ilegal para a época. Nossa aparência e nossa expressão temerosa chamavam muita atenção. O banco parou para nos olhar. Aproximamo-nos do balcão e, sussurrando, solicitamos a um funcionário a presença do nosso contato. O bancário nos olhou desconfiado e um tanto relutante chamou o nosso fornecedor que se aproximou também receoso.

- Queríamos comprar 2000 dólares – solicitamos baixinho, cheios de culpa e constrangimento, sentindo-nos os maiores facínoras do mundo.

- Dólares? – perguntou o nosso amigo, desmanchando a cara amarrada e sorrindo. – Espere um instante.

Então se virou para o interior do banco e berrou:

- Fulano, libera dois mil dólares aí!

Telminho e eu sentimos os olhos de toooooodos os clientes presentes no interior da agencia com os olhos cravados em nós. Ficamos vermelhos de vergonha, sentindo-nos verdadeiros criminosos. Querendo sair daquele local o mais rápido possível, ainda tivemos que aguardar um bom tempo pelos dólares. Com o dinheiro no bolso, sem olhar para os lados, literalmente voamos do banco e tomamos a rua.

Próximo capítulo: Um trem para o inferno

 
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