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O blog do Jojó
Um espaço para compartilhar com amigos, alunos e curiosos sobre filosofia, vida, trabalho, amor, esporte e Yôga.
 

Entradas com Etiqueta ‘discípulo’

A importância de um Mestre Vivo.

Sexta-feira, 2 de Janeiro, 2009

derose_mestrevivoImagine um edifício em construção. Visualize centenas de encanadores, engenheiros, serventes, pedreiros, eletricistas levantando paredes, fazendo argamassa e deslocando tijolos em um verdadeiro formigueiro de ruídos, homens e cimento. No entanto, no meio da aparente confusão, um homem coordena, supervisiona e orienta, fazendo sentir o peso da sua larga experiência, contribuindo para reduzir custos, otimizar o tempo e evitar acidentes: o mestre-de-obras.

Homens como esse são na maioria analfabetos. No entanto, têm sua palavra inquestionada e são respeitados tanto por pedreiros quanto por arquitetos e engenheiros, tornando-se a mola-mestra, a referência no ambiente da edificação. Sem eles e seu conhecimento, a construção arrastar-se-ia indefinidamente, correndo o risco de não ser concluída.

Esses são os mesmos pressupostos de respeito e consideração para com um mestre-cuca, mestre-de-capoeira ou um mestre-de-armas.

A Índia sempre reconheceu três categorias do título de Mestre: aquele que o conquistou por valor acadêmico, por experiência ou ainda por revelação.

O especialista em Yôga se inclui nesta última classe. Há milênios representa, na cultura indiana, o ápice da pirâmide social, para além do sistema de castas. É considerado autoridade máxima, indiscutível na sua área de conhecimento, assim como os Mestres de sânscrito, dança, música, sitar etc.

Os Mestres, na prática do Yôga, representam a orientação autêntica e segura, evitando que o discípulo retarde sua evolução ou se acidente ao adestrar-se nas técnicas ancestrais.

O termo sânscrito para essa titulação é guru, compreendido como aquele que desvenda as trevas, representadas como avidyá, a ignorância, o desconhecimento da verdadeira natureza.Não existe Yôga sem um Supervisor vivo. Ele é o grande elemento motivador para o educando. A confiança gerada pela relação entre Mestre e discípulo, muitas vezes, é mais forte do que entre um pai e seu filho, tais as experiências mutuamente gratificantes de transformação e evolução que ela proporciona ao segundo.

A proximidade com um orientador vivo é um experimento extraordinário. A História do Yôga é repleta de relatos de discípulos descrevendo sobre os poderosos trânsitos de conhecimento e poder provenientes da convivência física com seus Mestres. Isso jamais seria possível se um praticante adotasse um método de Yôga cujo preceptor já faleceu.

Ainda, incluam-se os ensinamentos não-formais, frutos da experiência de vida do Orientador e que não se encontram em livro algum. Talvez, esse seja o mais precioso dos conhecimentos, só acessível àquele educando que se permitiu aceitar plenamente seu Supervisor. Ao acolhê-lo em seu coração, esse conhecimento de vida único pode ser apreendido e aplicado imediatamente na maneira de viver e ser do aluno.

DeRose constitui-se em um dos raros casos da História do Yôga, em que um não-indiano é reconhecido como um Mestre de Yôga autêntico.

Nascido brasileiro, desde a infância demonstrou ser uma criança distinta, que via o mundo de uma maneira singular. Predestinado, ainda adolescente, recebeu por revelação o SwáSthya, o Yôga Antigo. Iniciava-se assim sua trajetória pela sistematização do método que havia intuído.

Através da prática, iluminou-se aos 16 anos, fato descrito em sua autobiografia Quando é preciso ser forte (DeRose – Ed. Nobel).

Autor de uma obra literária respeitada, com mais de 20 livros escritos sobre a sistematização do Dakshinacharatántrika-Niríswarasámkhya Yôga e milhares de supervisionados espalhados pelas Américas, Europa, Ásia e Oceania, ele é o grande inspirador deste blog..

 
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