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Terça-feira, 21 de Julho, 2009
Uma das maiores dádivas da existência é o tempo, que nos faz mais sábios à medida que passa através de nós. É gostoso imaginar-me imóvel e os eventos atravessam-me. E na medida em que transpassam meu corpo, vão gastando-o devagar, mas inexoravelmente, e por isso envelheço.
O tempo só existe para quem morre. Para todos nós ele é finito. A consciência da inevitabilidade da morte é apavorante, mas também é um presente, alertando-nos para a importância da qualidade das nossas escolhas.
Afinal as escolhas constroem o nosso destino.
Tenho muitas lembranças, agora. Por isso tenho saudades. Assim, escolhi, já faz algum tempo, perdoar sempre. Não me permito mais preencher meu tempo, tão curto e precioso, com rancor. Só os Deuses podem guardar sentimentos assim, pois são eternos. Para nós, entes finitos, é mais inteligente escolher sentir amor e compaixão. Não de uma forma piegas ou santificada, mas humana, e talvez, canina. Rsrsrs
Olho para a Bíja e desfruto de cada momento que estou com ela. Provavelmente morrerá antes de mim. É tão curta a vida de uma cachorrinha… Aproveitarei todo o tempo que nos resta para amá-la.
Saudades tomam meu coração, hoje em dia, com mais freqüência do que eu gostaria. Não que a vida seja ruim. Em verdade, nunca esteve tão boa. É só que foram tantos os momentos lindos. Tanto amor. Tanto riso. Tantos amigos. E o bacana, é que sempre as lembranças trazem consigo uma trilha sonora, que fica na minha cabeça.
É louco saber que estou me despedindo da vida, bem devagar. Talvez dure mais quarenta anos, mas ainda assim, cada dia, é um dia a menos.
Um amigo me falou, uma vez, que viver é saltar de um precipício. Alguns se jogam, parecendo ansiosos de esborrachar-se no fundo do despenhadeiro. Outros resolvem fazer uma escalada descendente, fazendo muita força. E alguns, descem de pára-quedas, bem devagarzinho.
A gente é quem escolhe.
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Sexta-feira, 2 de Janeiro, 2009
John Donne foi um poeta ingles, conhecido
como “o poeta do amor e da morte”.
Entre tantos poemas deliciosos, compartilho este, que teve parte musicado por
Caetano Veloso.
Elegia
Indo para o leito
Vem, Dama, que eu desafio a paz,
Até que eu lute, em luta o corpo jaz.
Como o inimigo diante do inimigo,
Canso-me de esperar se nunca brigo.
Solta esse cinto sideral que vela,
Céu cintilante, uma área ainda mais bela.
Desata esse corpete constelado,
Feito para deter o olhar ousado.
Entrega-te ao torpor que se derrama
De ti a mim, dizendo: hora da cama.
Tira o espartilho, quero descoberto
O que ele guarda, quieto, tão de perto.
O corpo que de tuas saias sai
É um campo em flor quando a sombra se esvai.
Arranca essa grinalda armada e deixa
Que cresça o diadema da madeixa.
Tira os sapatos e entra sem receio
Nesse templo de amor que é nosso leito.
Os anjos mostram-se num branco véu aos homens.
Tu, meu Anjo, é como o Céu
De Maomé. E se no branco têm contigo
Semelhança os espíritos, distingo:
O que o meu Anjo branco põe não é
O cabelo mas sim a carne em pé.
Deixa que a minha mão errante adentre
Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre.
Minha América! Minha terra à vista,
Reino de paz, se um homem só a conquista,
Minha Mina preciosa, meu Império!
Feliz de quem penetre o teu mistério!
Liberto-me ficando teu escravo;
Onde cai minha mão, meu selo gravo.
Nudez total! Todo prazer provém
De um corpo (como a alma sem corpo)
Sem vestes. As jóias que mulher ostenta
São como bolas de ouro de Atlanta:
Os olhos do tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita.
De um corpo (como a alma sem corpo)
Sem vestes. As jóias que mulher ostenta
São como bolas de ouro de Atlanta:
Os olhos do tolo que uma gema inflama
Ilude-se com ela e perde a dama.
Como encadernação vistosa, feita
Para iletrados, a mulher se enfeita;
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns (a qual tal graça se consente)
É dado lê-la. Eu sou um que sabe;
Como se diante da parteira, abre-Te:
Atira, sim, o linho branco fora,
Nem penitência nem decência agora.
Para ensinar-te eu me desnudo antes:
A coberta de um homem te é bastante
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Sexta-feira, 2 de Janeiro, 2009
Segue um texto que apresento seguidamente em minhas palestras. Fala sobre a Morte, do nosso medo de morrer e de como desperdiçamos a nossa vida. É um ótimo elixir para tomarmos diariamente e percebermos o valor de cada momento. Boa leitura.
Quando temos 20 anos nos sentimos imortais. 40 anos parecem-nos uma eternidade.
- Há tanto por viver até lá? pensamos.
Um dia, você acorda e tem os tais 40 anos. E se dá conta que, num dia qualquer da sua vida, você morrerá. Sim. Você descobre que é mortal. A partir daí, quando homens e mulheres de cabelos brancos passam por você, a pergunta é inevitável:
- Estarei como este ao chegar aos 70 anos? Chegarei aos 90 como aquele outro?
Então, todos os dias a Morte vem lhe espionar. Avaliá-lo. Saber se é hora de levá-lo. Você poderá escolher tomar consciência da sua presença ou não. A maioria de nós faz a segunda opção, ignorando-a. É compreensível: é assustador sentir a presença silenciosa da Morte. Melhor fazer de conta que ela não está aqui. A outra escolha é recebê-la como uma amiga que diariamente lhe traz um presente: um aviso.
- Acorde, ser vivente! Preste atenção em cada momento. Torne-o uma experiência intensa, porque é único. Não ouse desperdiçar seu tempo com tristeza, luto ou o Faustão. Não permita que o entardecer dos seus domingos torne-se melancólico. Mas se for inevitável, transforme-o em autoconhecimento, auto-estudo e auto-aprendizado.
Você não tem tempo para lamuriar-se com o passado. Você não pode fazer nada com ele. Escolha ser potente e realizador agora. O agora é um ótimo tempo para mudar tudo na sua vida, para sempre. Mude todos os dias.?
E a Morte continua:
Reconheça-se como um ser vivo único. A partir de agora, tudo que você sente, pensa, diz e faz é importante. Converta suas ações em atos de poder. E lembre-se: você não tem mais
tempo para transformar seus atos amanhã, porque o amanhã pode nunca chegar. Atribua-se o merecido valor, ente vivo, porque somente aqueles que crêem nada valerem desperdiçam o seu tempo.
Tempo este que, no fim da sua vida, será sempre meu.
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