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O blog do Jojó
Um espaço para compartilhar com amigos, alunos e curiosos sobre filosofia, vida, trabalho, amor, esporte e Yôga.
 

Entradas com Etiqueta ‘samádhi’

A Nova Humanidade: 1a parte – as crenças

Sexta-feira, 23 de Julho, 2010

crencas 2Há 210 milhões de anos os mamíferos viviam à sombra dos dinossauros. A presença agressiva destes grandes répteis dominava a cena evolutiva, não permitindo a eles desenvolverem-se, tanto em tamanho (ser pequeno era uma vantagem, pois diminuía a chance de ser visto por um Tiranossauro Rex) quanto na variação de espécies.

Por volta de 160 milhões de anos atrás, provavelmente uma catástrofe provocada por um asteróide ou um cometa extinguiram os dinossauros, dando a super classe mammalia, uma oportunidade evolutiva sem igual. E eles aproveitaram.

A partir daí, sem a presença ameaçadora dos grandes répteis, os mamíferos multiplicaram-se e mudaram progressivamente sua anatomia:

  • Há cerca de 150 milhões de anos atrás a sua caixa craniana se expandiu e desenvolveu a audição ofertando um diferencial competitivo em relação aos répteis, por exemplo, que ouvem muito mal;
  • Há 120 milhões de anos, os mammalias desenvolveram os dentes tribofênicos que lhes permitiram uma dieta mais variada e melhor assimilação, aumentando com isso a longevidade;
  • Por volta de 90 milhões de anos a cintura escapular permitiu movimentos mais amplos, aprimorando-lhes as habilidades de caça, luta e fuga;
  • 45 milhões de anos atrás as mãos e pés dos mamíferos tornaram-se preênseis, e seus olhos passaram a ver com cores, ampliando as habilidades em identificar e capturar formas novas de alimento;
  • Em torno de 5 milhões de anos, os primatas ficaram eretos. Isto fez uma enorme diferença, pois garantiram aos nossos antepassados maior campo de visão para identificar as presas e predadores, alargando a expectativa de vida;
  • Cerca de 3 milhões de anos, o gênero Homos, de onde descende a nossa espécie, o Homo sappiens, começou a utilizar as mãos estimulando áreas adormecidas do cérebro, gerando ferramentas para substituir sua falta de velocidade, reflexos e garras, enriquecendo seu cardápio e aumentando suas habilidades em conviver com alterações climáticas;
  • Por volta de 1 milhão de anos, os nossos antepassados já detinham a maior neocórtex proporcional ao peso entre todas as espécies, ampliando sua memória e raciocínio. Assim começaram a guardar e retransmitir uma quantidade enorme de informações às novas gerações, algo sem precedentes na história evolutiva das espécies;
  • 200 mil anos: uma hipertrofia da faringe desenvolveu a fala, mudando completamente a forma de treinamento dos antropóides para a sobrevivência. Enquanto todos os outros mamíferos só podiam fazê-lo através do gesto, o gênero Homo agregou a linguagem. Passamos a descrever também.

A nossa espécie, o Homo sapiens, surgiu há 130 mil anos. Se pensarmos no reinado dos grandes répteis, que foi de 200 milhões de anos, chega-se a conclusão que nossa espécie nasceu ontem e temos muito que evoluir. Também é espantoso avaliar, quando acompanhamos a evolução dos antropóides dos quais somos descendentes diretos, o quanto nosso cérebro cresceu. Em dois milhões de anos, passou de 500 c.c. para 1700 c.c. de volume craniano. Isto significa que a morfologia dos primatas teve de ajustar-se ao crescimento do crânio, tal a quantidades de estímulos e de associações que nossa espécie era capaz de realizar, aprendendo, memorizando, aprimorando e sofisticando novas habilidades, que a levaram, num período extremamente curto, das árvores ao topo da cadeia alimentar.

Hoje, todos os outros mamíferos, alguns morfologicamente muito mais bem preparados para atingir a condição de espécie dominante, nos temem. Podemos nos equiparar aos elefantes e as orcas: não temos mais predadores naturais.

Em 200 mil anos como espécie, saímos das árvores para o domínio da natureza, expandido a nossa espécie por todos os continentes, remodelando a matéria in natura em objetos que nos trouxeram conforto, facilidades, beleza e conhecimento, até o domínio do átomo.

Construímos a civilização e com ela, um jeito de viver totalmente diferente dos demais mamíferos. Em 20 mil anos de civilização mudamos muito. A vida em grupo tornou-se extraordinariamente complexa e multifacetada, exigindo do animal humano, novas aptidões interpessoais. O terceiro milênio caracteriza-se por mutabilidade. Valores, hábitos e crenças, que são a base estrutural da formação humana estão em constante mutação, exigindo do ser humano uma desenvoltura e flexibilidade comportamental jamais experimentada pelo Homo sapiens. A capacidade de adotar novos valores, novas visões da realidade, adaptando-se as mudanças, é um dos maiores diferenciais competitivos da nossa espécie. E isto se inicia por uma reflexão sobre principais mudanças que ocorreram no mundo nos últimos 5 mil anos.

Crenças

A maioria das nossas escolhas é ajustada pela visão que detemos do mundo, tanto subjetiva quanto objetivamente. Daí a importância de alargarmos até onde pudermos a nossa percepção e o conhecimento acumulado sobre as crenças.

Na Antiguidade, nossos antepassados, para auxiliá-los a explicar o mundo que os rodeava, atribuíam causas mágicas aos fenômenos da natureza tais como a gestação, as mudanças climáticas, o nascimento, a morte, e outros tantos fenômenos naturais. Criaram, a partir desta interpretação sobrenatural, uma série de relatos e histórias fantásticas, denominadas historicamente de pensamento mítico. Através do mito, os antigos conseguiam a coerção social e a moralização dos costumes, fundamental para a convivência grupal. A mitologia adquiriu na maioria das vezes uma conotação religiosa e norteou as principais civilizações antigas tais como a egípcia, grega, romana e germânica.

Na Idade Média, as crenças foram modeladas pelo pensamento religioso, uma hierarquização, sofisticação do pensamento mítico, tornando-o muito mais rígido e sistematizado, passando a constituir-se num conjunto de crenças, dogmas, símbolos e práticas que determinavam uma noção, uma construção imaginária de um mundo sobrenatural, com o qual os homens podiam estabelecer contato. O pensamento religioso teve como principal característica a sublimação do individualismo e da liberdade de iniciativa, reprimindo com isso a criatividade, a inovação tecnológica, artística e comercial.

O período moderno se caracterizou pelo pensamento iluminista, onde as pessoas buscavam novas crenças que lhes permitissem demonstrar todo seu potencial criativo e empreendedor. Foi a época dos descobrimentos, da revolução industrial, e principalmente da ciência. Na ciência, nossos antepassados procuravam as verdadeiras explicações para o mundo e a natureza humana. No entanto, a ciência guardava armadilhas muito semelhantes às do pensamento religioso, pois passou a tratar os assuntos de seu interesse também de forma dogmática. Ainda, seguindo os passos da religiosidade, a ciência acabou cerceando as liberdades e a individualidade humana aceitando apenas uma linha de raciocínio como a correta e excluindo todos os grupos ou povos que não a aceitassem como arauto da verdade de seus processos históricos. E continua ocorrendo até hoje.

A idade contemporânea aprofundou os contatos entre os diferentes povos e culturas do mundo e uma maior liberdade de crenças e pensamentos. Convivem atualmente o dogmatismo religioso superficial e profundo, o pensamento científico com suas certezas e garantias nem sempre comprovadas ou mesmo suficientes e as diferentes filosofias naturalistas e materialistas. A aceitação das divergências de pensamento e orientação é um importante avanço nas relações humanas, pois assim cada indivíduo pode encontrar as explicações das quais necessita e que são mesmo inerentes à espécie.

O terceiro milênio da era cristã nos mostra que ainda que alguns necessitem de pensamentos dogmáticos como a religião e a ciência, outros, no entanto, já se encontram preparados para conhecer filosofias de autoconhecimento e evolução pessoal. Definimos aqui filosofia pelo seu jargão platônico: a investigação da dimensão essencial e ontológica do mundo real, ultrapassando a mera opinião (crença) irrefletida do senso comum que se mantém cativa da realidade empírica e das aparências sensíveis.

Na nossa humilde opinião, o praticante do Método DeRose pode e deve investigar permanentemente a si e a realidade externa, sistemática e confortávelmente, identificando novas visões, substituindo paradigmas, recriando-se e assumindo o seu papel de liderança e de modelo transformador na história humana.

Para tanto, o integrante da Nossa Cultura conta com uma série de ferramentas valiosíssimas: os festivais do Método DeRose, que acontecem em vários estados e países; os cursos com o Educador DeRose e demais Mestres e Docentes da filosofia preconizada por nós; os livros de vários autores, que tratam da Nossa Proposta; os DVDs e CDs e finalmente as classes diárias do Nosso Sistema.

Nossa definição de Qualidade de Vida

Terça-feira, 20 de Julho, 2010

Abaixo reproduzimos um pequeno texto extraído doAX055467 pocket O que é o Método DeRose, escrito pelo Educador  DeRose, e que sintetiza 0 estilo de vida da Nossa Cultura. Em cada Unidade, no coração e mente de cada Instrutor e  aluno do Nosso Método, buscamos constantemente os padrões abaixo mencionados de qualidade de vida. E a cada dia,  aprimorando nossos hábitos, nos aproximamos cada vez mais deste ideal.

Qualidade de vida é tornar sua existência descomplicada, é fazer o que lhe dá prazer, com alegria, saúde e bem-estar.

Qualidade de vida é suprir as necessidades fisiológicas e ergonômicas, é adotarmos hábitos que promovam e mantenham a funcionalidade do corpo, do emocional e do mental, é o aprimoramento e desenvolvimento das nossas habilidades, através do trinômio: boa alimentação, boa forma e boa cabeça.

Qualidade de vida é relacionar-se de maneira descontraída, ética e responsável com o meio ambiente e o meio sócio-cultural, procurando compartilhar e interagir, agregando sempre generosidade, elegância, respeito e carinho às nossas relações humanas (sociais, profissionais, familiares, afetivas e outras), mediante a adoção de um conjunto de valores que incluem boa cultura, boa civilidade e boa educação.

Qualidade de vida é adotar uma visão de mundo que nos motive a buscar o desenvolvimento e o aprimoramento contínuo, conquistando a nossa excelência através do estudo, dos ideais e do autoconhecimento.

Qualidade de vida é manter um padrão de gastos dois degraus abaixo do que você ganhar. É residir próximo ao trabalho. É alimentar-se com frugalidade. É conseguir extrair satisfação de todas as coisas. É esbanjar o seu tempo dando atenção aos amigos e aos conhecidos. É dar flores à pessoa amada. É não se deixar abalar pelos percalços da vida. É amar com franqueza e perdoar com sinceridade.

Estes são os nossos valores.

Obrigado, Lucila.

Sexta-feira, 7 de Maio, 2010

images Lucila Silva, é Instrutora Docente, Diretora Executiva e coordenadora pedagógica estadual da Federação  de Yôga de Santa Catarina e Vice-diretora da Unidade Kobrasol.

Tem mais de 16 anos de Método Derose e além de uma discípula fiel ao Sistematizador e amiga leal deste  blogueiro, é autora de um livro, que todos aqueles que, na Nossa Cultura, têm o hábito de escrever,  recorrem a ele diariamente: o Léxico de Yôga Antigo.

Com 900 verbetes e mais de 2000 significados, a obra é minha parceira permanente de computador e extremamente útil para quem escreve livros e artigos sobre a Nossa Proposta.

Obrigado, Lú, pela sua dedicação a nossa causa. Tenho muito orgulho de ser seu amigo.

Tantra & Condicionamentos – uma reflexão

Sexta-feira, 24 de Abril, 2009

yogi-pequeno1

O assunto condicionamentos é recorrente em nossas palestras e cursos, já que o tema parece fundamental para entendermos o Yôga como uma ferramenta de libertação.

- Mas que libertação é essa? – Exatamente deles, dos condicionamentos.

Pondero que a compreensão da:

1.      Importância e função dos condicionamentos na evolução das espécies, e

2.      Como eles modelam nossa visão da realidade, influenciando nossas escolhas que constroem o nosso karma, são essenciais para elaborarmos a maneira como lidaremos com o Yôga, tanto como prática e enquanto filosofia.

O samadhi, hiperconsciência ou iluminação é o fenômeno neurológico que possibilita contemplarmos a realidade sem o uso distorcido de lentes interpretativas, tais como as emoções, mente e intuição, mas como ela efetivamente se apresenta.

Todos os outros veículos acima são uma mera interpretação dos eventos e das formas animadas ou inanimadas a nossa volta, porque estão sob o domínio, a influência dos condicionamentos (vásanás), que manipulam nossos sentidos, criando, literalmente, uma visão pessoal, irreal do mundo.

Esta é, na nossa humilde opinião, uma forma de aprisionamento e o Yôga visa exatamente nos ajudar a deslocar-nos do condicionado para o incondicionado, a libertação final (môksha).

Acredito que para a maioria dos estudiosos e praticantes desta filosofia fóssil, este assunto é bastante familiar e não pretendemos aprofundá-lo.

Em realidade, queremos nos deter é no como executar, realizar este procedimento de libertação, e aí as modalidades de Yôga não são unânimes.

A maioria delas, por sofrer forte influência Vêdánta-Brahmáchárya, opta como método, pelo aniquilamento do ego através de técnicas ascéticas, restritivas dos sentidos, caracterizada pela negação do corpo e das sensações, consideradas como irreais, descartáveis, na busca da realidade última, denominada Átman.

Por ser repressivo, e, portanto, contrapondo-se a natureza das coisas, o sistema Vêdánta-Brahmáchárya coloca em risco com muita freqüência a sanidade dos praticantes, incorrendo em muitíssimos casos de suicídios e esquizofrenias, por exemplo, alem de deformações anatômicas permanentes.

Já a proposta Sámkhya-Tantra tem outra abordagem que pode ser muito bem exemplificada por um ditado tântrico que diz:

“Se ao chão cais (numa alusão a vida material, física, execrada pelos praticantes de Yôga brahmácháryas, por considerarem-na uma fonte de dispersão ou vrittis), é com o auxílio do chão que levantarás”. Ou seja, propõem uma práxis que não nega, entre tantas coisas, os condicionamentos, mas propõem substituí-los por outros, mais inteligentes, em uma espiral ascendente, que conduz o yôgin a incorporar escolhas mais sábias. Ocorre então, uma profunda, positiva, contínua e irreversível transformação karmica, até que os condicionamentos substituídos sejam tão sutis, refinados e transcendentes que produzem um espelhamento com o incondicionado (Púrusha) e o sádhaka alcança a libertação.

Esta proposta de substituição dos condicionamentos, em verdade, ouvi do Mestre DeRose há um par de anos, em um dos seus tantos cursos e registrei por considerá-la muito inteligente sobre vários aspectos, mas aquele que mais me atraiu foi o fato de levar em conta a condição humana, sem negá-la ou reprimi-la, mas exaltar as oportunidades de aprimoramento e evolução nela embutidas.

O Ego e o SwáSthya Yôga

Sexta-feira, 24 de Abril, 2009

andaluz1Muito se fala sobre uma tal dissolução do ego para atingir-se o samádhi. Muitas escolas mencionam isto e contrapõe-se ao ponto de vista da nossa linhagem.

Existe um texto muito esclarecedor escrito pelo  Mestre sobre isso e repasso para que leia com  atenção.

As modalidades de Yôga que se tornaram mais conhecidas nos últimos séculos eram do tronco medieval (Vêdánta-Brahmáchárya). Uma característica dessa linhagem é o esforço para aniquilar o ego. Isso confunde muito os praticantes (e até instrutores) do tronco Pré-Clássico (Sámkhya-Tantra), pois esse conceito está bastante difundido na Índia de hoje e na literatura que proveio de lá. Como estudiosos que são, nossos adeptos travam contato, de alguma maneira, com a bibliografia que prega a aniquilação do ego e mesclam-na inadvertidamente com a proposta do SwáSthya Yôga. Então, vamos esclarecer o estudante sobre como a nossa linhagem interpreta isso.

Quando alguém nos desagrada, a atitude mais primária é querer livrar-nos da pessoa, ao invés de administrar o relacionamento e torná-lo produtivo. Quando um animal é indomável, a solução primitiva é castrá-lo. Assim fazem os Vêdánta-Brahmácháryas com o ego.

Nossa estirpe, 4.000 anos mais antiga, tem outra opinião. Nós entendemos que o ego é uma ferramenta importante do ente humano. Não queremos acabar com o ego, ao contrário, nosso método de trabalho atua no sentido de reforçar o ego para poder utilizar sua colossal força de realização.

Sem ego não há criatividade, combatividade, arte ou beleza. E mais: a maioria dos que declaram que o ego é isto, que o ego é aquilo, são hipócritas porque manifestam muito mais ego que os outros; frustrados por não conseguir eliminá-lo; ou mal intencionados por utilizar esse argumento para manipular seus seguidores.

Anular o ego seria como castrar um animal de montaria e depois utilizá-lo, caminhando cabisbaixo, sem libido. Trabalhar o ego equivale a domar e montar um cavalo andaluz inteiro, fogoso, orgulhoso, com sua cabeça erguida e suas passadas viris. Você é o Púrusha, sua montaria é o ego. Você prefere montar um pangaré derrotado ou um elegante garanhão?

Castrar o ego seria fácil demais. Domá-lo, isso sim é uma empreitada que requer coragem e muita disciplina. Eliminar o ego corresponde à covardia e fuga perante o perigo. Adestrá-lo denota coragem e disposição para a luta.

O SwáSthya Yôga, nome moderno do Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga, quer que você não seja castrado. O SwáSthya reforça sua libido e o seu ego. Em seguida, canaliza essa força resultante para fins construtivos. Ter ego não é o problema. Tê-lo deseducado, selvagem, incivilizado, criador de casos e de conflitos com as outras pessoas, esse é o grande inconveniente. Basta não nos esquecermos de que devemos mandar nele e não o contrário.

Portanto, no lugar de envidar esforços para destruir, vamos investir em algo construtivo. Nada de destruir o ego. Vamos cultivá-lo, com disciplina e a noção realista de que precisamos dele para a nossa realização pessoal, profissional e evolutiva.

Já está na hora de sabermos converter energias negativas em positivas, como no quadro abaixo:

Positivo
(utilize:)

Negativo
(no lugar de:)

amor

paixão

zelo

ciúme

erotismo

luxúria

raiva

ódio

orgulho

vaidade

ambição

cobiça

admiração

inveja

precaução

medo

agressividade

violência

sinceridade

franqueza (crudeza)

prosperidade

opulência

diplomacia

hipocrisia

liberdade

anarquia

disciplina

repressão

sugestão

crítica

colaboração

reclamação

Sim, a coluna da esquerda apresenta alguns sentimentos que nossa cultura judaico-cristã considera depreciativamente. Contudo, a raiva constrói. A agressividade educada conduz à vitória. Dessa forma, eliminando o ego, o erotismo, a raiva, o orgulho, a ambição, a agressividade, todos os tratores do sucesso são igualmente eliminados.

 

Uma lição de Mestre

Segunda-feira, 23 de Março, 2009

derose2 Em 1977, o Mestre DeRose havia comprado sua  primeira sede, em São Paulo, no bairro do Brooklin.  Era uma casa muito grande e bonita. Não só  compartilhávamos dos inúmeros cursos na linda  moradia do Mestre, como nos hospedávamos,  jantávamos e almoçávamos, pois eram muitos  quartos e uma grande cozinha.

Nesta época, éramos todos hippies, mas o Jojó era o mais hippie de todos, comendo muito arroz integral com gersal, cabeludo (acreditem, eu já tive cabelo!), e muito barbudo. E como todo hippie da época, era muito radical, descriminando todos que adotassem hábitos comportamentais diferentes dos meus, principalmente os alimentares.

Cheguei ao cúmulo de interceptar um desconhecido na rua, chamando-lhe a atenção sobre os malefícios da coca-cola que ele levava em uma das mãos.

Pois, em um determinado fim-de-semana, em São Paulo, estávamos na Unidade do Mestre, todos reunidos em um grande grupo, entre alunos e instrutores, acompanhando cursos e o Jojó fazia patrulhamento comportamental quanto às escolhas alimentares dos participantes.

O Mestre tudo assistia, sem nada comentar. Passamos o sábado entre estudos e práticas e no fim do dia, depois de todos tomarem banho e jantar, nos reunimos na sala de aula para jogar conversa fora. Além de muitos instrutores e alunos, estavam também presentes, o nosso querido Sistematizador e Betinha, a sua esposa na época.

Em algum momento do bate-papo, a conversa derivou para o soma, beberagem ritualista da tradição védica e cuja composição perdeu-se, utilizada há milênios, com o intuito de reproduzir artificialmente um estado semelhante ao samádhi. Ficamos algum tempo trocando idéias sobre o assunto, quando o nosso amigo, com aquele timbre de voz tão característico, alardeou:

- Eu descobri a fórmula do soma.

Todos os olhos dos presentes arregalaram-se, voltando-se fixamente na direção do Mestre.

- O soma, Mestre? Mesmo? – ouviu-se uma indagação entre os membros do grupo.

- Sim e pegarei um pouco para que provem – disse ele, levantando-se e dirigiu-se até o seu quarto.

Um silêncio absoluto tomou conta da sala. Todos estavam com a respiração em suspensão, imóveis e incrédulos. Afinal o procedimento de elaboração do soma estava perdido havia milênios. Será que estávamos diante de uma revelação?

Passados alguns minutos, nosso Mestre adentra a sala com um pequeno objeto, seguro solenemente entre os dedos das duas mãos. Todos os olhos estavam cravados no diminuto artifício que, logo identificamos como uma ânfora de ferro, envelhecida, como as encontradas em descobertas arqueológicas.

O momento era mágico. Afinal iríamos desfrutar de algo que centenas de gerações de buscadores em vão conseguiram encontrar. Sentíamo-nos privilegiadas. Realmente especiais.

E mais distinguido me senti, ao perceber que havia sido eleito para ser o primeiro a sorver do líquido sacralizado.

O Mestre estendeu seus braços em minha direção e, respeitosamente, projetando os meus, acolhi entre meus dedos a pequenina ânfora ancestral.

Todos me olhavam enquanto trazia o recipiente aos lábios. Quando as primeiras gotas invadiram minha boca, espalhando-se, fechei os olhos para melhor desfrutar. Era muito, muito bom, pois o soma alem de adocicado, estava gelado e produzia uma percepção palatável semelhante a presenças de gotas de ar minúsculas, que misturadas a beberagem, proporcionavam um efeito muito refrescante.

- Que delícia, Mestre. Nunca tomei nada igual – exclamei, entusiasmado.

Ele me olhou profundamente nos olhos e disse:

- É coca-cola, Joris – e deu uma enorme gargalhada, seguido por todos os presentes.

Fiquei em estado de choque por alguns instantes e então entendi. E me juntei aos demais na risada coletiva.

Morria ali um natureba chato.

UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA

Sexta-feira, 23 de Janeiro, 2009

foto-mestre-e-jaya“Yôga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi”.

De todas as definições de Yôga, esta sempre me pareceu a mais coerente. E representa muito bem a integridade de quem a escreveu.

Ao lê-la, temos a sensação de abrangência, de que qualquer sistema, independentemente dos seus seguidores, possa ser reconhecido como Yôga, desde que seja técnico e reproduza a experiência da hiperconsciência.

E tem, também, o sentido de nos acenar com uma proposta não doutrinária. Se ela é estritamente prática, independe de fé ou de crença. O Yôga não é um prêmio por bom comportamento, mas é, unicamente, uma questão de foro íntimo.

É como aprender a andar de bicicleta. Nós não necessitamos de fé para aprender a andar de bicicleta, nem precisamos questioná-la sobre sua moral, seu comportamento ou quantos são seus créditos no céu. É só subir nela…e cair. E levantar-se e tentar, tentar, até sair andando. Ou seja, todos temos direito a andar de bicicleta. Como ao Yôga!

Mas a frase também tem a coragem de separar os charlatões, os falsos iluminados e os mestres de vigarice, daqueles que, efetivamente, realizaram em si o Yôga, porque coloca em cheque as definições utilitárias, comerciais, superficiais, enganadoras ou intangíveis, oferecidas pelos impostores.

A frase em questão também tem a característica de não vender benefícios. Atrairá um perfil de praticante que não é manipulável, que prima, principalmente, pela inteligência, pela imparcialidade e pelo amor à verdade. E que representa uma fatia muito pequena da população, portanto, não é comercial.

Só posso me orgulhar de conhecer uma pessoa tão corajosa, que vem defendendo a visão autêntica do Yôga ancestral, durante tanto tempo, apesar das injustas perseguições que lhe têm sido impostas durante 40 anos: o Mestre DeRose.

Independentemente de ser uma pessoa íntegra, séria e honesta, esta frase já valeria ao meu velho amigo um lugar no hall dos grandes Mestres de Yôga de todos os tempos, apesar das suas imperfeições e fragilidades humanas.

Tomara que aqueles que dizem amar o Yôga, os yamas e os niyamas, mas o detratam covardemente pelas costas, não acordem tarde demais para reconhecer o valor desse grande homem, depois que as irresponsáveis e caluniosas palavras os tiverem, finalmente, feito soçobrarem.

 
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