
Swámi Niranjan
Era a minha segunda viagem a Índia. Era janeiro de 1998, um período em que a temperatura é mais amena e a época ideal para se conhecer o país.
Viajavamos em um grupo de quase trinta brasileiros, entre professores e alunos de Yôga.
Uma das etapas da viagem foi estudar por uma semana no Bihar School of Yôga, uma organização fundada por Swámi Satyananda Saraswati em 1964, localizada em Munger, cidade do estado de Bihar e especializada na formação de professores.
Todos os dias, entre as atividades, estava incluído um sat sanga com Swámi Niranjan, que fora indicado por Swami Satyananda para substituí-lo na direção do ashram. Reuniam-se mais de 200 pessoas, entre swamis, acólitos, discípulos e estudiosos ocidentais para ouvir as preleções, todos sentados sobre um grande gramado entre as suntuosas edificações, que contrastavam com a realidade muito pobre fora da instituição.
No terceiro dia em que participávamos das conferências, Niranjan tomou conhecimento da existência do nosso pequeno grupo de brasileiros através de seus assessores. Ele sempre sentava-se em um púlpito, numa cadeira alta, cercado de swamis idosos, e dois enormes cães vaimaraner, relaxadamente descansando aos seus pés.
Curioso, quis saber quem era o representante do grupo e este apontou para mim. Olhando fixamente, o Maestro me perguntou qual era o estilo de Yôga que praticávamos.
- Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga– respondi.
Um murmúrio percorreu o grupo de decanos swamis que cercavam o Mestre.
- Quem é o seu Mestre? – voltou a perguntar o Educador.
- Sri DeRose – retorqui.
Ele ficou alguns momentos em silêncio e tornou a questionar:
- Como é a prática deste Yôga?
- Mudrá, pújá, mantra, pránáyáma, kriyá, ásana, yôganidrá e samyama.
Duzentas pessoas cravavam seu par de olhos sobre nós dois, acompanhando com a cabeça a intercalação do diálogo.
Não satisfeita a sua curiosidade, Niranjan volveu a indagar:
- Como é o samyama?
- Yantra dhyána, mantra dhyána e tantra dhyána – lhe respondi, com voz sempre firme.
Irrompeu um clamor entre veneráveis sacerdotes, estrangeiros e residentes. Niranjan levantou uma das mãos pedindo silêncio, fitou-me por alguns longos instantes. Eu suava frio, pois achei que havia cometido alguma bobagem e que iria repreender-me. Finalmente me respondeu:
- Muito antigo o seu Yôga. Muito ancestral.
- Pátañjali Yôga, Swámiji? – dirigiu-se à ele um dos assessores, demonstrando surpresa.
- Não, não. Muito mais antigo – respondeu Niranjan, erguendo novamente a mão para informar que a conversa tinha se encerrado e continuou sua preleção.




