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O blog do Jojó
Um espaço para compartilhar com amigos, alunos e curiosos sobre filosofia, vida, trabalho, amor, esporte e Yôga.
 

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A Nova Humanidade: 1a parte – as crenças

Sexta-feira, 23 de Julho, 2010

crencas 2Há 210 milhões de anos os mamíferos viviam à sombra dos dinossauros. A presença agressiva destes grandes répteis dominava a cena evolutiva, não permitindo a eles desenvolverem-se, tanto em tamanho (ser pequeno era uma vantagem, pois diminuía a chance de ser visto por um Tiranossauro Rex) quanto na variação de espécies.

Por volta de 160 milhões de anos atrás, provavelmente uma catástrofe provocada por um asteróide ou um cometa extinguiram os dinossauros, dando a super classe mammalia, uma oportunidade evolutiva sem igual. E eles aproveitaram.

A partir daí, sem a presença ameaçadora dos grandes répteis, os mamíferos multiplicaram-se e mudaram progressivamente sua anatomia:

  • Há cerca de 150 milhões de anos atrás a sua caixa craniana se expandiu e desenvolveu a audição ofertando um diferencial competitivo em relação aos répteis, por exemplo, que ouvem muito mal;
  • Há 120 milhões de anos, os mammalias desenvolveram os dentes tribofênicos que lhes permitiram uma dieta mais variada e melhor assimilação, aumentando com isso a longevidade;
  • Por volta de 90 milhões de anos a cintura escapular permitiu movimentos mais amplos, aprimorando-lhes as habilidades de caça, luta e fuga;
  • 45 milhões de anos atrás as mãos e pés dos mamíferos tornaram-se preênseis, e seus olhos passaram a ver com cores, ampliando as habilidades em identificar e capturar formas novas de alimento;
  • Em torno de 5 milhões de anos, os primatas ficaram eretos. Isto fez uma enorme diferença, pois garantiram aos nossos antepassados maior campo de visão para identificar as presas e predadores, alargando a expectativa de vida;
  • Cerca de 3 milhões de anos, o gênero Homos, de onde descende a nossa espécie, o Homo sappiens, começou a utilizar as mãos estimulando áreas adormecidas do cérebro, gerando ferramentas para substituir sua falta de velocidade, reflexos e garras, enriquecendo seu cardápio e aumentando suas habilidades em conviver com alterações climáticas;
  • Por volta de 1 milhão de anos, os nossos antepassados já detinham a maior neocórtex proporcional ao peso entre todas as espécies, ampliando sua memória e raciocínio. Assim começaram a guardar e retransmitir uma quantidade enorme de informações às novas gerações, algo sem precedentes na história evolutiva das espécies;
  • 200 mil anos: uma hipertrofia da faringe desenvolveu a fala, mudando completamente a forma de treinamento dos antropóides para a sobrevivência. Enquanto todos os outros mamíferos só podiam fazê-lo através do gesto, o gênero Homo agregou a linguagem. Passamos a descrever também.

A nossa espécie, o Homo sapiens, surgiu há 130 mil anos. Se pensarmos no reinado dos grandes répteis, que foi de 200 milhões de anos, chega-se a conclusão que nossa espécie nasceu ontem e temos muito que evoluir. Também é espantoso avaliar, quando acompanhamos a evolução dos antropóides dos quais somos descendentes diretos, o quanto nosso cérebro cresceu. Em dois milhões de anos, passou de 500 c.c. para 1700 c.c. de volume craniano. Isto significa que a morfologia dos primatas teve de ajustar-se ao crescimento do crânio, tal a quantidades de estímulos e de associações que nossa espécie era capaz de realizar, aprendendo, memorizando, aprimorando e sofisticando novas habilidades, que a levaram, num período extremamente curto, das árvores ao topo da cadeia alimentar.

Hoje, todos os outros mamíferos, alguns morfologicamente muito mais bem preparados para atingir a condição de espécie dominante, nos temem. Podemos nos equiparar aos elefantes e as orcas: não temos mais predadores naturais.

Em 200 mil anos como espécie, saímos das árvores para o domínio da natureza, expandido a nossa espécie por todos os continentes, remodelando a matéria in natura em objetos que nos trouxeram conforto, facilidades, beleza e conhecimento, até o domínio do átomo.

Construímos a civilização e com ela, um jeito de viver totalmente diferente dos demais mamíferos. Em 20 mil anos de civilização mudamos muito. A vida em grupo tornou-se extraordinariamente complexa e multifacetada, exigindo do animal humano, novas aptidões interpessoais. O terceiro milênio caracteriza-se por mutabilidade. Valores, hábitos e crenças, que são a base estrutural da formação humana estão em constante mutação, exigindo do ser humano uma desenvoltura e flexibilidade comportamental jamais experimentada pelo Homo sapiens. A capacidade de adotar novos valores, novas visões da realidade, adaptando-se as mudanças, é um dos maiores diferenciais competitivos da nossa espécie. E isto se inicia por uma reflexão sobre principais mudanças que ocorreram no mundo nos últimos 5 mil anos.

Crenças

A maioria das nossas escolhas é ajustada pela visão que detemos do mundo, tanto subjetiva quanto objetivamente. Daí a importância de alargarmos até onde pudermos a nossa percepção e o conhecimento acumulado sobre as crenças.

Na Antiguidade, nossos antepassados, para auxiliá-los a explicar o mundo que os rodeava, atribuíam causas mágicas aos fenômenos da natureza tais como a gestação, as mudanças climáticas, o nascimento, a morte, e outros tantos fenômenos naturais. Criaram, a partir desta interpretação sobrenatural, uma série de relatos e histórias fantásticas, denominadas historicamente de pensamento mítico. Através do mito, os antigos conseguiam a coerção social e a moralização dos costumes, fundamental para a convivência grupal. A mitologia adquiriu na maioria das vezes uma conotação religiosa e norteou as principais civilizações antigas tais como a egípcia, grega, romana e germânica.

Na Idade Média, as crenças foram modeladas pelo pensamento religioso, uma hierarquização, sofisticação do pensamento mítico, tornando-o muito mais rígido e sistematizado, passando a constituir-se num conjunto de crenças, dogmas, símbolos e práticas que determinavam uma noção, uma construção imaginária de um mundo sobrenatural, com o qual os homens podiam estabelecer contato. O pensamento religioso teve como principal característica a sublimação do individualismo e da liberdade de iniciativa, reprimindo com isso a criatividade, a inovação tecnológica, artística e comercial.

O período moderno se caracterizou pelo pensamento iluminista, onde as pessoas buscavam novas crenças que lhes permitissem demonstrar todo seu potencial criativo e empreendedor. Foi a época dos descobrimentos, da revolução industrial, e principalmente da ciência. Na ciência, nossos antepassados procuravam as verdadeiras explicações para o mundo e a natureza humana. No entanto, a ciência guardava armadilhas muito semelhantes às do pensamento religioso, pois passou a tratar os assuntos de seu interesse também de forma dogmática. Ainda, seguindo os passos da religiosidade, a ciência acabou cerceando as liberdades e a individualidade humana aceitando apenas uma linha de raciocínio como a correta e excluindo todos os grupos ou povos que não a aceitassem como arauto da verdade de seus processos históricos. E continua ocorrendo até hoje.

A idade contemporânea aprofundou os contatos entre os diferentes povos e culturas do mundo e uma maior liberdade de crenças e pensamentos. Convivem atualmente o dogmatismo religioso superficial e profundo, o pensamento científico com suas certezas e garantias nem sempre comprovadas ou mesmo suficientes e as diferentes filosofias naturalistas e materialistas. A aceitação das divergências de pensamento e orientação é um importante avanço nas relações humanas, pois assim cada indivíduo pode encontrar as explicações das quais necessita e que são mesmo inerentes à espécie.

O terceiro milênio da era cristã nos mostra que ainda que alguns necessitem de pensamentos dogmáticos como a religião e a ciência, outros, no entanto, já se encontram preparados para conhecer filosofias de autoconhecimento e evolução pessoal. Definimos aqui filosofia pelo seu jargão platônico: a investigação da dimensão essencial e ontológica do mundo real, ultrapassando a mera opinião (crença) irrefletida do senso comum que se mantém cativa da realidade empírica e das aparências sensíveis.

Na nossa humilde opinião, o praticante do Método DeRose pode e deve investigar permanentemente a si e a realidade externa, sistemática e confortávelmente, identificando novas visões, substituindo paradigmas, recriando-se e assumindo o seu papel de liderança e de modelo transformador na história humana.

Para tanto, o integrante da Nossa Cultura conta com uma série de ferramentas valiosíssimas: os festivais do Método DeRose, que acontecem em vários estados e países; os cursos com o Educador DeRose e demais Mestres e Docentes da filosofia preconizada por nós; os livros de vários autores, que tratam da Nossa Proposta; os DVDs e CDs e finalmente as classes diárias do Nosso Sistema.

A natureza e o Yôga: a superação dos instintos.

Sábado, 1 de Maio, 2010

Yôga é domínio sobre a natureza.

Quando olhamos o sádhana, a prática diária, sobre este ângulo, algumas interessantes associações podem ser feitas.

Uma é de que dissolvemos para sempre, em nós, o rótulo utilitário, de benefícios, imposto pela mídia e a opinião pública.

Por exemplo, ao executar um ásana, procedimento orgânico, notadamente tão coligado à atividade física, flexibilidade etc, o sádhaka, praticante, faculta-se aplicar uma intenção à mentalização enquanto permane na posição, que a projeta para muito além do emprego do azul para sedar ou o laranja para tonificar, modelo ampla e unanimemente usado nas orientações do Instrutor em classe.

Antes de continuarmos, porém, cabe relembrar a ancestral frase utilizada por DeRose, nas primeiras edições do Prontuário de Yôga Antigo: “Yôga é 80%  mental e 20% físico”. Ou seja, o ásana escapa efetiva e definitivamente da condição de exercício físico, quando utilizamos os modelos mentais, protótipos de saúde, longevidade, prosperidade, evolução etc. Antes disso, ousaríamos dizer que ainda não é ásana.

Continuando o raciocínio, note o leitor que o foco está na vontade e não especialmente nas construções de imagens, embora estas também possam mudar drasticamente, quando o sádhaka se debruça sobre a frase do início do texto.

Incorporado o conceito de que Yôga é domínio sobre a natureza, o praticante, ao assumir o ásana ou qualquer outra técnica do Nosso Método tais como pránáyáma, kriyá, pújá etc, estará sujeito a adotar uma atitude mental aonde a atenção está voltada em reconstruir o corpo, reeducar a emocionalidade e disciplinar os pensamentos, remodelando-se na direção de um arquétipo de perfeição evolutiva, incorporando qualidades, talentos e habilidades que o levem a uma espiral ascendente e continuada de sobrepujança sobre a sua genética, instintos, hábitos e crenças. Ou seja, uma intenção definitivamente afastada dos alvos utilitários.

As reflexões acima expostas, nos parecem uma visão pura de poder, de domínio e que afastam os sádhaka, de sua humanidade tão imperfeita. “O Yôga é um processo de desumanização, de desnaturação do ser humano” já alertava DeRose em seus cursos na década dos oitenta do século passado.

Esta atitude, de auto-superarão dos instintos, pode remodelar também a qualidade, a profundidade e potência das mentalizações, do chayttanya do discípulo. Na maioria dos casos, como desdobramento, a expectativa e a qualidade da vida do educando são dilatadas, a rede e a propriedade das relações interpessoais amplia-se, desembocando naturalmente em consolidação econômica, reconhecimento social e profissional.

Estes são apenas os sinais externos, recorrentes nos praticantes das modalidades de Yôga autênticos, entre os quais incluímos o Nosso Método. Refletem um câmbio, mudança nos registros humanos coletivos, mundanos, normais, atrelados biologicamente apenas a garantir sobre-vivência individual e perpetuação da espécie, e nos quais está submersa a maioria esmagadora da Humanidade. São substituídos por outros, edificados pela ética, civilidade, cidadania, cultura, hábitos alimentares e comportamentais mais sutis, forte reforço gregário, ou seja, os elementos que ensejam a Nossa Proposta Cultural.

quadro sinoptico do Metodo DeRose cortado

Tantra & Condicionamentos – uma reflexão

Sexta-feira, 24 de Abril, 2009

yogi-pequeno1

O assunto condicionamentos é recorrente em nossas palestras e cursos, já que o tema parece fundamental para entendermos o Yôga como uma ferramenta de libertação.

- Mas que libertação é essa? – Exatamente deles, dos condicionamentos.

Pondero que a compreensão da:

1.      Importância e função dos condicionamentos na evolução das espécies, e

2.      Como eles modelam nossa visão da realidade, influenciando nossas escolhas que constroem o nosso karma, são essenciais para elaborarmos a maneira como lidaremos com o Yôga, tanto como prática e enquanto filosofia.

O samadhi, hiperconsciência ou iluminação é o fenômeno neurológico que possibilita contemplarmos a realidade sem o uso distorcido de lentes interpretativas, tais como as emoções, mente e intuição, mas como ela efetivamente se apresenta.

Todos os outros veículos acima são uma mera interpretação dos eventos e das formas animadas ou inanimadas a nossa volta, porque estão sob o domínio, a influência dos condicionamentos (vásanás), que manipulam nossos sentidos, criando, literalmente, uma visão pessoal, irreal do mundo.

Esta é, na nossa humilde opinião, uma forma de aprisionamento e o Yôga visa exatamente nos ajudar a deslocar-nos do condicionado para o incondicionado, a libertação final (môksha).

Acredito que para a maioria dos estudiosos e praticantes desta filosofia fóssil, este assunto é bastante familiar e não pretendemos aprofundá-lo.

Em realidade, queremos nos deter é no como executar, realizar este procedimento de libertação, e aí as modalidades de Yôga não são unânimes.

A maioria delas, por sofrer forte influência Vêdánta-Brahmáchárya, opta como método, pelo aniquilamento do ego através de técnicas ascéticas, restritivas dos sentidos, caracterizada pela negação do corpo e das sensações, consideradas como irreais, descartáveis, na busca da realidade última, denominada Átman.

Por ser repressivo, e, portanto, contrapondo-se a natureza das coisas, o sistema Vêdánta-Brahmáchárya coloca em risco com muita freqüência a sanidade dos praticantes, incorrendo em muitíssimos casos de suicídios e esquizofrenias, por exemplo, alem de deformações anatômicas permanentes.

Já a proposta Sámkhya-Tantra tem outra abordagem que pode ser muito bem exemplificada por um ditado tântrico que diz:

“Se ao chão cais (numa alusão a vida material, física, execrada pelos praticantes de Yôga brahmácháryas, por considerarem-na uma fonte de dispersão ou vrittis), é com o auxílio do chão que levantarás”. Ou seja, propõem uma práxis que não nega, entre tantas coisas, os condicionamentos, mas propõem substituí-los por outros, mais inteligentes, em uma espiral ascendente, que conduz o yôgin a incorporar escolhas mais sábias. Ocorre então, uma profunda, positiva, contínua e irreversível transformação karmica, até que os condicionamentos substituídos sejam tão sutis, refinados e transcendentes que produzem um espelhamento com o incondicionado (Púrusha) e o sádhaka alcança a libertação.

Esta proposta de substituição dos condicionamentos, em verdade, ouvi do Mestre DeRose há um par de anos, em um dos seus tantos cursos e registrei por considerá-la muito inteligente sobre vários aspectos, mas aquele que mais me atraiu foi o fato de levar em conta a condição humana, sem negá-la ou reprimi-la, mas exaltar as oportunidades de aprimoramento e evolução nela embutidas.

O habito faz o Homem – um texto sobre condicionamentos

Quinta-feira, 1 de Janeiro, 2009
Círculo vicioso do hábito

Círculo vicioso do hábito

Nos últimos anos tenho refletido bastante sobre a relação entre qualidade de vida e percepção do tempo. Minha busca por harmonizar estes dois vetores primordiais para uma vida com qualidade , desembocaram em muito estudo, pesquisa e finalmente um livro denominado: O Yôga Antigo e a Gestão do Tempo cujo trecho compartilho aqui e que fala sobre condicionamentos. Existe muita coisa escrita sobre o condicionamento que inclusive está na base do procura dos seres humanos pelo Yôga e da sua meta: o samádhi. Mas este é um assunto para outra postagem

Por que somos condicionados

Na natureza, todo condicionamento tem o intuito de manter o bom funcionamento biológico de cada indivíduo e de toda uma espécie, garantindo-lhe sobrevivência e reprodução.

Recebemos, no nascimento, um kit de condicionamentos genéticos inatos, que permitem a continuidade da vida para a maioria de bebês humanos. Depois, pais, irmãos, amigos e preceptores continuam os nossos processos para o condicionamento, denominado de educação.

A função dos condicionamentos é preditiva: serve para antecipar a resposta de prazer ou alertar sobre plausíveis perigos, ou seja, de garantir que continuemos vivos.

Eles serão sempre moldados pelo local, tempo e grupo cultural. Tem, entre outros empregos, garantir o ajustamento do indivíduo ao meio social, de forma que este lhe garanta segurança e proteção.

Um condicionamento novo é neurologicamente, um reflexo condicionado temporário e que, se considerado importante, será reproduzido tantas vezes quanto acharmos necessário, consciente ou inconscientemente. Tornar-se-á então um reflexo condicionado duradouro. A partir daí, poderemos voltar-nos para outros aprendizados, pois este já está inserido, transformando-se num hábito.

O hábito

Os hábitos, bons ou ruins, preenchem uma série inumerável de necessidades humanas, físicas e psíquicas, reais ou imaginárias, que integram a existência. Automatizados, regem o nosso cotidiano e deixam a vida mais fácil, possibilitando que possamos fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, como por exemplo, dirigir, ouvir rádio e ainda conversar.

A desvantagem do hábito é que uma vez assimilado, treinado, ele molda o nosso comportamento, ou seja, fazemos, pensamos, sentimos e cremos sempre do mesmo jeito. E resistimos conscientes, mas principal-mente inconscientemente, às mudanças.

A administração do tempo inclui o aprendizado de novos condicionamentos, alterando hábitos arraigados, que resistirão bravamente a serem substituídos por outros, mais inteligentes.

O círculo vicioso do hábito

Imaginemos uma situação na qual queremos emagrecer. E resolvemos que a melhor forma é a adoção de uma dieta alimentar de baixo consumo calórico combinada com atividade física moderada. Esta associação normalmente funciona muito bem para quem deseja perder peso. Consultamos um nutricionista e um fisiatra, que nos orientam sobre a adoção de novos hábitos alimentares e de exercitação física.

Como primatas inquietos e curiosos que somos, adoramos novidades. Por isso, os primeiros dias de dieta correm maravilhosamente bem. Sentimo-nos felizes e orgulhosos de nossa determinação, disciplina e os resultados já podem ser notados.

Porém, alguns dias depois, alguns velhos hábitos estabelecidos, sentindo-se ameaçados, encetam a manifestar-se. Para isso, utilizam-se de um artifí-cio sutil, discreto, mas poderoso: a exceção.

É quando condescendemos, e comemos uma pequena guloseima. Aliás, duas guloseimas, pois elas são umas delícias e são tão pequenas.

– Com certeza, não influenciarão na dieta. – nos enganamos. E depois, está muito calor e os amigos convidaram-me para um happy hour. – Segunda-feira eu volto a caminhar e fazer a dieta.

E assim, os antigos hábitos voltam a dominar a cena comportamental. Consciente, e mais ainda inconscientemente, todas as vezes que desistimos de uma resolução, como da adotação de novos hábitos que consideramos mais inteligentes, o resultado é uma grande frustração e, conseqüentemente, a redução da auto-estima.

Isto gera um círculo vicioso comportamental que reforça a estagnação, a resistência à mudança e a conservação dos hábitos arraigados.

Cultivar atos de poder

Como vimos, condicionar é sujeitar a vontade a um determinismo; sugestionar, convencer, persuadir (Dicion. Houaiss). A vida humana em grupo, embora seja uma vantagem evolutiva, submete, sistematicamente, a vontade às regras e normas. Esta dominação decisivamente diminui as chances do macaco-humano manter-se conectado com sua individualidade, minando nele o impulso criativo, a coragem mamífera inata, a curiosidade congênita e as suas habilidades comunicativas.

Portanto, não devemos nos surpreender ao nos depararmos com uma espécie com tanta baixa auto-estima como a nossa. De forma subliminar, é identificado na cultura humana um mecanismo inibidor para sabotar a superação dos limites.

O motivo é que esta sobrepujança aos condicionamentos representa potência e transcendência às regras e normas, sendo o indivíduo livre visto como uma possível ameaça à estabilidade individual e tribal dos membros de um determinado grupo social.

Aprender a mudar hábitos produz disciplina e resgata a vontade, conduzindo-nos a um novo degrau de comando sobre os condiciona-mentos, substituindo-os por novos, mais inteligentes, construindo uma espi-ral de gratificação, auto-estima e evolução comportamental. Gera potência.

O segredo é iniciar com mudanças de hábitos aparentemente insignifican-tes, como não deixar mais a cueca no chão, a calcinha pendurada na torneira do chuveiro ou sempre usar o cinto de segurança ao subir no carro.

Mas a diferença é que, uma vez que tenhamos assumido o compromisso de realizar esta pequena mudança comportamental, jamais reproduziremos o hábito antigo.

Algumas semanas depois, com as novas atitudes sedimentadas, substi-tuiremos alguns outros poucos comportamentos condicionados sem importância. E não repetiremos a antiga maneira de fazer aquelas coisas. Chamamos a esta nova maneira de realizar nossas tarefas de Atos de Poder.

Os efeitos dos atos de poder

Adotando progressivamente novos hábitos, em pouco tempo se descobrirá que o segredo de mudar um costume está em discipliná-lo. A disciplina produzirá eficácia para fazer qualquer mudança e quebrar condiciona-mentos repressivos, inibidores da criatividade e coragem, ampliando o espectro de oportunidades e escolhas evolutivas e inteligentes.

Um dos efeitos mais visíveis quando passamos a cultivar atos de poder, é o desabrochar da consciência de valor.

Valor é a plena consciência de nossas habilidades e talentos. Também é definido como a qualidade humana de natureza física, intelectual ou moral, que desperta admiração ou respeito; condição excepcional; talento, habilidade, maestria.

Adquirir esta consciência é conquistar conhecimento do que somos, e não apenas do que temos. Quanto mais nos conhecermos, mais valor outorgamos a cada momento da nossa vida. Tudo se torna uma experiência única de autoconhecimento, auto-superação, acordando todos os dias para novas habilidades até então desconhecidas dentro de nós.

O desdobramento desta percepção é uma elevada auto-estima e o início efetivo da gestão do tempo.

A gestão do tempo, por sua vez, desembocará na conquista de um bem muito precioso: o Banco de Tempo.

Você já percebeu que a grande maioria das pessoas alega que não cuida do corpo por absoluta falta de tempo? Pois com a administração do tempo criamos um espaço na nossa agenda de compromissos e tarefas para prestar atenção no nosso organismo, conquistando a tão almejada, falada e pouco cultivada qualidade de vida.

Desta forma, criamos um círculo virtuoso dos atos de poder, numa espiral ascendente de evolução, saúde, controle de stress, elevada auto-estima, percepção de valor e autoconhecimento.

 
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