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ÔM
O blog do Jojó
Um espaço para compartilhar com amigos, alunos e curiosos sobre filosofia, vida, trabalho, amor, esporte e Yôga.
 

Entradas com Etiqueta ‘Yôga Antigo’

Nossa definição de Qualidade de Vida

Terça-feira, 20 de Julho, 2010

Abaixo reproduzimos um pequeno texto extraído doAX055467 pocket O que é o Método DeRose, escrito pelo Educador  DeRose, e que sintetiza 0 estilo de vida da Nossa Cultura. Em cada Unidade, no coração e mente de cada Instrutor e  aluno do Nosso Método, buscamos constantemente os padrões abaixo mencionados de qualidade de vida. E a cada dia,  aprimorando nossos hábitos, nos aproximamos cada vez mais deste ideal.

Qualidade de vida é tornar sua existência descomplicada, é fazer o que lhe dá prazer, com alegria, saúde e bem-estar.

Qualidade de vida é suprir as necessidades fisiológicas e ergonômicas, é adotarmos hábitos que promovam e mantenham a funcionalidade do corpo, do emocional e do mental, é o aprimoramento e desenvolvimento das nossas habilidades, através do trinômio: boa alimentação, boa forma e boa cabeça.

Qualidade de vida é relacionar-se de maneira descontraída, ética e responsável com o meio ambiente e o meio sócio-cultural, procurando compartilhar e interagir, agregando sempre generosidade, elegância, respeito e carinho às nossas relações humanas (sociais, profissionais, familiares, afetivas e outras), mediante a adoção de um conjunto de valores que incluem boa cultura, boa civilidade e boa educação.

Qualidade de vida é adotar uma visão de mundo que nos motive a buscar o desenvolvimento e o aprimoramento contínuo, conquistando a nossa excelência através do estudo, dos ideais e do autoconhecimento.

Qualidade de vida é manter um padrão de gastos dois degraus abaixo do que você ganhar. É residir próximo ao trabalho. É alimentar-se com frugalidade. É conseguir extrair satisfação de todas as coisas. É esbanjar o seu tempo dando atenção aos amigos e aos conhecidos. É dar flores à pessoa amada. É não se deixar abalar pelos percalços da vida. É amar com franqueza e perdoar com sinceridade.

Estes são os nossos valores.

O DeROSE Festival de Floripa está bombando.

Terça-feira, 18 de Maio, 2010

RGSul Pelo décimo quarto ano consecutivo, o DeROSE Festival de Floripa, que  acontecerá agora nos dias 28, 29 e 30 de maio, está repleto de gente  linda e pró-ativa.

Faltando sessenta dias para o início do evento, as vagas do Hotel  Praiatur estavam todas ocupadas.

Segundo me contou o setor de reservas, em março, ligou um  interessado.

- Bom dia, gostaria de fazer uma reserva para o DeROSE Festival de Floripa, por favor – solicitou a pessoa.

- Desculpe-me, senhor, mas todos os leitos estão ocupados.

- Como pode ser? Estou ligando com dois meses de antecedência?

- Pois é, meu senhor. Para o DeROSE Festival de Floripa, a antecedência é de quatro meses.

Agora, os inscritos de última hora, buscam um lugar nas pousadas próximas ao hotel, que estão também quase lotadas.

Teremos presença das mais importantes autoridades do Método DeROSE em todo o mundo, e inscritos do Brasil, Argentina, Portugal, Espanha e Chile, somando quase 600 participantes em um fim de semana de muita convivência, prática, alegria e a melhor companhia: a egrégora do Método DeRose.

Aguardamos a chegada do Educador DeRose para o dia 27 de maio E prepare-se para vivenciar o mais poderoso sat chakra de encerramento de todos os tempos. As paredes do Hotel Praiatur irão tremer.

Obrigado, Lucila.

Sexta-feira, 7 de Maio, 2010

images Lucila Silva, é Instrutora Docente, Diretora Executiva e coordenadora pedagógica estadual da Federação  de Yôga de Santa Catarina e Vice-diretora da Unidade Kobrasol.

Tem mais de 16 anos de Método Derose e além de uma discípula fiel ao Sistematizador e amiga leal deste  blogueiro, é autora de um livro, que todos aqueles que, na Nossa Cultura, têm o hábito de escrever,  recorrem a ele diariamente: o Léxico de Yôga Antigo.

Com 900 verbetes e mais de 2000 significados, a obra é minha parceira permanente de computador e extremamente útil para quem escreve livros e artigos sobre a Nossa Proposta.

Obrigado, Lú, pela sua dedicação a nossa causa. Tenho muito orgulho de ser seu amigo.

Um trishúla vivo

Sábado, 1 de Maio, 2010

DeRose PXB 6

DeRose é a encarnação de um trishúla. Como seu discípulo há mais de trinta anos pude sentir na pele, enumeras vezes, a sua capacidade de motivar as pessoas a se superarem.
Tem entre tantas habilidades incomuns, uma capacitação surreal para identificar o erro. Quando se tem o privilégio de estar perto dele, observamos que, por onde passa, sinaliza a falha e sugere a melhoria, em um movimento contínuo pelo melhoramento, superação.
Sua abençoada insistência pelo qualidade máxima, resultou em um pull de produtos oferecidos pela Nossa Cultura que impressionam os que não estão acostumados: os nossos livros, por exemplo, além de uma diagramação e textos impecáveis, diferenciam-se pelo essência fixadora Carezza colocado na tinta de impressão, deixando-os suavemente perfumado. A nossa medalha com o ÔM, as capas dos nossos CDs, as embalagens do incenso Kali-Danda e do próprio Carezza são alguns outros modelos de cuidado com a qualidade extrema.
Como instrumento evolutivo é muito forte, desafiador e transformador para aqueles que, como educandos, se submeter a lâmina afiado do Educador e Mestre.
Conviver com DeRose nestes anos todos, me demonstrou o por quê que tantos praticantes de Yôga, todos ocidentais, escolhem Mestres de Yôga já falecidos. É que não suportariam a provação de receber as inevitáveis admoestações de um Mestre vivo. E são estes sádhakas, tradicionalmente, os que falam sobre a tal “dissipação do ego”. Ego este que não têm a maturidade para metabolizar as  repreensões e vislumbrar o amor por detrás destas.
Afinal de contas, só muito afeto e senso de missão faria uma pessoa agüentar reeducar pacientemente, e às vezes, sem paciência, tantos discípulos por mais de 50 anos!
E como aprendizes, temos que estar agradecidos por cada indicativo de aprimoramento. Este é o mais poderoso instrumento evolutivo de um discípulo. É o maior de todos as modalidades de prática. E precisamos estar alertas, pois como nunca paramos de nos aperfeiçoar e aprender, devemos nos preocupar quando, por algum motivo, o Mestre cessa de nos repreender. Provavelmente, desistiu de nós. Este é um momento terrível.
Para aqueles que não conhecem o Educador DeRose, é importante frisar que sempre primou pelo cuidado e cortesia na relação Mestre e discípulo. Este casamento, em verdade, é soberanamente lembrado, por todos nós, seus supervisionados, muito mais pelos momentos de cumplicidade, companheirismos e boas risadas, do que pelas correções de hábitos e valores.
Além, disso, cada vez que temos a regalia de desfrutar de seus cursos, que hoje ministra por toda a América Latina e Europa, aprendemos tanto, recebemos tanto conhecimento que, inevitavelmente, reafirma-se no coração de cada acólito, a bênção de desfrutarmos da presença viva de um autêntico Mestre de Yôga.

Para quem não sabe, trishúla alude a uma arma de guerra na forma de tridente,  utilizada na  Índia há milênios. Também refere a Shiva, o criador do Yôga, no seu  aspecto destruidor de  avidya, a ignorância da totalidade da nossa natureza.

DeRose é a encarnação de um trishúla. Como seu discípulo há mais de trinta anos pude  sentir  na pele, inúmeras vezes, a sua capacidade de motivar as pessoas a se superarem.

Tem entre tantas habilidades incomuns, uma capacitação surreal para identificar o erro.  Quando se tem o privilégio de estar perto dele, observamos que, por onde passa, sinaliza a falha e sugere a melhoria, em um movimento contínuo pelo melhoramento, superação.

Sua abençoada insistência pela qualidade máxima, resultou em um pull de produtos oferecidos pela Nossa Cultura que impressionam os que não estão acostumados: os nossos livros, por exemplo, além de uma diagramação e textos impecáveis, diferenciam-se pelo essência fixadora Kámala colocado na tinta de impressão, deixando-os suavemente perfumados. A nossa medalha com o ÔM, as capas dos nossos CDs, as embalagens do incenso Kali-Danda e do próprio Kámala são alguns outros modelos de cuidado com a qualidade extrema.

Como instrumento evolutivo é muito forte, desafiador e transformador para aqueles que, como educandos, se submeter a lâmina afiada do Educador e Mestre.

Conviver com DeRose nestes anos todos, me demonstrou o porquê que tantos praticantes de Yôga, todos ocidentais, escolherem Mestres de Yôga já falecidos. É que não suportariam a provação de receber as inevitáveis admoestações de um Mestre vivo. E são estes sádhakas, tradicionalmente, os que falam sobre a tal “dissipação do ego”. Ego este que não têm a maturidade para metabolizar as  repreensões e vislumbrar o amor por detrás destas.

Afinal de contas, só muito afeto e senso de missão faria uma pessoa aguentar reeducar pacientemente, e às vezes, sem paciência, tantos discípulos por mais de 50 anos!

E como aprendizes, temos que estar agradecidos por cada indicativo de aprimoramento. Este é o mais poderoso instrumento evolutivo de um discípulo. É o maior de todas as modalidades de prática. E precisamos estar alertas, pois como nunca paramos de nos aperfeiçoar e aprender, devemos nos preocupar quando, por algum motivo, o Mestre cessa de nos repreender. Provavelmente, desistiu de nós. Este é um momento terrível.

Para aqueles que não conhecem o Educador DeRose, é importante frisar que sempre primou pelo cuidado e cortesia na relação Mestre e discípulo. Este casamento, em verdade, é soberanamente lembrado, por todos nós, seus supervisionados, muito mais pelos momentos de cumplicidade, companherismo e boas risadas, do que pelas correções de hábitos e valores.

Além, disso, cada vez que temos a regalia de desfrutar de seus cursos, que hoje ministra por toda a América Latina e Europa, aprendemos tanto, recebemos tanto conhecimento que, inevitavelmente, reafirma-se no coração de cada acólito, a bênção de desfrutarmos da presença viva de um autêntico Mestre.

A natureza e o Yôga: a superação dos instintos.

Sábado, 1 de Maio, 2010

Yôga é domínio sobre a natureza.

Quando olhamos o sádhana, a prática diária, sobre este ângulo, algumas interessantes associações podem ser feitas.

Uma é de que dissolvemos para sempre, em nós, o rótulo utilitário, de benefícios, imposto pela mídia e a opinião pública.

Por exemplo, ao executar um ásana, procedimento orgânico, notadamente tão coligado à atividade física, flexibilidade etc, o sádhaka, praticante, faculta-se aplicar uma intenção à mentalização enquanto permane na posição, que a projeta para muito além do emprego do azul para sedar ou o laranja para tonificar, modelo ampla e unanimemente usado nas orientações do Instrutor em classe.

Antes de continuarmos, porém, cabe relembrar a ancestral frase utilizada por DeRose, nas primeiras edições do Prontuário de Yôga Antigo: “Yôga é 80%  mental e 20% físico”. Ou seja, o ásana escapa efetiva e definitivamente da condição de exercício físico, quando utilizamos os modelos mentais, protótipos de saúde, longevidade, prosperidade, evolução etc. Antes disso, ousaríamos dizer que ainda não é ásana.

Continuando o raciocínio, note o leitor que o foco está na vontade e não especialmente nas construções de imagens, embora estas também possam mudar drasticamente, quando o sádhaka se debruça sobre a frase do início do texto.

Incorporado o conceito de que Yôga é domínio sobre a natureza, o praticante, ao assumir o ásana ou qualquer outra técnica do Nosso Método tais como pránáyáma, kriyá, pújá etc, estará sujeito a adotar uma atitude mental aonde a atenção está voltada em reconstruir o corpo, reeducar a emocionalidade e disciplinar os pensamentos, remodelando-se na direção de um arquétipo de perfeição evolutiva, incorporando qualidades, talentos e habilidades que o levem a uma espiral ascendente e continuada de sobrepujança sobre a sua genética, instintos, hábitos e crenças. Ou seja, uma intenção definitivamente afastada dos alvos utilitários.

As reflexões acima expostas, nos parecem uma visão pura de poder, de domínio e que afastam os sádhaka, de sua humanidade tão imperfeita. “O Yôga é um processo de desumanização, de desnaturação do ser humano” já alertava DeRose em seus cursos na década dos oitenta do século passado.

Esta atitude, de auto-superarão dos instintos, pode remodelar também a qualidade, a profundidade e potência das mentalizações, do chayttanya do discípulo. Na maioria dos casos, como desdobramento, a expectativa e a qualidade da vida do educando são dilatadas, a rede e a propriedade das relações interpessoais amplia-se, desembocando naturalmente em consolidação econômica, reconhecimento social e profissional.

Estes são apenas os sinais externos, recorrentes nos praticantes das modalidades de Yôga autênticos, entre os quais incluímos o Nosso Método. Refletem um câmbio, mudança nos registros humanos coletivos, mundanos, normais, atrelados biologicamente apenas a garantir sobre-vivência individual e perpetuação da espécie, e nos quais está submersa a maioria esmagadora da Humanidade. São substituídos por outros, edificados pela ética, civilidade, cidadania, cultura, hábitos alimentares e comportamentais mais sutis, forte reforço gregário, ou seja, os elementos que ensejam a Nossa Proposta Cultural.

quadro sinoptico do Metodo DeRose cortado

Mi Buenos Aires querida

Segunda-feira, 29 de Março, 2010

Folder Argentina grupo Visito Buenos Aires desde 1998. Todos os anos tenho o prazer de  ministrar cursos  nesta cidade linda e que me encanta cada vez mais.

Tanto, que foi uma das pouquíssimas cidades que já fui a passeio e não  a trabalho.  Adoro a comida com suas medialunas frescas, os mais de    quarenta tipos de queijos, os restaurantes italianos centenários, o pão  e o sorvete fantástico. Gosto muito da melancolia do tango, agora  revigorado, e dos seus ícones trágicos como Perón e Maradona. Amo  Quino e sua Mafalda.

Mas o que mais gosto é da egrégora do Nosso Método, com seus mais de mil praticantes super identificados e os queridíssimos Diretores  de Unidades, Yael Bracesat, Diego Ouje, Sol Montenegro, Luciano López, Lucia Gagliardini e Silvina Tenebaun.  Mas principalmente pelo amigo e parceiro de tantas aventuras, risadas e muito, muito trabalho, o Mestre Edgardo Caramella.

A história do Yôga na Argentina se divide em antes e depois de Ed ter escolhido abrir mão da segura vida de funcionario público das aduanas argentinas para seguir seu Mestre e o Método DeRose. Foram muitos anos  de chumbo, de esforço absoluto para expandir nossa Proposta Cultural. Vinte anos depois, além do título de Mestre, quatro livros publicados, e a admiração de milhares de praticantes em muitos paises, Edgardo consolidou uma liderança natural na Nossa Cultura, sendo o presidente do excelto Colegiado dos Presidentes de Federação.

Edgardo é um amigo tardio, ou seja, nos conhecemos quando já nos aflorava o branco aos nossos poucos cabelos. Como é muito gentil, culto e engraçado, a convivência com ele é sempre muito prazerosa e de agradável cumplicidade,  e passamos horas conversando, mateando e rindo sem cansar-nos.

Eis alguns bons motivos que fazem de Buenos Aires, assim como Porto Alegre,  algumas das minhas cidades preferidas.

O saddhu de Machu Picchu – 3ª parte: um trem para o inferno

Domingo, 9 de Agosto, 2009

De capital paulista rumamos para Baurú, cidade do interior de São Paulo, atrás de um trem que nos levasse a Corumbá, cidade fronteiriça com a Bolívia e de lá, embarcarmos no famoso trem da morte que nos levaria a Santa Cruz de La Sierra e depois para o Perú.

Telminho e eu compramos um bilhete que nos dava direito a uma cabine que era bastante confortável para os padrões da época. Os mais de mil quilômetros que uniam uma cidade a outra, seriam percorridos pelo período de um dia e pouco, pois o trem parava em uma quantidade enorme de lugarejos de São Paulo e do Mato Grosso.

O tempo passava devagar no interior do comboio. Alternávamos leitura, com conversa, e algumas horas de sono. A tarde aproximava-se do fim e estávamos na cabine em nossas camas individuais lendo, quando o meu amigo convidou-me a visitar o trem-restaurante, localizado alguns vagões a frente.

Ao chegarmos, nos defrontamos com uma cena curiosa, que fazia-nos lembra dos velhos filmes de farwest: o trem-restaurante estava apinhado de verdadeiros cowboys mal encarados, com seus chapéus de boiadeiros, botas, revólver a cintura e a indefectível cachaça, que tomavam lenta mas continuamente. Tudo isto imerso em uma nuvem de cigarros de palha.

Sentamo-nos em uma mesa afastada e Telmo dirigiu-se ao balcão para pedir uns sanduíches. Meu companheiro de aventuras era natural de Lages, SC, um pouco mais baixo do que eu, os olhos eram duas riscas desenhadas numa pele bem morena, parecendo um índio, o corpo forte pela prática do surf e Yôga, o cabelo castanho encaracolado e um andar tranqüilo. Gostava de uma boa conversa e tinha um jeito muito engraçado de contar histórias, fazendo todos rirem muito a sua volta.

Quando estava voltando com a nossa comida, um dos boiadeiros, sentado com mais um amigo mal encarado, levantou a voz e ridicularizou o tamanho do cabelo de Telmo, que era grande para os padrões daquela região.

- Isto não é cabelo de homem – disse ele e caiu na gargalhada, seguido pelo parceiro. Percebemos que já estavam bastante bêbados e preferimos evitar qualquer confronto, até porque os simpáticos amigos estavam armados.

Mas a dupla continuou ridicularizando o meu pacato comparte até que este perdeu a paciência e levantou-se, dirigindo-se para a mesa onde os dois chatos estavam sentados. Senti-me na obrigação de acompanhar Telminho. Nisto a dupla também levantou das cadeiras e veio nossa direção. Enquanto um deles, o mais agressivo, discutia com Telmo o outro puxou do revóver, enfiou na minha cara e berrou:

- Não te mete se não de mato, filho da p…!

Congelei de imediato, parado em pé no meio do trem-restaurante, com os olhos pregados no revólver, sentindo o cheiro do metal da arma mesclado com cachaça que vinha do corpo do boiadeiro. Ele estava muito bêbado. Os olhos estavam semi fechados, mas a mão segurava firme a artilharia.

Enquanto isso, meu comparsa e o outro bêbado estavam a ponto de se engalfinhar quando entrou no vagão a turma-do-deixa-disso, acompanhada de fiscais e seguranças da companhia férrea, que nos separaram

Ainda sem respirar, puxei Telmo pelo braço enquanto ele lançava uma quantidade incontável de imprecações contra os bêbados, que retribuíam na mesma proporção, e o arrastei até nossa cabine, quando então pude me deitar em estado de choque.

E lá ficamos, sem sair nem para fazer xixi até chegarmos a Corumbá. Quase que os saddhus de Machu Picchu morrem antes de chegar ao seu destino.

Próximo capítulo: o famoso trem da morte.

O saddhu de Machu Picchu – 2ª parte: a compra dos dólares

Terça-feira, 4 de Agosto, 2009

Assim influenciados, meu amigo Telminho Arruda, já falecido e o Jojózinho, resolveram virar saddhus em Machu Picchu, no Perú, já que ir para a Índia, em 1976 era impossível para nós, devido a diferença do dólar.

Porém, havia um empecilho: o maldito compulsório, uma verdadeira fortuna a ser paga para qualquer brasileiro que desejasse sair do país. Era condição sine qua nom para possuir-se um passaporte. Portanto, estava fora de nossos planos. Assim. Decidimos ir a Machu Picchu ilegalmente! (impressionante o que fazemos quando somos jovens).

Então, em dezembro de 1976, partimos para São Paulo, na busca de dólares paralelos, considerados ilegais na época e do trem que nos levasse à Bolívia. Tínhamos um contato em um banco paulista para a compra dos dólares e chegando a terra da garoa, nos dirigimos a agencia bancária onde o fornecedor de dólares trabalhava. Imagine então a cena: em um país ainda muito conservador, dois jovens barbudos, com jeitão riponga entraram em um banco para realizar um ato ilegal para a época. Nossa aparência e nossa expressão temerosa chamavam muita atenção. O banco parou para nos olhar. Aproximamo-nos do balcão e, sussurrando, solicitamos a um funcionário a presença do nosso contato. O bancário nos olhou desconfiado e um tanto relutante chamou o nosso fornecedor que se aproximou também receoso.

- Queríamos comprar 2000 dólares – solicitamos baixinho, cheios de culpa e constrangimento, sentindo-nos os maiores facínoras do mundo.

- Dólares? – perguntou o nosso amigo, desmanchando a cara amarrada e sorrindo. – Espere um instante.

Então se virou para o interior do banco e berrou:

- Fulano, libera dois mil dólares aí!

Telminho e eu sentimos os olhos de toooooodos os clientes presentes no interior da agencia com os olhos cravados em nós. Ficamos vermelhos de vergonha, sentindo-nos verdadeiros criminosos. Querendo sair daquele local o mais rápido possível, ainda tivemos que aguardar um bom tempo pelos dólares. Com o dinheiro no bolso, sem olhar para os lados, literalmente voamos do banco e tomamos a rua.

Próximo capítulo: Um trem para o inferno

As palestras do Jojó

Sexta-feira, 3 de Julho, 2009

É bastante curioso conhecermos as raízes do termo palestra. Vem do grego palaístra, lugar onde se fazem exercícios de luta; escola, e do latim, palaestra,que significa lugar onde se pratica a luta, ginásio; escola, exercícios de retórica.

Desde então, o termo mudou bastante, podendo hoje ser definido como conferência ou debate sobre tema cultural ou científico.

Palestras, quando oferecem a combinação de temas instigantes aliados com uma apresentação enxuta, são uma excelente ferramenta para estimular os alunos a conhecerem mais a Nossa Cultura e atrair novas pessoas sensíveis a nossa proposta.

Inicialmente, lá por 1994, aludiam apenas ao Yôga Antigo e duravam em torno de 2 horas, sempre acompanhadas de apresentação de coreografias e apenas em nossa Unidade representante do Método DeRose.

Com o passar dos anos, expandimos os temas, associando temas como biologia, zoologia, antropologia, sociologia, História, filosofia etc ao Nosso Método, tornando as palestras ainda mais atraentes, atingindo uma gama maior de interesses e provocando com isso, uma freqüência maior de pessoas às apresentações.

Outro ajuste foi o de respeitar nossa herança primata a distração, evitando que as dissertações ultrapassassem a duração de exposição maior do que uma hora. Desta forma, hoje os participantes ficam atentos, não cansam, aprendem e terminam com aquele gostinho de “quero mais”.

Um upgrade relevante foi a utilização das apresentações multimídias, que além de servirem como um roteiro, evitando que o ministrante precisasse olhar repetidamente para uma folha de papel com o script escrito, trouxeram também o impacto das imagens, que deixaram as conferências muito mais cativantes e interessantes.

Hoje, trinta por cento das atividades profissionais do Jojó giram em torno das palestras, sejam em Unidades, empresas e festivais e tornou-se um fascinante, divertido, concorrido e proeminente veículo de divulgação da nossa proposta de estilo de vida de qualidade superlativa, o Método DeRose.

Uma história na Índia – 1998

Sexta-feira, 23 de Janeiro, 2009

 

Swámi Niranjan

Swámi Niranjan

Era a minha segunda viagem a Índia. Era janeiro de 1998, um período em que a temperatura é mais amena e a época ideal para se conhecer o país.

 

Viajavamos em um grupo de quase trinta brasileiros, entre professores e alunos de Yôga.

Uma das etapas da viagem foi estudar por uma semana no Bihar School of Yôga, uma organização fundada por Swámi Satyananda Saraswati em 1964, localizada em Munger, cidade do estado de Bihar e especializada na formação de professores.

Todos os dias, entre as atividades, estava incluído um sat sanga com Swámi Niranjan, que fora indicado por Swami Satyananda para substituí-lo na direção do ashram. Reuniam-se mais de 200 pessoas, entre swamis, acólitos, discípulos e estudiosos ocidentais para ouvir as preleções, todos sentados sobre um grande gramado entre as suntuosas edificações, que contrastavam com a realidade muito pobre fora da instituição.

No terceiro dia em que participávamos das conferências, Niranjan tomou conhecimento da existência do nosso pequeno grupo de brasileiros através de seus assessores. Ele sempre sentava-se em um púlpito, numa cadeira alta, cercado de swamis idosos, e dois enormes cães vaimaraner, relaxadamente descansando aos seus pés.

Curioso, quis saber quem era o representante do grupo e este apontou para mim. Olhando fixamente, o Maestro me perguntou qual era o estilo de Yôga que praticávamos.

- Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga– respondi.

Um murmúrio percorreu o grupo de decanos swamis que cercavam o Mestre.

- Quem é o seu Mestre? – voltou a perguntar o Educador.

- Sri DeRose – retorqui.

Ele ficou alguns momentos em silêncio e tornou a questionar:

- Como é a prática deste Yôga?

- Mudrá, pújá, mantra, pránáyáma, kriyá, ásana, yôganidrá e samyama.

Duzentas pessoas cravavam seu par de olhos sobre nós dois, acompanhando com a cabeça a intercalação do diálogo.

Não satisfeita a sua curiosidade, Niranjan volveu a indagar:

- Como é o samyama?

- Yantra dhyána, mantra dhyána e tantra dhyána – lhe respondi, com voz sempre firme.

Irrompeu um clamor entre veneráveis sacerdotes, estrangeiros e residentes. Niranjan levantou uma das mãos pedindo silêncio, fitou-me por alguns longos instantes. Eu suava frio, pois achei que havia cometido alguma bobagem e que iria repreender-me. Finalmente me respondeu:

- Muito antigo o seu Yôga. Muito ancestral.

- Pátañjali Yôga, Swámiji? – dirigiu-se à ele um dos assessores, demonstrando surpresa.

- Não, não. Muito mais antigo – respondeu Niranjan, erguendo novamente a mão para informar que a conversa tinha se encerrado e continuou sua preleção.

 
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