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Bíja e eu – a história de uma labradora Golden Retriever e deu apaixonado dono

Li apenas os três primeiros capítulos do livro Marley e Eu. Senti-me desconfortável com tanto amadorismo e incompetência doa autor ao adquirir um cachorro. E como contrapeso, gostaria de compartilhar com você minha experiência diamétricamente oposta.

Sempre quis adquirir um cão, mas imaginava, e com razão, que daria muito trabalho. A progênie Golden Retriever, um labrador peludo e gentil, sempre me atraiu, mas como está catalogado nas raças gigantes, meu foco direcionou-se, inicialmente, para outras, mais ajustáveis as dimensões de um apartamento.

Iniciei o projeto de adquirir um Canis familiaris escolhendo um nome que fosse pequeno, fácil de memorizar e representasse algo com que me identificasse. A denominação elegida foi Bíja, termo sânscrito que significa semente, numa alusão aos sons-sementes dos chakras, centros de força que o Yôga Antigo trabalha com o intuito de alavancar a evolução humana. Mas também como uma referência a semente de carinho, amor e lealdade, característica da raça Golden Retriever.

Depois, iniciei uma pesquisa na internet, que oferece uma infinidade de sites, relacionando raças e características, além de sites de criadores, com o intuito de facilitar a escolha. A despeito da investigação na net, ainda estava em dúvida e consultei um adestrador, e minhas escolhas balançaram ainda mais.

Porém, logo depois, viajei para Portugal, a convite do meu querido amigo, Prof. Antó-nio Pereira, presidente da Federação de Yôga do Sul de Portugal e conheci Shiva, um cãozinho de raça indefinida, muito simpático e comunicativo, propriedade dele e de sua esposa na época, Mariana. Encantei-me como ele era educado e disciplinado, fruto do trabalho de treinamento feito pela Mariana. E decido que Bíja teria que ser assim.

Algum tempo depois, meus queridos amigos paulistanos, Fernanda Neis e DeRose, adquiriram uma linda fêmea Weimaraner, uma raça realmente gigante e hiperativa. O casal mora em apartamento, lugar inicialmente não indicado para uma cepa canina tão agitada. Mas graças a um trabalho genial de adestramento e dedicação dos dois, combinado com uma adestradora, Jaya é uma Weimaraner extremamente educada.

Era o exemplo que eu necessitava para buscar a Golden Retriever dos meus sonhos. Comecei por procurar alguém que trabalhasse com o adestramento por reforço positivo, e encontrei no treinador Ricardo Pinheiro Machado, um orientador sério e experiente. Comentei com ele sobre a minha escolha e então ele atentou para algumas atitudes que foram fundamentais na educação da Bija:

  • Ler um livro sobre adestramento de cães. Estas obras, além de trazer uma série de exemplos de condicionamento canino, oferecem uma gama enorme de informações sobre o comportamento e visão que os cachorros, ajudando o proprietário a conhecer entender melhor a conduta canídea.
  • É fundamental visitar o canil, para conhecer a personalidade dos pais. Os filhotes serão sempre uma síntese das características genitoras. Os progenitores da Bija eram extremamente dóceis e a mãe, particularmente, era muito tranqüila, aumentando as chances dos filhotes também o serem;
  • Definir o gênero é fundamental. No meu caso, optei por uma fêmea, por ser menos territorialista e mais fácil de adestrar;
  • Solicitar estar presente na escolha do filhote da ninhada. No momento da eleição descartar todos aqueles que correrem em sua direção, ou roubarem a comida dos demais. Estes serão líderes de matilha, e, portanto, mais difícil de adestrar;
  • Deixar o filhote escolhido por, pelo menos, dois meses com a mãe, ao invés de 45 dias, como querem os criadores. Estes quinze dias a mais com a genetriz, ajudarão muito no adestramento. Mesmo que o criador exija que você pague pela ração e locação deste período, pague, pois valerá a pena;
  • Castrar a fêmea antes da primeira menstruação. A de tornar-se mais calma e tranqüila, a saúde da fêmea é preservada de doenças em seu aparelho reprodutor, pois são comuns tumores mamários e uterinos depois de gestar algumas ninhadas.
  • Iniciar o adestramento aos 5 meses.

Segui a risca os valiosos conselhos do treinador e todos foram de muita utilidade na educação da Bíja, em especial o método utilizado pelo Ricardo Machado, denominado adestramento inteligente, que se baseia no reforço positivo.

Além disso, outro aspecto fundamental foi que Ricardo não adestrou a Bíja e sim aos instrutores da nossa Unidade de Yôga.

Duas vezes por semana, Ricardo nos visitava e passeávamos pela cidade, Bíja, ele e os 5 instrutores, aprendendo e reforçando os condicionamentos. Este modelo de aprendizado permite que o dono possa ele mesmo treinar o cão, evitando que ele se descondicione e principalmente, sinalize para o animal quem é o líder da matilha.

Como passeio diariamente com a Bíja, observo que a maioria dos donos são reféns seus cães, levando-os a um comportamento questionador e indisciplinado, ao contrário da minha amada Golden Retriever, fruto de algumas boas horas de dedicação e treinamento.

Só para terem uma idéia, Bíja passeia comigo sem guia, absolutamente obediente aos comandos e encantando a todos por sua docilidade e interatividade com outras pessoas e cães.

Para encerrar, uma observação importante para quem diz não gostar de cachorros: você só diz isso porque ainda não experimentou desfrutar do companheirismo, carinho, atenção e lealdade a toda prova que representa estes verdadeiros anjos peludos em nossas vidas.

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