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Método DeRose

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Não acredite

CASO I

- Poderia me ver um refrigerante com gelo até a borda do copo, sem limão – solicita você numa mesa de uma sanduicheria.
- Pois não – responde o garçom, solícito. – Alguma coisa para comer?

- Sim. Um queijo quente, com salada menos o milho e o pão bem torrado. E para acompanhar, uma batata-frita. Mas ela deverá chegar junto com o sanduíche, certo?

- Ceeeeerto – confirma o garçom e se retira.
Alguns minutos depois, ele aparece todo atencioso com um refrigerante acompanhado de apenas três pedrinhas de gelo e o indefectível limão!

- Mas eu pedi sem limão e com gelo até a borda do copo, amigo – relembra você.

E o garçom, fazendo uma cara de surpresa, responde:

- Foi mesmo? Não tem problema. Já vamos providenciar. E volta sem o limão no copo, mas faltando uma ou duas pedras de gelo para preenchê-lo completamente. Porém, você prefere deixar por isso mesmo, para evitar discutir antes de comer.

Alguns minutos se passam e lá vem o nosso garçom com a batata frita.

- Mas lembra-se que eu solicitei que a batata frita viesse junto com o sanduíche? – rememoriza você já um tanto quanto alterado, demonstrando uma atenuada irritação na voz.

- Não se preocupe que já estou trazendo o sanduíche, senhor – alerta o nosso amigo, e vira-se nos calcanhares, lépido e faceiro, caminhando na direção do interior da cozinha.

Passam-se de cincos minutos e nada do sanduíche. Como você está com fome, belisca a batata enquanto aguarda, todavia com a firme intensão de degustá-la junto com restante da sua refeição. Quando a batata-frita está quase no fim, finalmente o garçom aparece com o sanduíche, observando o pão bem tostado, mas… com milho!

- Amigo, lembra que era sem milho? – questiona você, já sem disfarçar sua profunda decepção.

E o garçom, com aquela característica cara de pau-canela, lhe responde, inalterado:

- O senhor me desculpe. Já vamos retirar o milho – e ameaça levantar o seu prato da mesa.

- Pode deixar assim mesmo – retruca você, já desesperançado e morrendo de fome.

CASO II

- Poderias me ver um refrigerante com gelo até a borda do copo, sem limão – solicita você na mesma mesa daquela sanduicheria, atendido pelo mesmo garçom, alguns dias depois.

- Pois não ? responde o garçom, solícito. – Alguma coisa para comer?

- Sim. Um queijo quente, com salada menos o milho e o pão bem torrado. E para acompanhar, uma batata-frita. Mas ela deverá chegar junto com o sanduíche, certo?

- Ceeeeerto ? confirma o garçom e ameaça retira-se.

- Um momento, amigo. Como é seu nome mesmo? – pergunta você, interrompendo a retirada estratégica do garçom.

- João.

E você, abrindo um sorriso:

- Muito bem, João. Por favor, me confirme o nosso pedido, pois às vezes eu não consigo ser muito claro.
Ele lhe olha intrigado e re-lê a comanda:

- Um refrigerante…

- Sem limão, sem limão, sem limão, certo? Atravessa-se você – E com gelo até a borda do copo, não é mesmo? – e você coloca, sorrindo, a sua mão acima da sua cabeça – Lotado de gelo, João.

- Ceeeeeerto, João? E o restante do pedido, amigo?

- Um queijo quente, com salada menos o milho e o pão bem torrado. E para acompanhar, uma batata-frita.

- Olha João, Eu tenho alergia a milho. Se vier com ele, terei que devolver o sanduíche. Certo João?

- Perfeitamente, senhor – replica o garçom com uma expressão engraçada (para você).

- Outra coisa, João. A BATATA DEVE VIR JUNTO COM O SANDUICHE – esta frase é dita lentamente, sorrindo e com um tom de voz um tanto quanto mais grave.

- Ficou tudo bem esclarecido, amigo?

- Bem esclarecido, senhor – e o garçom ameaça retirar-se.

- Por favor, João. Poderia repetir o pedido? – e você sorri – Só para saber se consegui ser claro – Por favor.

Resignado, o garçom re-lê a comanda mais uma vez, e você confirma. Mas esteja preparado: ele dependerá do cozinheiro para executar bem a ação solicitada. Será que o seu amigo João terá a pachorra de executar os mesmos cuidados de comunicação que você teve?

Sua vida é cercada de Joãos. O que lhe atende no balcão da loja de ferragens, na compra da sua passagem aérea, o que trabalha na sua concessionária, o seu marceneiro, pedreiro, publicitário, o fornecedor de compras da internet, a empresa de telefonia fixa, a do seu celular, o seu cliente, parceiros de trabalho, superiores, colaboradores, o seu filho, cônjuge, secretária etc. Você não poderá fugir deles. Permeiam a sua vida, proporcionando-lhe um sentimento de frustração, impotência e resignação por toda a sua existência. Jamais cumprirão o que prometeram a você: atrasarão na entrega, o produto virá com algum defeito, substituirão o produto por outro, pois estão em falta, não depositarão na data prevista, dirão que você não leu direito o contrato de adesão etc. E quando acontecer um milagre, e sentir-se totalmente satisfeito com a prestação do serviço ou produto, lembre-se: foi um acontecimento fora do comum, inexplicável pelas leis naturais. Não gere expectativas sobre uma segunda boa surpresa.

- Agora, me diga. Quem é o único, absolutamente exclusivo responsável por esta situação?

Você. Tem origem numa crença incutida desde a mais tenra idade: acreditar. Acreditamos nos pais, parentes, professores, políticos, juizes, sacerdotes, a sorte e o no céu.

Você já parou para perguntar-se sobre a origem da palavra acreditar? O dicionário define como admitir, aceitar, estar ou ficar convencido da veracidade, existência ou ocorrência de (afirmação, entidade, atributo, fato etc.); crer. É uma derivação da palavra crer, que significa formar idéia sem base real; imaginar, pensar, presumir. Ou seja, eivamos nossa existência em presunções, crenças, suposições.

Isto não significa que você está cercado de Joãos mal intencionados, nascidos para lhe fazer mal e prejudicá-lo. O que existe é a crença que as pessoas entendem, assimilam e interpretam sua visão do mundo da mesma forma que você. Santa ingenuidade, que fará da sua vida um inferno!
Quando você solicita qualquer coisa a quem lhe atende no balcão da loja de ferragens, na compra da sua passagem aérea, o que trabalha na sua concessionária, o seu marceneiro, pedreiro, publicitário, o fornecedor de compras da internet, a empresa de telefonia fixa, a do seu celular, o seu cliente, parceiros de trabalho, superiores, colaboradores, o seu filho, cônjuge, secretária etc., lembre-se que existe uma permanente barreira invisível de distorção entre você e seu interlocutor que são os paradigmas. Você emite uma série de símbolos denominados palavras, que não serão compreendidos e sim interpretados (por isso são símbolos) pelo receptor.

Você não tem como saber como ele está interpretando a sua comunicação. Mas você pode aplicar o axioma número um do SwáSthya Yôga: não acredite. DeRose, Mestre de Yôga, desenvolveu através da vida, uma série de axiomas que tem sido muito úteis. Axioma constitui-se numa premissa considerada necessariamente evidente e verdadeira,

Quando você sobrepõe o axioma número um: não acredite, sua comunicação evitará muita decepção, frustração, raiva e sentimento de impotência. Tenha certeza: ninguém tem culpa se você acredita que a Humanidade está aparelhada para compreendê-lo. Ela não está. Cabe a você e escolher qual o posicionamento.

Todo o e-mail deve ser acompanho de um telefonema de confirmação de recebimento. Não acredite que chegou ao seu destino. Todo telefonema deve ser acompanhado de uma solicitação de confirmação de entendimento. Não acredite que o outro entendeu. Toda a confirmação de entendimento deverá ser acompanhada de e-mail ou documento impresso de confirmação. Não acredite que irão cumprir o prometido. Toda a data-limite deverá ser lembrada seguidamente. Não acredite que o outro tem uma agenda. Toda a solicitação deverá repetir-se três vezes. Não acredite que a sua comunicação é eficaz. Ela não é.

Como tudo tem um bônus e um ônus, a desvantagem deste sistema é que exige investimento de tempo. Mas, se pensar bem, irá gerar uma enorme economia, reduzindo a mais estúpida de todas as ações humanas e que infecta praticamente toda a nossa vida: o retrabalho.

Quando mudamos o foco, percebemos que somos o único responsável pela felicidade ou infidelidade, eficácia ou incompetência, impecabilidade ou falha na nossa vida. É, em primeiro lugar, uma questão de consciência e depois de atitude.

Atitude para mudar, no único lugar e tempo onde as mudanças ocorrem: aqui e agora. O passado, não tem como alterar. O amanhã jamais chegará, e por isso, é sempre amanhã. Bom treino de atitude aqui e agora.

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