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Uma experiência energética – histórias de vivências do Jojó com o Yôga

Havia iniciado minha prática pelo menos há uns seis meses. A identificação com a técnica e o método ocorrera imediatamente e estava imerso em treinar diariamente.

Como ainda era funcionário público, trabalhando oito horas por dia, só possuía disponibilidade de praticar pela manhã, bem cedo e depois do horário do expediente. Minha iniciadora, a Profa. Dalva Arruda, identificando minha paixão pela filosofia, tinha me ofertado uma cópia da chave da porta de entrada do então Instituto de Yôga de Florianópolis. Assim, acordava todos os dias às cinco horas da manhã e me deslocava até a nossa escola de Yôga, praticando apenas de sunga azul turquesa (na época tínhamos uma graduação por cor de uniforme: azul turquesa para os alunos, lilás para instrutores e graduados e branco para os Diretores).

Executava um ady ashtánga sádhana de duas horas e fechando o instituto, me dirigia para o trabalho. Quando saía, às 18 horas, novamente caminhava para o instituto, e realizava mais uma aula com a minha preceptora.

Aos sábados e domingos, religiosamente, repetia todo o ritual pela manhã e a noite. Era um ótimo volume de técnicas concentradas e os resultados logo se fariam notar.

Com uma leve influência estóica na época, havia assumido dois compromissos que cumpria sem desleixo: era dormir nu, independentemente da temperatura (e Floripa faz frio no inverno) e não virar de barriga para baixo durante o sono.

Além disso, a minha dieta era muito restrita. Todas estas atitudes iriam resultar em uma experiência muito interessante algum tempo depois.

Um dia, era verão, e o relógio marcava por volta das quatro e meia da manhã. Preparava-me para levantar e espreguicei. Ao realizar este movimento, uma onda de energia física muito, muito prazerosa, percorreu todos os músculos que haviam participado do deslocamento corporal. Sem abrir os olhos, e profundamente surpreso, espreguicei-me para o outro lado e uma nova vaga de expansão energética cursou outros músculos. Continuando sem abrir os olhos, como um felino, iniciei um simulacro de coreografia ainda deitado e submergi em um verdadeiro oceano de ênstase físico e nervoso, acompanhado por uma percepção de luminescência azul claro muito vívida que banhava o corpo por dentro.

Dali, sentei e iniciei uma das práticas mais lindas, profundas e reveladoras que já fiz em toda a minha vida. Depois levantei, e fui trabalhar, porém as sensações, embora em grau mais atenuado, permaneceram comigo durante várias horas, até o dia seguinte ainda.

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