A VERDADE PARA O YÔGA

A VERDADE PARA O YÔGA

A conquista da verdade por ela e em si mesma, foco da filosofia ocidental, e para tanto, merecedora, no Ocidente, de todos os sacrifícios, não é para o Yôga um fim em si mesma, mas o meio pelo qual o homem se liberta.

Para o Yôga, não é a posse da verdade que importa, mas a conquista da liberdade absoluta que ela, a verdade, proporciona.

Consiste em apropriar-se de outro plano existencial, em que o Ser Humano desfruta de um estado de consciência não condicionado, estado este quase impensável ou imaginável para nós.

A Índia denomina esta condição da consciência liberta de samádhi ou nirvana,  e o que o jivatman, o libertado em vida, encontra é o  Púrusha ou Átman, o Incondicionado, o Si mesmo, o Absoluto e para alcançá-lo, existem técnicas adequadas, e a somatória delas é que se constitui no Yôga.

Portando o Yôga é a via, o caminho para aqueles que almejam experimentar este estado de macro consciência. Todas as modalidades de Yôga, independentemente do somatório de técnicas que ofereçam, devem conduzir o yôgi, ao estado incondicionado, a libertação absoluta.

Através do Yôga, o sádhaka, o praticante, é conduzido à imersão em si, num mergulho profundo nos labirintos do inconsciente, desvelando progressivamente, o que é eterno e o que é transitório, separando-os e, paulatinamente, afastando-se da realidade aparente com tudo que ela engloba.

Na medida em que aprimora esta descriminação, o praticante compreende mais e mais a natureza real e total de todas as coisas. Sua atenção tende a desapegar-se dos estados de consciência tão comuns para nós, como a ansiedade, o desejo, o medo, a raiva, a inquietude, no qual o foco está totalmente para fora. Seu foco é a vinculação cada vez maior com o Si mesmo. Quanto mais conectado, mais estável é a consciência. Esta se espelha (nyása) no Absoluto, promovendo uma condição humana de felicidade e união cada vez maior.