TENSÃO MUSCULAR E SUA REEDUCAÇÃO PELO YÔGA (parte 1)

TENSÃO MUSCULAR E SUA REEDUCAÇÃO PELO YÔGA (parte 1)

Ao praticarmos ásana, os procedimentos orgânicos do Yôga, este nos desvela o quadro completo dos nossos limites musculares e articulares.

Muitos de nós, principalmente quando iniciantes, nos assustamos com as limitações reveladas.

Daí a importância de refletirmos um pouco sobre as tensões, suas origens, desenvolvimento e reeducação.

O fenômeno da tensão muscular

Os músculos têm uma grande capacidade contrátil. Todo e qualquer estímulo captado pelos sentidos (visão, audição, tato, olfato e gustação) sempre produzem uma reação contrátil na musculatura. Quando interpretamos este sinal como uma ameaça à nossa integridade, seja ela imaginária ou real, nossa rede muscular se retrai, construindo um escudo defensivo com o intuito de diminuir o impacto da intimidação sobre as áreas vitais.

Uma vez que a ameaça deixe de existir, os músculos retornam ao seu ponto de repouso, contração parcial ou tônus muscular que é a situação ideal em que o músculo permanece para iniciar uma contração imediatamente depois de receber um sinal dos centros nervosos. Em uma condição de relaxamento completo (sem tônus), o músculo levaria muito tempo reagir ao estímulo, colocando em risco a vida.

Porém, quando um determinado ameaço se repete por um longo tempo (meses ou anos), como medida preventiva e defensiva, o tônus muscular aumenta, deformando-se, deixando os feixes e fibras retraídos, endurecidos e os músculos perdem a capacidade de retornar ao nível de repouso ou contração parcial.

Desta forma, deterioramos nossa flexibilidade, o suprimento sangüíneo para os músculos, os reflexos, a percepção sensorial, aumentando o acúmulo de produtos tóxicos nas células e predispondo a rede muscular à fadiga e a dor.

A origem das ameaças

A enorme maioria das tensões musculares crônicas tem sua origem no medo, emoção básica, instintiva e vital na evolução dos mamíferos. É um sentimento que tem como função fazer uma leitura do ambiente em que o ser vivo encontra-se, buscando identificar ameaças reais ou imaginarias.

No Homem, esta emoção é cultivada e treinada através da educação, sistema desenvolvido pelo Homo Sappiens para condicionar e aprimorar seus filhotes as regras e normas.

Existem pessoas que se sentem permanentemente acuadas, em oposição a outras que expressam confiança e coragem. Muitos fatores influenciam neste comportamento: época, local, valores familiares, etnia etc. além de aspectos genéticos.

O importante é que estes aspectos moldam a maneira como cada um de nós interpreta os eventos do cotidiano. Se os vemos como ameaças, estaremos mais contraídos. Se os entendemos apenas como parte do nosso treinamento pelo aprimoramento contínuo, nos sentiremos mais descontraídos.

Ao fim e ao cabo, o que vale não é a realidade, mas como cada um de nós a entende.

(Continua na próxima semana)